XXVI

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24 de julho, Rocca di Ostia, Ostia

Naquela manhã, uma mensagem chegou à Óstia. Della Rovere a recebeu sem grande entusiasmo. Ao ver o selo papal, levantou as sobrancelhas, curioso. Abriu a carta apressadamente. Conforme lia, um sorriso esboçava-se em seu rosto. Gargalhou em seu trono, na presença de Virginio Gentile Orsini. Sem entender, o condottiere indagou a ele o que se passava.

— O que tem de tão cômico?

— Sua Santidade me convida para um jantar.

— Sinto cheiro de emboscada... Peço para que não se arrisque e permaneça em Óstia.

— Será a minha chance de conseguir confrontá-lo e de insultá-lo pela última vez antes de seu final atroz!

— Vai mesmo pisar no ninho de cobras... Sozinho?

— Não estarei sozinho. Seus homens estarão à espreita. Além disso, levarei um dos meus guardas pessoais. Duvido que haverá alguém armado naquela sala. Devo mostrar a ele que nada pode me impedir e que sou íntegro, como assim me apresentei. Isso é uma prova de fé, Orsini.

— E quanto ao veneno? Não teme o envenenamento?

— Deus me guardará das artimanhas do diabo.

— Eu não teria tanta fé quanto a isso. E se Deus, em sua sabedoria infalível, sentenciá-lo à morte?

— E por qual razão faria isso?

— Pergunte a Ele, cardeal. Sou leigo.

— Se é um leigo quanto às coisas sagradas e das vontades de Deus, não fale sobre elas sem propriedade.

— Eu ainda creio que não seja uma boa ideia.

— Ache o que quiser. Irei para o jantar com Rodrigo Borgia.

O condottiere curvou-se perante o cardeal e deixou a cidade de Óstia naquele momento. Desaprovava a loucura do cardeal, mas não poderia mudar a sua mente nem a sua decisão. Mandou que seus homens estivessem prontos naquela noite, protegendo as ruas para a segurança do cardeal. Enquanto isso, Della Rovere escrevia para o seu mercenário em Roma para que o encontrasse perto da Porta Sancto Spiritu.

Città di Roma

Della Rovere vinha pelas ruas de Roma acompanhado com uma pequena escolta, que deixou-o próximo à Porta Santo Spirito. Enquanto aproximava-se, viu que o seu convidado havia chegado. Estava o aguardando em frente à porta, com uma espada ao lado. O cardeal apressou o passo. Diante do cardeal, o homem sorriu.

— O que deseja, cardeal?

— Quero que jante comigo.

— Espero que não esteja planejando me levar para a tua cama depois disso. — Respondeu, rindo.

— Gosto de um homem bem humorado. Afasta os maus espíritos e os males. Mas não, não planejava levá-lo para meus aposentos. Eu estava pensando em levá-lo para um lugar mais formal, como Palazzo Apostolico.

— O que tem o Palazzo Apostolico? Não me diga que...

— Sim, eu vou e o levarei como meu acompanhante.

— Imaginava que fosse alguma coisa mais importante...

— Não despreze esta oportunidade. Agora, vamos. Não podemos nos atrasar, Constantini.

Adentraram rapidamente o portão. Suas vestes inconfundíveis de cardeal os permitiram passar. Em certo momento, enquanto caminhavam na praça, passaram a ser guiados pelos guardas até o Pontífice, que os aguardava no salão de jantar nos seus apartamentos. O condottiere estava apreensivo quanto à quantidade de soldados guardando cada quarto e cada corredor. Aquilo não lhe parecia corriqueiro. Em caso de emergência, não poderiam escapar das garras do Santo Padre. Della Rovere havia percebido, mas tentava não se preocupar com isso. Diante da entrada para as salas do apartamento, foram deixados os convidados. O cardeal respirou fundo e abriu a porta.

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⏰ Última atualização: 13 hours ago ⏰

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