Dia 10 de Setembro

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São quatro e vinte e quatro da manhã. Este é o meu quarto dia acamada. Meu pai chora quando fala comigo e eu mal sei o que dizer.

Já se passaram cerca de quarenta ou cinquenta minutos do horário para tomar os meus remédios, mas eu decidi ficar sóbria para falar. As vozes gritam nos meus ouvidos e as coisas que eu enxergo me fazem querer vomitar. Mas eu quero estar sóbria. Faz com que eu me sinta menos louca, mesmo que tenha sido a falta deles que ocasionou tudo aquilo.

Duas semanas atrás, eu passei o dia todo trancada no quarto. Aquela coisa toda que sempre acontece comigo. As vozes falam mais alto, tomam conta, me atormentam e me controlam. Quando me dei conta, eu havia me trancado atormentada e com medo de tudo no próprio quarto, tendo crises de pânico uma atrás da outra. E então, basta um piscar de olhos e tinha sangue nas minhas mãos e no chão, enquanto eu chorava e gritava com medo das alucinações que pareciam durar horas. Outro piscar de olhos e tudo havia acabado.

E agora aqui estou eu. Me recuperando de uma perfuração no pescoço, causada por mim mesma. Não é a primeira, e nem a última.

Eu queria muito me lembrar de como era o silêncio. Sentir um pouco de paz, por um minuto que fosse. Eu queria muito. É doloroso estar acordada, eu me sinto triste o tempo inteiro. Não consigo esboçar um sorriso e nem fazer algo útil. Nem mesmo consigo mais fazer as coisas que eu gostava. Eu estou afundando cada vez mais e todos sabem disso.

Eu queria morrer. Minhas várias tentativas de suicídio e as vezes em que eu me machuquei estando inconsciente mostram o quanto eu quero isso. Eu lutei e tentei muito, todos os dias durante anos, e eu só consegui afundar cada vez mais. Eu falhei e não quero mais continuar.

Estou cansada. Só isso. Todos dizem para que eu seja forte. Eu não quero mais isso. Já chega de causar tanta dor e sofrimento ao meu pai. Eu não suporto mais ver ele assim. Eu fiz isso com ele. É culpa minha.

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