Chapter Six

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Katsuki apertou a mão contra a nuca do humano e forçou sua cabeça a entrar no barril de água enquanto tinha quatro notas fiscais nas mãos, todas com valores altíssimos e no mesmo nome: Inko Midoriya. O loiro levantou a cabeça do homem de cabelos ruivos e viu ele respirar fundo, tentando encher os pulmões de ar, e piscando com força para afastar as gotículas que caíam sobre seu rosto.

— Vamos lá — Katsuki falou, rindo. — Você mandou contas para Inko Midoriya sem necessidade porque você é um filho da puta que tira dinheiro de pessoas, estou certo?

— E-Eu p-paro! — O homem falou, tremendo e implorando por perdão enquanto seu cabelo era puxado brutalmente. — M-Me p-perdoa!

— Quem perdoa é Deus, não eu — Katsuki brandou e enfiou a cabeça do homem mais uma vez dentro do barril cheio de água, assistindo o corpo se debater com força e espirrar água para todos os lados, até que o líquido começou a entrar pelo seu nariz e encher seu pulmão, lhe deixando sem fôlego e, pouco a pouco, seu corpo parou de se debater e seus órgãos pararam de funcionar. — Merda, me molhou todo, que porra!

Katsuki resmungou e se afastou do corpo desfalecido, balançando as mãos e tentando tirar as gotas de água de sua roupa com um lenço. Ele colocou a mão na cintura e bateu os pés no chão de forma frenética, e segundos depois, uma figura de capuz negro apareceu com uma nuvem de corvos lhe seguindo enquanto segurava uma longa foice negra com a lâmina brilhando na ponta de afiada.

— Katsuki? — A figura tirou o capuz, revelando o belo rosto pardo com a ausência de marcas ou manchas — privilégios de um ser quase imortal —, com cabelos curtos, loiros, e levemente ondulados, possuindo uma mecha escura que se assemelhava à figura de um raio, e delineado preto ao redor de seus olhos castanhos escuros. — Tá matando humano agora? Nunca imaginei que o grande Katsuki, filho da soberana, se rebaixaria a esse nível.

— Só faz o seu trabalho, merda, e deixa que eu faço o meu! — o loiro resmungou, revirando os olhos e jogando o corpo do humano sobre os pés do ceifeiro. — Denki.

— Virou demônio de possessão agora?! Falo desde já que aquele pessoal é barra pesada! — Denki avisou, rindo, e colocando a ponta da foice sobre o peito do homem morto. 

— Sério? Tinha uma piada melhor não? — O Bakugou falou, revirando os olhos e vendo a alma do humano ser recolhida.

— Fiquei sabendo do seu pacto.

— Qual é o problema de vocês com a porra do meu pacto?! — Katsuki gritou, irritado.

— Você sabe que é raro um demônio sexual fazer um pacto, já que sua espécie é a mais inferior do inferno — Denki respondeu, zombando da cara do amigo. 

Realmente, eram raros os casos de demônios sexuais que fizeram pactos com seus fornecedores de vitalidade, mesmo que só pudessem tocá-los um pouco sem fazer sexo, pois era suficiente para viverem por um tempo aceitável. Na maioria das situações, o pacto ocorria se houvesse uma ligação entre o demônio e a pessoa, o que era ainda mais difícil de acontecer, principalmente se o indivíduo fosse virgem, pois cria um certo apego emocional por ser o seu primeiro.

Katsuki espumava de raiva, e então, empurrou o ceifador com força, observando ele batendo contra a parede.

— Se me chamar de inferior mais uma vez, eu arranco a porra da sua cabeça! Não me trate como o Kirishima, eu não sou seu amigo — Katsuki vociferou, apertando um dos braços contra o pescoço do outro, e foi embora, deixando Denki sozinho. 

O ceifador gargalhou ao mesmo tempo que assistia o demônio ir embora. Mesmo que Katsuki dissesse mil vezes que eles não eram amigos, seu período de vida juntos dizia o contrário. Desde que eram apenas pequenos demônios fazendo raiva a seus pais com as maiores traquinagens, sempre foram muito unidos. Porém, ao completarem seus 118 anos se separaram devido às obrigações de seus cargos como ceifador e incubus, o que acabou separando os dois até os tempos atuais. As únicas formas de se verem era em casos raros de trabalho ou visitas às escondidas entre Kirishima e Denki. 

Passion DemonOnde histórias criam vida. Descubra agora