Capítulo 5

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Alfonso

Ajeito a gravata na frente do espelho depois de arrumar as mangas da camisa social por baixo do terno. — Você fica uma delícia com essa cara de quem acabou de foder, Alfonso. Ainda pelo reflexo do espelho, olho para a mulher nua na minha cama, deitada de barriga para cima, se espreguiçando feito uma gatinha manhosa. Ela praticamente desmaiou de exaustão depois de ter sido acordada para mais uma rodada antes que eu fosse tomar banho. Agora pelo visto já acordou. O corpo esguio está todo à mostra, com o lençol embolado nos seus pés e o cabelo loiro espalhado pelo travesseiro. Nunca fui de loiras, então é curioso como três diferentes já vieram parar na minha cama nos últimos dias.

— É porque eu acabei de foder — respondo e vou até ela. A mulher abre um sorriso safado e separa as pernas, se oferecendo. Encaixo a palma da mão na boceta quente, e ela morde o lábio.

— Fica aqui comigo — choraminga, empurrando o quadril contra aminha mão. Eu rio do pedido absurdo e dou uma palmada ali antes de me afastar. Volto até o espelho, pego o relógio em cima da mesa e o ajusto no pulso. Pego o celular e começo a rolar pelos e-mails e mensagens recebidos durante a noite.

— Por favor, Alfonso — pede com a voz chorosa, e começo a me irritar. Não tenho tempo para isso. Enfio o celular no bolso do paletó e começo a irem direção à porta. Ela segura meu braço e vejo um bico manhoso no seu rosto.

— Não quer passar o dia comigo?

— Não — respondo bruscamente, franzindo as sobrancelhas. Por que eu ia querer? Porra de mulher grudenta me irritando a essa horada manhã. Nem me lembro do nome dela e ela espera que eu cancele meu dia por um par de peitos bonitos? Até parece que não sabia exatamente no que estava se metendo quando veio parar na minha cama ontem à noite. Ou achou que eu ia cair de joelhos por uma mulher que praticamente se jogou em cima de mim no bar do hotel onde fui encontrar com um cliente? Por favor. Ela solta meu braço, parecendo ofendida, e se senta no colchão, cruzando os braços na frente do peito.

— Você vai mesmo me tratar como se eu fosse uma prostituta? — reclama, empinando o nariz.

- Não — digo, dando de ombros. — Eu trataria qualquer prostituta muito bem pelo ótimo serviço prestado. Estou te tratando como você está se comportando: uma garotinha birrenta. Não tenho paciência para criança. Me viro de costas quando vejo sua boca cair aberta e começo a andarem direção à porta finalmente.

— Aproveite a cobertura. Use o spa, piscina, academia. Fique àvontade. O número do meu restaurante favorito está na agenda na cozinha, pode pedir o que quiser e colocar na minha conta. Quando estiver pronta para ir embora, o motorista vai te levar. — Olho para ela por cima do ombro e quase bufo ao ver os olhos marejados. Deus, me dê paciência...

— Só não esteja aqui quando eu voltar. Dirijo até a empresa, irritado. Que bosta de jeito de começar o dia. Eu fodo para desestressar, não para ter mais dor de cabeça. Já bastam os problemas que tenho no trabalho, não preciso de problema com mulher. Quando essas garotas vão entender que o caminho para o coração não é pelo pau, porra? O meu está fechado para negócios. Não tenho interesse nem paciência para lidar com dramas, cobranças e a ideia idiota de que vou fazer qualquer uma prioridade na minha vida. Sou casado com a empresa e é assim que sempre vai ser. Está para nascer mulher que vai me fazer perder um segundo do meu tempo fora da cama. Quando chego ao andar da presidência, Anahi pula no lugar e fica de pé assim que me vê. Ela pega o tablet e me segue para dentro do meu escritório sem hesitar, acompanhando minhas passadas largas.

— Bom dia, senhor Herrera — diz, o barulho dos saltos bem perto demim. Eu me sento na minha cadeira, realmente muito satisfeito por ela ter aprendido direitinho. Depois daquele primeiro dia desastroso, a garota pegou rápido o ritmo da coisa e tem sido muito competente. Faz pouco mais de um mês desde que começou a trabalhar para mim e não tivemos maiores incidentes.

— O senhor tem uma reunião hoje às...

— Já fez nossas reservas para a conferência? — interrompo, finalmente levantando os olhos para olhar para ela.

— Daqui a três semanas — confirma, rolando a tela e voltando a meolhar. — O seu quarto no hotel está confirmado para quatro noites e as passagens de ida e volta também estão reservadas. Voltando os olhos para a tela do computador, instruo:

— Garanta que o seu quarto não fique muito longe do meu. Não quero ter que ficar te procurando toda vez que precisar de alguma coisa. E lembre que o coquetel de encerramento do evento vai ser uma festa de gala, então leve algo apropriado para vestir. Eu me distraio por alguns segundos lendo um contrato que Macedo me enviou e só noto que ela ainda está parada na minha frente quando ouço um pigarro baixo. Ergo os olhos e encontro Anahi me encarando confusa, com os olhos arregalados, os lábios pintados de rosa repartidos. Ela pisca rapidamente e aperta o tablet entre as mãos. — Pois não?

— Meu quarto? — ela pergunta com um fio de voz, e arqueio umasobrancelha. — Eu... Meu quarto? — repete.

Respiro fundo, irritado. Não sei se com sua hesitação constante ou se com o quanto gosto da visão dessa garota toda desconcertada na minha frente. Não posso fingir que o último mês não foi uma maldita tortura. A cara de menina indefesa brinca com a minha sanidade, porque o corpo dela conta outra história. O jeito que me olha toda vez que acha que não estou prestando atenção me diz que ela não é uma garotinha inocente como parece ser. E então ela cora quando é pega no flagra, a pele branca fica avermelhada aoredor do pescoço e é impossível não acompanhar o caminho tentador até onde os últimos botões da sua blusa estão.

— Seu quarto — falo devagar, alongando as sílabas, e vejo o desespero começar a tomar conta da sua feição. — Você estava sob a impressão de que não ia comigo?

— Eu não...

— Você não...? — insisto, ríspido e sem paciência. Ela passa a língua pelo lábio inferior e o prende entre os dentes. Desvia o olhar, coloca uma mecha do cabelo atrás da orelha e troca o peso do corpo entre pés.

— Não acho que meu noivo vai gostar de eu passar esse tempo longeassim... com outro home...

— Noivo? — interrompo, descendo os olhos para as suas mãos. Não encontro nenhum anel, e é a primeira vez que ouço sobre isso. Não que a vida dela me interesse, mas importa se estiver interferindo com a minha. E está.

— Eu tenho cara de que me importo com a sua vida privada? Anahi arregala os olhos e abre a boca, mas não diz nada.

— Eu fui muito claro: competência. Se você não está disposta a secomprometer com esse trabalho, abra a vaga para quem está. Tenho certeza de que não vai ser difícil achar alguém muito bem qualificado e que não me dê dor de cabeça.

— Eu estou comprometida com esse trabalho, senhor Herrera — ela sedefende rapidamente, empinando o queixo. Cruzo as mãos em cima da mesa, o olhar preso no seu rosto.

— Prove — desafio e vejo a postura confiante bambear um pouco.

— Vou fazer a reserva do meu quarto ao lado do seu, caso precise demim — garante, com uma voz trêmula que quase me faz sorrir. Ela parece uma garotinha assustada.

— E vai ficar depois do horário hoje — completo, me recostando nacadeira.

— Temos uma apresentação grande pela frente e preciso revisar os últimos produtos lançados. Alguém deve entregar algumas amostras mais tarde e vai ser de muita utilidade ter uma opinião feminina.

— Depois do horário? — ela repete como se custasse a entender aordem. — Para revisar... produtos?

— Algum problema, Anahi? — desafio, apertando os olhos. — Precisapedir permissão para o seu noivo para fazer o seu trabalho? — A acidez na minha voz fica clara quando digo "noivo" e de repente me lembro de ter visto um homem aparecer para buscá-la no fim do expediente algumas vezes.

— Problema nenhum — ela responde com um fio de voz. — Com licença.

Eu a assisto andar até a porta, os olhos presos na curva delicada da sua bunda dentro da saia apertada. Apoio um cotovelo na mesa e passo o polegar pela boca apreciando a vista.

Coisinha tentadora essa garota.

Talvez essa viagem venha a calhar.

Uma virgem resgatada pelo CEO - AyAOnde histórias criam vida. Descubra agora