voz

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Tem uma voz que ecoa na minha cabeça. Ela me lembra a voz da minha mãe. Ela me magoa igual a minha mãe. E me machuca do mesmo jeito. As outras vozes baixam com os remédios e os calmantes. Mas essa voz nunca parou ou diminuiu. Mesmo com todos os calmantes. Dormindo ou acordada. Ela nunca foi embora. E eu não sei lidar com essa voz. É como se ela nunca tivesse ido embora. Como se eu ainda estivesse presa naquele lugar.

A outra voz que nunca foi embora grita nos meus ouvidos. Ela me diz que devo morrer. Repete a mesma palavra mil vezes. Morte. Ou morre. Quando eu não resisto mais. Ela fica mais alta.

Quando eu sangro as vozes riem. Como se conseguissem oque queriam. E gritam mais alto. Todas elas. Não tem como não ouvir. Não dá. Tudo se repete. Nunca para.

Eu não queria ser essa pessoa ruim. Não queria. Talvez assim as vozes fossem embora.

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