XXIV

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Os convidados distribuíram-se entre as mesas organizadas, conforme a ordem estabelecida. O banquete foi devidamente servido pelos servos da casa. O papa absteve-se de se sentar com a família, ficando em volta de seus cardeais, com exceção de Giovanni de' Medici, Basso della Rovere, os franceses e os venezianos. O Mestre de Cerimônias dirigiu-se à mesa onde se encontrava o Papa. Assentou-se ao lado do cardeal Piccolomini.

Um suntuoso banquete foi oferecido. Diante dos convidados, apresentava-se uma performance teatral de Édipo, de Sófocles. Os convidados surpreenderam-se quando o nome da peça foi proclamado. Esperavam algo mais cristão de um Papa.

Enquanto o banquete acontecia, entraram na sala nobres de Nápoles, entre eles o Duque da Calábria e príncipe de Nápoles, Alfonso d'Aragona, o jovem Fernando d'Aragona; Federico, tenente-general de Capitanata, das terras de Bari e Otranto; e o Bispo de Chieti. A presença era indesejada pelos Sforza.

— Santidade, Caterina me pediu para que autorizasse-nos a nos retirarmos por um instante.

— Aconteceu alguma coisa, cardeal?

— Ela não está sentindo-se bem. Vou acompanhá-la junto ao marido, Santidade.

— Fiquem o tempo que precisarem.

— Agradeço a compreensão, Santidade.

Os Sforza seguiram para a porta enquanto os Trastâmara adentravam a Sala dos Papas. Enquanto atravessavam os corredores invadidos pela noite escura, Caterina buscava se acalmar. Passaram para fora dos apartamentos, em silêncio. Desceram as escadarias para a Piazza di San Pietro.

— O que significa aquilo, Ascanio?

— Ele casou Gioffre Borgia por procuração.

— Como isso foi acontecer, cardeal?

— Ele enviou o filho, Cesare, para arranjar o casamento com uma mulher da casa de Ferrante.

— Podia jurar que Ferrante recusaria... Ele odeia o Borgia tanto quanto nós. Nápoles não apoia o cardeal da Ligúria?

— Ao que soube, retiraram o seu apoio do cardeal Della Rovere.

— E onde ele está?

— Não sei. Não perguntei.

— Você é um bom informante. Tão útil quanto uma vela ao meio dia.

— E a Senhora de Forlì, com certeza, deve ser muito melhor, não?

— Ao menos sabe de alguma coisa?

— Ele me disse que precisava apoiar-se em Ferrante, pois ele é o único que impede a invasão dos franceses.

— Quanto tempo acha que o Rei da França ficará em paz conosco?

— Eu não sei, mas os Duques de Saboia deixarão os franceses passarem pela Península, sem resistência. Lembre-se que eles são pressionados pelos francos e, dessa forma, são garantidos pelo Imperador e pelo bom Carlos VIII.

— E o seu querido irmão quer trazer o "bom" Carlos para a Itália!

— Ele não é o meu "querido irmão". Eu o odeio e ele odeia todos nós. Mas não podemos fazer mais nada. — Disse Ascanio Sforza, chegando ao pé de uma fonte.

— Como não pode? — Indagou, aproximando-se. — É o Vice-Chanceler do Papa. Pode fazê-lo mudar de ideia.

— Eu não posso forçar o Pontífice a fazer nada que ele não queira fazer.

— Aquele maldito Medici! Como se não bastasse aliar-se aos Trastâmara, também impediu a consumação.

— Giovanni nada fez desde que chegou aqui. Na verdade, pediu permissão ao Papa para ficar em Florença para prosseguir com os seus estudos. Essa foi uma decisão do próprio Papa por causa de Lucrezia. Não teve dedo algum de Giovanni de' Medici.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora