Capítulo 6

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Anahi

É o caos absoluto que reina desde que comecei a trabalhar com Alfonso Herrera. Coisas demais aconteceram desde o meu primeiro e terrível dia de trabalho. Muitas mesmo. Para começar, decidi dar uma segunda chance para Marcos, que vem demonstrando estar arrependido pelo que fez. Ainda assim, eu me sinto estranha quando estou com ele. É como se a cada vez que ele sorrisse, eu o visse enterrado naquela mulher. Talvez por tudo ser muito recente ainda. Mas tenho fé de que as coisas vão se acertar entre nós dois.

Ele não ficou muito feliz por eu ter arrumado um emprego. E Dulce Maria não ficou muito feliz por eu ter reatado com ele. Meus pais não ficaram felizes após descobrirem que eu terminei momentaneamente com Marcos por uma besteira — palavra deles — e ainda que arrumei um trabalho nesse meio tempo. Resumindo: caos absoluto. Mas, apesar de tudo, eu estou feliz por fazer algo meu pela primeira vez na vida, já que adiei muitas coisas que queria fazer em função do meu casamento com Marcos, como minha faculdade de administração, por exemplo. Estou empolgada por descobrir habilidades que não sabia que eu tinha, como a de organização. Já disse que não é fácil trabalhar com o CEO mafioso, não é? Ele é exigente e quer tudo do seu jeito, no seu tempo. Ainda assim, Alfonso vem me ensinando muito, principalmente a ser forte, pois não é nada difícil querer chorar quando ele fecha aquela carranca para mim e desata a dar ordens naquele tom arrogante que tem.

— Pronta, Anahi? Ou preciso esperar que seus devaneios acabem? — Salto da cadeira de uma vez ao ouvir o timbre grave e tão perto do meu ouvido e recolho meu tablet para o caso de precisar anotar algo. Não estou me sentindo nada confortável por estar aqui a essa hora comesse homem. São nove horas da noite, e todos os funcionários do andar já foram embora, restando apenas eu e o irresistível — e austero — chefe. Ah, isso não vai ser nada fácil.

— Estou pronta, senhor. Sigo até sua sala, e ele não me dá passagem, entrando na minha frente com passos largos e elegantes. Cavalheiro como um cavalo.

— Feche a porta e se sente aqui — diz e segue até sua cadeira preta atrás da mesa de mogno.

Obedeço e me sento no assento em frente a ele, cruzando as pernas duas vezes, tentando não me sentir acuada com sua presença tão imponente e coma expressão sempre séria. Custava sorrir só um pouquinho para não espantaras pessoas? Custava?

— Como eu disse, vou precisar da sua opinião a respeito dessas novas amostras. Eu o vejo abrindo uma caixa escura em cima da mesa e olho com curiosidade para o conteúdo. O homem parece atento às minhas reações, e tenho a impressão de que um pequeno sorriso zombeteiro se forma no seu rosto, mas logo some. Só pode ser miragem mesmo, porque Alfonso Herrera não sorri. Nunca. Nem um mísero sorrisinho quando algum conhecido vem visitá-lo no escritório. Não sei como não dói o rosto de tão travado que é.

— São produtos inovadores no mercado. Foram feitos para ativar ossentidos e a sensibilidade feminina — fala com a voz grave, e eu aceno, me segurando para não corar. E falhando miseravelmente.

— Me dê sua mão. Aperto meus dedos e os estico para frente, os sentindo completamente trêmulos. — Este aqui é um vibrador que solta um gel prolongador de orgasmo ao sentir a boceta se contraindo. Quanto maior a contração, maior o estímulo e a quantidade do líquido que sai. — Engasgo com a fala chula e completamente inapropriada para o local e arregalo os olhos para ele, me lembrando da boate, quando achei que ele fosse um cavalheiro sedutor.

— Feche as mãos ao redor dele e sinta, Anahi.

— Senhor... — Antes que eu proteste, ele coloca o vibrador rosa e enorme na minha mão.

Vou morrer de vergonha, é isso mesmo. Flores no caixão, por favor. Ainda com os olhos esbugalhados, encaro o CEO boca-suja se encostar no assento e me encarar com um olhar de desafio no rosto, como se sentisse prazer por me deixar constrangida.

Uma virgem resgatada pelo CEO - AyAOnde histórias criam vida. Descubra agora