Em uma cidade onde segredos são a moeda corrente, uma jovem em perigo é inesperadamente salva por um homem comprometido. Porém, esse compromisso é apenas uma fachada, uma armadilha cuidadosamente construída para esconder suas verdadeiras intenções...
Enquanto caminhava pelo corredor, meus sentidos estavam em alerta máximo. Cada passo ecoava nas paredes, e a antecipação me consumia. Meus olhos se fixaram em um pedaço de papel deixado próximo a uma chave. Peguei o papel com cuidado, meus dedos tremendo levemente de expectativa. Ao desdobrá-lo, li as palavras "Seu presente está na próxima porta". Um sorriso cruel se formou nos meus lábios. Eu sabia o que aquilo significava. Guno. Finalmente, eu estava prestes a confrontar o homem que destruiu minha vida.
Com a chave na mão, caminhei até a porta indicada. Meu coração batia forte, mas minha determinação era inabalável. Assim que me aproximei, a porta se abriu lentamente, rangendo, como se estivesse tão ansiosa quanto eu para revelar seu conteúdo. E lá estava ele. Guno, amarrado e indefeso, seu olhar de puro terror me recebendo.
— Olá. — disse eu, minha voz gotejando sarcasmo. Ver Guno naquele estado era um prazer indescritível. O medo em seus olhos, a maneira como ele se encolhia e gritava para que eu o deixasse em paz, tudo isso apenas aumentava minha satisfação. Ele sabia que eu não estava ali para salvá-lo. Ele sabia que eu buscava vingança, a vingança pelos meus pais que ele havia brutalmente assassinado.
Aproximei-me lentamente, saboreando cada momento. Guno tentava se afastar, mas as cordas que o prendiam e o espaço pequeno o impediam de ir muito longe. Ele acabou encostado na parede, sem para onde escapar.
— Você realmente pensou que escaparia ileso? — perguntei, minha voz baixa, mas carregada de malícia. Ele tremeu ainda mais ao ouvir minhas palavras. Levantei seu rosto com minha mão, forçando-o a olhar para mim. O medo em seus olhos era quase tangível, e eu sorri, vitoriosa.
— Você tirou tudo de mim. — continuei, meus olhos fixos nos dele. — E agora, eu vou garantir que você sinta cada pedaço da dor que eu senti.
Cuspi em seu rosto, e a sensação de poder que isso me deu era intoxicante. Guno tentou virar o rosto, mas eu mantive meu aperto firme, forçando-o a encarar a realidade de sua situação.
— Você não merece compaixão. — disse eu, minha voz carregada de desprezo. — Você merece sofrer.
Ele balbuciou alguma coisa, talvez uma desculpa ou um pedido de clemência, mas eu não estava interessada em ouvir. Nada que ele dissesse poderia apagar os horrores que ele havia causado.
— Você vai pagar. — sussurrei, minha voz gotejando veneno. — Eu vou garantir que você sofra cada segundo.
Aproximei-me ainda mais, minha presença dominando o pequeno espaço. Cada lágrima que caía dos olhos de Guno era uma pequena vitória, uma confirmação de que ele estava finalmente sentindo o medo que ele havia infligido aos outros.