28. Acordos

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Alguns dias antes, no reino subaquático de Biringan, Amanikável estava de mau humor enquanto lia a mensagem trazida por um mensageiro. Ele a guardou, caminhando até o salão onde seus três filhos estudavam magia. Ao chegar, ele soltou um suspiro frustrado e anunciou:

— Infelizmente, Yongwang só irá refazer o acordo de paz se um de vocês se casar com o filho dele, Taehyung.

Maloi, a mais velha, ergueu uma sobrancelha, trocando um olhar com os irmãos antes de encarar o pai.

— Você não parece muito satisfeito com isso. O rapaz é tão ruim assim?

Amanikável balançou a cabeça em negativa, usando magia para projetar uma imagem de Taehyung aos filhos.

— Não, ele é muito bonito — admitiu. — Educado, gentil tem conhecimentos básicos de magia, mas não é tão aplicado quanto vocês. É, sem dúvida, um bom partido comparado a outros principes herdeiros.

Mikha, a irmã do meio, franziu a testa.

— Então, qual é o problema?

Amanikável suspirou de novo, com o olhar preocupado.

— O problema, meus filhos, é aquele pai maluco dele. Yongwang não é o sogro que eu desejaria para nenhum de vocês nem para ninguém. Ele é instável e tem uma obsessão pela falecida esposa. E além disso, eu queria que vocês vivessem um pouco mais comigo antes de se casarem. Mas, se não for isso... sem renovação do acordo de paz, e possivelmente guerra.

Pablo, o caçula, deu um sorriso maroto e provocou:

— Está com medo do Yongwang, pai? Defenda seus filhos!

Amanikável negou com um sorriso.

— Não, o que me preocupa é a irmã dele, Úrsula. Ela tem tentáculos e é poderosíssima. E muito culta me deu aulas de magia na juventude, quando o avô de vocês fez o primeiro tratado de paz com o pai dela, as aulas eram como parte do acordo.

Maloi ficou intrigada.

— Ela tem tentáculos e é da realeza? A magia dela deve ser muito forte e pelo jeito ela tem um grande conhecimento magico! — comentou. — Mas eu sou a princesa herdeira, então não posso ser a rainha-consorte de ninguém. Isso deixa apenas vocês dois. — ela olhou para Mikha e Pablo com um sorriso.

Pablo deu de ombros, um pouco resignado.

— Eu já ouvi fofocas sobre ele. Dizem que ele não pode falar e é recluso.

Mikha provocou, rindo suavemente.

— Como um rapaz tão lindo é recluso? Até você tem admiradores, Pablo. E a fala dele poderia voltar com magia, se quisessem.

— No reino dele, eles ainda fazem aquele ritual arcaico de corte com música no solstício de primavera, né? — perguntou Maloi ao irmão caçula.

— Sim, é algo bem tradicional e culturalmente importante para eles. Deve ser por isso que o Yongwang quer tanto um casamento para o filho a ponto de ser a exigencia do acordo de paz — deduziu Pablo. — Para ele não ficar sozinho. E, pelas fofocas, parece que magia não pode devolver a fala a ele.

Amanikável respirou fundo.

— Vamos ter que viajar para o reino dele rapidamente para acertar os detalhes.

Maloi fez uma careta, preocupada.

— Mamãe está doente. Não quero deixá-la sozinha.

— Infelizmente, os três têm que ir se não será derespeitoso. Sua mãe ficará bem sob os cuidados de sua avó — garantiu Amanikável. — Mas Yongwang já tem preferência por um de vocês, então dois poderão voltar em breve.

— Oxi, sem nem nos conhecer. E ele que vai escolher no lugar do filho? Quem ele quer? — perguntou Pablo, curioso.

Amanikável fez uma pausa, depois sorriu tristemente.

— Lembram que eu disse que ele era obcecado pela falecida esposa? Ela era ruiva...

— Ele é doido! —  disse Maloi — Você tem razão, pai. Mas é aquilo, né? Casamento político não é o fim do mundo — olha para Mikha .

— Fácil pra você falar, será a rainha e pode escolher com quem casar — reclamou Pablo.

— É, mas vou ter que cuidar de um reino inteiro, e isso é tão trabalhoso! Vocês, no máximo, vão ser rei e rainha-consorte e viver sossegados em outros reinos ou casar com alguém da nobreza e viver sossegados por aqui.

Mikha fez uma careta.

— Será que ele vai me obrigar a colocar o nome Yuna numa futura filha?

Pablo revirou os olhos.

— É isso que te preocupa?

Mikhan riu.

— Casamentos políticos não são o fim do mundo, como a Maloi disse e olha para ele! Poderia ser muito pior... uma prima nossa casou com um tio feio mais velho que o mar.

Pablo pensou por um momento e deu de ombros.

— É, e aparentemente eu escapei dessa vez.

Maloi o provocou com um sorriso travesso.

— Talvez. O rapaz pode simplesmente escolher você, se estiver zangado com o pai como uma forma de puni-lo.

Pablo riu, sacudindo a cabeça.

— Como Mikha disse, poderia ser muito pior. E eu seria escolhido pelos meus encantos, claro! — provocou, arrancando risadas das irmãs. 

Depois das provocações e risadas, Amanikável observou os filhos relaxarem um pouco diante da perspectiva do casamento iminente. Apesar das incertezas, a atmosfera leve entre eles aliviava a tensão do anúncio inicial. Mikha, Maloi e Pablo, cada um à sua maneira, sabiam que os compromissos políticos faziam parte de suas responsabilidades como membros da realeza. A ideia de um casamento arranjado, por mais distante do ideal romântico, não parecia assustá-los tanto.

— Bom, chega de brincadeiras — disse Amanikável, tentando retomar a seriedade enquanto os filhos ainda sorriam. — Precisamos nos organizar para a viagem ao reino.

Maloi com um sorriso ainda no rosto, e começou a listar o que precisaria levar para a viagem. Mikha, por sua vez, já se preparava mentalmente para possíveis encontros e discussões com a realeza do outro reino pois possivelmente seria escolhida. E Pablo, sempre o mais relaxado, apenas piscou para as irmãs e fez uma piada sobre como iria conquistar qualquer pretendente com seu charme inigualável.

Apesar da importância do que estava por vir, os três herdeiros encaravam a situação com a maturidade que seus papéis exigiam, mas sem perder o humor. Sabiam que, embora pudessem não escolher seus futuros parceiros, ainda tinham controle sobre outros aspectos de sua vida. E enquanto se preparavam para partir, a leveza daquele momento parecia dar a eles um pouco de coragem para enfrentar o que os esperava.

Destiny - VminOnde histórias criam vida. Descubra agora