XXV

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03 de julho, Vaticano

O Arcebispo de Valência adentrou os apartamentos do pai e foi para o seu escritório. Havia sido convocado por ele. Ao entrar no escritório, encontrou todos os seus irmãos dentro do lugar junto ao Papa.

— O que está acontecendo? — Indagou Cesare, confuso.

— Discutiremos os planos futuros para a nossa família. Sente-se.

— Onde está Gioffre? — Voltou a indagar o clérigo, tomando o seu assento.

— Quem se importa com ele? É apenas uma criança que não entende nada.

— Ainda assim, é um Borgia.

— Nosso pai apenas o adotou por misericórdia.

— Lembro-me que a nossa mãe o carregou no ventre.

— Isso não o torna um Borgia, o torna um bastardo, com sangue de algum vadio que deitou-se com ela.

— Quietos! — Ordenou Rodrigo aos dois filhos, que estavam levando-o à loucura.

Os dois acalmaram-se e se desculparam com o Papa.

— Não percebem que é isso que o inimigo quer? — Indagou o Borgia ao filhos. — Della Rovere quer nos ver divididos, brigando uns com os outros enquanto se prepara para nos tragar! Os nossos conflitos nos levarão à ruína. Sejam unidos como irmãos, num só corpo, numa só mente, como a Igreja está unida a Cristo.

O Papa terminou o sermão apanhando alguns papeis sobre a mesa.

— Agora, vamos direto ao assunto. Precisamos tratar sobre o futuro de cada um aqui presente e o de Gioffre, além de precisarmos pensar numa estratégia para nos segurarmos contra uma possível guerra.

— A começar pelo mais novo. Gioffre casará com Nápoles e nos dará uma grande sustentação, caso os Sforzas falhem conosco.

— Não acredita neles, meu pai? — Indagou Cesare.

— Ascanio Sforza me dá motivos para crer que seremos traídos.

— E o que fará com o nosso grande inimigo? — Perguntou Giovanni.

— O novo Colégio de Cardeais será criado em breve. Os cardeais estão vindo para Roma desde antes do casamento de Lucrezia. Estão mais próximos do que podem imaginar.

— E quanto à guerra?

— Ouvi boatos de que a França tem um exército acampado em Lyon. — Interferiu Cesare.

— Sabe quantos soldados, pai? — Perguntou Giovanni, preocupado com a ameaça francesa.

— Julgando a quantidade de homens que ouvimos falar na última grande batalha da Guerra dos Cem Anos, na Gasconha, cerca de dez mil soldados devem estar acampados em Lyon.

— Os franceses parecem possuir um tipo de bombarda altamente destrutiva... Mais eficientes que as utilizadas na Guerra de Granada. — Comentou o arcebispo.

— Anda sabendo demais para um bispo, Cesare.

O comentário recebeu um sorriso do arcebispo.

— O que faremos se a Itália curvar-se a Carlos VIII? — Indagou Giovanni, preocupado.

— Então, colocaremos o destino de Roma, dos Estados Pontifícios e de toda a nossa família nas mãos de Deus — respondeu o pai.

— Fala isso com tanta calma que comove o coração mais duro, Santíssimo Padre. — Zombou Cesare, sorrindo.

— Não há necessidade para se temer as potestades nem os principados quando se está debaixo da graça de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo — Redarguiu, severo.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora