XVIII

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09 de abril, Palazzo Apostolico

Naquela manhã de primavera, o Romano Pontífice recebia na Sala dos Papas os mestres de guildas e representantes do comércio da cidade, junto ao Senador, Marco Antonio Altieri. Os cardeais se faziam presentes, ouvindo as infinitas reclamações dos comerciantes e mestres.

— Santo Padre, tentaram invadir nosso armazém em Ripa Grande! — Exclamou um dos comerciantes.

— Não só isso, como também ameaçaram invadir o palácio do Monte Campidoglio se não por causa dos preços...

— É um absurdo! Além de pagarmos taxas, precisamos abaixar preços se quisermos vender alguma coisa.

— As hospedarias de Roma estão desertas!

— Nenhum artesão prospera! Nem os marceneiros de Via del Baullari, nem os chapeleiros de Via del Cappelari, muito menos os donos de hospedaria de Borgo.

— Os Orsini tomaram controle até mesmo das vinícolas!

— Graças aos Céus, o Campo Vaccino e alguns celeiros e currais estão dentro das muralhas e há alguns pequenos produtores de vinho...

Novas reclamações se seguiram diante dos olhos dos cardeais. Oliviero Carafa fechava seus olhos, agarrando fortemente aos braços de sua cadeira almofadada com as mãos. Jorge da Costa, fatigado, suspirava, desviando os olhos ocasionalmente para os pergaminhos de ouro sobre o teto. Riario fitava os reclamantes sem expressão. Com olhares mórbidos, Orsini acompanhava as longas listas de produtos que se acabariam. Domenico procurava passar o tempo com alguns comentários com os cardeais ao lado, enquanto Basso, seu primo, bufava de braços cruzados.

Assim, passaram-se horas.

— Santidade — interveio um dos comerciantes, pela sétima vez —, os produtos disponíveis ao consumo estão se acabando... Se o embargo de Orsini persistir, precisaremos abrir os armazéns. Orsini tem lançado escaramuças contra os suprimentos trazidos por terra. Não podemos pagar por proteção a essas mercadorias sem aumentarmos os preços...

— O povo está se revoltando — salientou Altieri. — Correm boatos nas ruas de que estão planejando uma rebelião... Nossos guardas estão fatigados demais lidando com os Margani, Santacroce, Crescenzi e Conti na cidade. Não temos como enfrentar uma revolta popular.

— Bem... Acho que podemos encontrar uma solução razoável... — Respondeu Alexandre VI.

— Que solução é mais razoável que entregar as fortalezas?

— Em breve chegarão reforços de Milão. Não podemos ceder.

— Mas o povo, Santo Padre! O povo clama há quase um mês! Tudo aconteceu depois da época de carnaval! — Exaltou-se o representante da guilda dos sapateiros.

Os mestres tomaram sua indignação, voltando a listar as mesmas coisas. Os cardeais escorregavam sobre suas cadeiras, rezando para que aquela provação terminasse.

— Sabemos bem sobre as necessidades do povo, mas não podemos deixar uma guerra que já começou e que ninguém deseja paz. Nós desejamos a paz; Nápoles, guerra; Orsini, manter suas fortalezas. Não podemos assinar um tratado que depende de um desejo mútuo de paz.

— Então o que pretende, Santíssimo Padre? — Indagou Altieri.

— Como não podemos trazer alimentos pelas portas de Roma, precisamos abrir os armazéns. Para que isso seja possível, deve haver uma compensação. Que tal nós os isentamos de taxas durante essa crise e os senhores subtraírem as taxas do preço final? Os prejuízos são mínimos.

Os comerciantes e mestres discutiram a respeito. Os cardeais aliviaram-se por um momento.

— E se não for suficiente? — Tornou a indagar Altieri.

Os Borgias - Ego Sum PapaHistórias para pegar e não largar. Descubra agora