Eu fico o dia inteiro chorando. O dia todo ouvindo. Essas malditas vozes. Enxergando tudo aquilo. Tudo me tortura. Acordada. Dormindo. Não muda. Eu não tenho paz. Não tenho. Não consigo ter. Tudo só piora. Não importa quantos remédios. Não muda. Não muda. Não dá. Pra dormir. Eu só sinto vontade de morrer. O tempo todo. Era melhor assim. Eu sei que era. Mas meu pai não aceita. E eu. Não quero. Ver ele sofrer. Ele não merece. Não merece. Ele já tem. Uma filha inútil. Que só o machuca. E faz mal a ele todo dia. Não quero que ele sofra. Eu não consigo mais resistir. Eu quero que pare. Não. Não. Não. Não. Porquê a voz não para. Medo. Eu não posso dormir. Não vou. Fechar os olhos. Não vou. Deixar. Isso só acaba. Comigo morta. Eu queria que meu pai tivesse um dia feliz. Queria poder dar isso a ele. Ele não merece uma filha ruim. Ele não merece. Eu estou horrível. É tudo culpa minha. Eu o deixei triste. Eu fiz isso. Era pra ser um dia especial. Dias especiais. Onde eu ao menos conseguisse me controlar. E tudo que ele. Conseguiu foram idas e vindas do hospital. O mês inteiro. Só queria que isso parasse. Queria conseguir dormir. Parar de ouvir as vozes por um segundo. Parar de querer me matar por um segundo. É culpa minha. Não consigo parar. Não. De ser esse monstro. Eu devia jogar meus remédios fora. Eu devia. Já chega de fazer mal. Para as pessoas que eu amo. Já chega. Eu não aguento mais continuar. Com a minha mente assim. Meu corpo. Tem muitos cortes. Como eu vou esconder isso do papai. Tem muito sangue. Eu sou um monstro. O que eu fiz. Sempre. Estrago tudo. Não consigo. Eu cortei meu pescoço. O que eu fiz. Eu sou. Um monstro. Eu. Sou ruim. Sangue. Mereço isso. Não. Essas vozes. São reais. Elas. Verdade.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Meu Diário
Non-FictionEste é meu diário pessoal. Tento relatar sobre a minha vida como costumava fazer no meu antigo diário físico. Muitas vezes utilizo o gravador de voz para dizer tudo que está na minha mente. Não há coisas boas para se ler neste diário. Peço que tome...
