Pesaro, 22 de maio de 1493
Giovanni Borgia e o cardeal Sforza cruzaram o Lácio à Marca a cavalo, acompanhados pelo séquito de cavaleiros e pajens trajados nas mais belas armaduras e nobres figurinos. Giovanni, primogênito do Papa Alexandre VI e Duque de Gandia, conhecido em toda a Itália central como um jovem belo e altivo, confirmou a sua reputação. O caminho de Roma a Spoleto foi demasiado tranquilo, passando por Narni. Em Spoleto, Giovanni foi recebido pelo cardeal Savelli e pelos principais homens da cidade. Em Spoleto, antes de deixar a cidade, comprou tecidos caros e os presenteou às cortesãs com quem dormiu na noite anterior. Seguindo a viagem, chegando a Foligno, recebeu nova homenagem. No banquete, como havia exigido, bebeu vinho caro, adquirido com muito custo pelos principais da cidade. Na cidade, afastou-se do cardeal e procurou divertir-se nas festas dos jovens da cidade, levando punhados de ouro consigo. Gastou vários ducados num só dia com mulheres, bebidas e presentes.
No dia seguinte, Giovanni partiu com o seu exército em direção a Cagli. Para tal, precisavam atravessar os Apeninos, as montanhas estreitas e os desfiladeiros. Na cidade, enviaram um batedor, como sempre fizeram, para avisar a Pesaro da sua chegada. Assim que amanheceu, subiram o desfiladeiro. Após muitas horas, chegaram a um trecho estreito. Giovanni vendo o perigo que corriam, organizou o séquito para passarem sem acidentes sobre a estrada. Mais adiante, chegaram a uma passagem coberta, talhada no calcário do desfiladeiro. Precisaram afunilar o contingente ainda mais. Depois de acenderem lanternas de ferro, pois haveriam de atravessar o túnel. Precisaram de meios dia para que todos atravessassem o túnel. Depois de um dia e meio sobre as montanhas, chegaram à cidade de Fano.
Ao adentrarem a cidade, foram recebidos com grande alegria pelo povo. As moças das janelas de suas casas lançavam flores sortidas e coloridas ao séquito. A turba saudava entusiasmada o duque e o cardeal, acompanhados por pajens vestidos com vestimentas de cores vibrantes e botões de ouro e pelos cavaleiros de Roma. O olhar admirador das mulheres e o gesto de reverência dos homens fizeram crescer no coração do jovem duque sua altividade, seu orgulho.
— Vê, cardeal? Todos se curvam diante do primogênito do Santo Vigário!
— Curvam-se diante de ti, nobre Duque, ou a quem vos fala? — Questionou Ascanio, severo, fitando o povo de Pesaro.
— O que insinua, cardeal?
— Nada insinuo, nobre duque, meramente ponho em dúvida a sua afirmação equivocada... Sou um Sforza, caro Borgia, portanto, sou conhecido e respeitado em Pesaro. De certo, devem pensar que o senhor faz minha escolta. Creem que seja um comandante.
— O meu pai é o Papa, cardeal. Sou descendente da menina dos olhos de Deus. Além de Sua Santidade, como primogênito, sou o homem mais importante do mundo.
— O senhor é apenas Giovanni Borgia, Duque de Gandia, cuja influência permanece na sua amada península longínqua e no coração de seu pai. Digo o mesmo sobre os seus irmãos. Nenhum deles realmente importa para nós. Se não fosse pela minha intervenção, sequer teríamos esta conversa.
— Tome cuidado com as suas palavras, cardeal... Talvez, suas acomodações sejam transferidas ao castel Sant'Angelo se sua insolência persistir.
— Se o fizer, o casamento será desfeito e o meu apoio, que fez Rodrigo Borgia Papa Alexandre VI, será retirado. Acho que o que virá a seguir não é tão difícil de se imaginar, não é?
O cardeal sorria, voltando os olhos ao duque.
— Não, cardeal...
— Sugiro que se coloque em seu lugar, Duque de Gandia, ou terei que pedir ao Papa para admoestar um pouco de juízo em sua cabeça.
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Os Borgias - Ego Sum Papa
Historical FictionEm 1492, ascendeu ao Trono de São Pedro Rodrigo Borgia, assumindo o nome de Alexandre VI. Com seu poder, elevou sua família em riqueza e prestígio. Não obstante, ganhou muitos inimigos, entre eles o Cardeal da Ligúria, Giuliano della Rovere. Como um...
