Anahi
Alfonso está estranho. Mais do que o normal, no caso. Depois de passarmos um tempo que se tornou comum para nós dois, vendo filme, conversando amenidades ou até mesmo sobre trabalho, comendo e aproveitando a dádiva de não fazer nada, ele voltou ao modo frieza e simplesmente sumiu. Preciso dizer que me acostumei com suas mudanças de humor, mas elas tinham sumido aqui na sua casa, agora só aparecem vez ou outra no trabalho. Me pergunto se fiz ou falei alguma coisa de errado. Estou meio que pisando em ovos agora que descobri que estou mesmo apaixonada. Não, não, apaixonada eu estava algumas semanas atrás, antes de transarmos pela primeira vez, porque agora eu estou perdidamente apaixonada. Diria até que eu amo aquele homem. Deus, como isso foi acontecer? Como fui me apaixonar justo pelo meu chefe? Justo pelo tipo de homem oposto que eu sonhava para mim. Tudo bem, Alfonso é lindo, com um humor ácido, inteligente, agora descobri que carinhoso e atencioso, protetor, cuidadoso, rico, mas não foi assim que o conheci. Solto um suspiro e olho para a porta do hall para ver se ele entra pela porta, mas nada. Faz horas que saiu e não voltou mais. Meu corpo está cansado, e estou morta de sono, mas não quero dormir sem esclarecer as coisas. As últimas semanas parecem que fazem parte de um conto de fadas, com um príncipe meio rude e bruto, mas um conto de fadas. Nós criamos uma rotina de ida e volta no trabalho, nos encaixamos facilmente na vida um do outro. Não sei se Alfonso percebe isso, mas nós estamos parecendo um casal não assumido. Não sei se as pessoas da empresa sabem do nosso envolvimento. Se sabem, não comentam. E não acho que meu lindo CEO se importe também. Só de pensar naquele sexo na mesa meu corpo treme de excitação. Sigo pensativa, sentada no Anahi com o queixo encostado no estofado, quando escuto o barulho de chave na porta. Controlo a vontade de sair correndo e pular no seu pescoço de saudade, porque não sei como está seu humor agora. Alfonso me olha de um jeito esquisito, e meu coração salta, não sei se de medo ou se de emoção. Ele nunca me olhou assim antes.
— Está tudo bem, Alfonso? — pergunto baixinho, e ele desvia o olhar do meu. Não responde. Nem mesmo um aceno. — Fiquei preocupada com você. Saiu parecendo meio abalado. Sua mãe e seu irmão estão bem?
— Está tudo bem, Anahi — responde de um jeito seco, e aceno com a cabeça. Ele anda em direção ao corredor extenso dos quartos, e mordo o lábio, sentindo meu coração apertado por não saber o que fazer. Ao invés de ficar aqui, quieta e calada, como faria antes, eu me levanto e o sigo. Estou quase entrando no quarto quando escuto Alfonso conversando com alguém no telefone. Sei que não devia, mas preciso de uma resposta, que sei que não vai vir do homem do outro lado da porta. Me encosto na cabeça, sentindo a respiração acelerada, e escuto.
— Mãe, está tarde. Pelo amor de Deus! — fala com a voz aparentemente cansada. — Já disse que não. Não estou apaixonado. Ela não significa nada. Para sua informação, acabei de chegar de uma foda com outra pessoa. Coloco a mão na boca, sentindo as lágrimas vindo de uma vez. Seguro um soluço que sei que vai sair uma hora.
— Desculpa, mas a senhora pediu. — Ele segue falando e, ao invés de entrar no quarto e o confrontar como quero fazer, volto para o de hóspedes, onde estou acomodada. Fecho a porta de uma vez e o choro sai descontrolado. Eu me sinto traída mesmo que não devesse. Realmente achei que nós estivéssemos evoluindo para algo mais. Alfonso nunca me prometeu nada, é verdade. Mas poxa... Estou morando na sua casa, compartilhando jantares, filmes, noites recheadas de sexo e carícias. Isso não devia significar alguma coisa?
— Garotinha burra — murmuro com a voz de choro e respiro fundo. A voz de Alfonso martela minha cabeça, dizendo que não posso ser dependente de ninguém. Isso o inclui. Eu me liberei de muitas pessoas controladoras, da pessoa completamente dependente que eu era. Não irei me prender a outra, mesmo que o ame de todo meu coração. Vou me valorizar antes de tudo, ainda que suas palavras dolorosas martelem na minha cabeça. Ele me largou aqui sozinha, preocupada, para ir foder com uma qualquer sabe-se lá onde. Reunindo forças, ando pelo quarto juntando minhas coisas. Tive que comprar roupas para a estadia aqui, já que ainda não fui em casa desde a volta da viagem semanas atrás. Então, tudo o que tenho não vai caber na mala pequena que tenho aqui. Mas não importa. Ele que taque fogo, jogue pela janela, faça o que quiser. Junto as coisas principais e deixo de lado as roupas formais de escritório, que não vou precisar mais porque não piso mais naquele lugar nem morta. Não depois de ter meu coração esmagado. Reúno meus itens de banheiro e coloco no cantinho. Subo em cima da mala porque está muito difícil de fechar com o tanto de coisa que coloquei. Tiro a camiseta miserável com o cheiro de Alfonso e deixo jogada em cima do colchão ainda desarrumado. Visto a roupa que separei e calço as rasteirinhas antes de abrir a porta. Como da outra vez, saio arrastando a mala pelo corredor e novamente sinto a presença do homem atrás de mim. Dessa vez ele não vai me impedir. Nada vai.

VOCÊ ESTÁ LENDO
Uma virgem resgatada pelo CEO - AyA
RomanceAlfonso Herrera é um CEO frio, rude e que não tem interesse em relacionamentos. Com a vida rodeada de luxúria, o dono da maior rede de sex shops do país repele tudo o que não esteja relacionado ao sexo. Até conhecer Anahi Portilla, sua nova secretár...