Mil anos atrás
Lilith passou as unhas machucadas contra a grade de ferro que queimava suas mãos enquanto soltava um grito com toda a força que tinha. Seus pulmões ardiam, seus olhos estavam vermelhos e úmidos, enquanto lágrimas mornas desciam por suas bochechas sujas. Seus longos cabelos estavam bagunçados, com tufos inteiros espalhados pelo chão imundo, e o vestido branco, outrora um símbolo de sua pureza e liberdade, estava rasgado e manchado de terra vermelha.
As pernas da mulher falharam, levando-a ao chão, enquanto soluços fortes saíam de seus belos lábios machucados. A dor que ela sentia em seu coração não se comparava ao ódio que crescia em seu peito.
— Masaro…
O nome dele escapuliu de seus lábios. Ele havia sido seu único consolo desde que foi expulsa do Éden e jogada nas profundezas do inferno. Lilith se lembrava de como tudo começou. O momento exato em que Deus voltou seu olhar contra ela.
Criada do mesmo barro que Adão, Lilith acreditava que seria sua igual. Eles dividiam a criação, os céus limpos e os rios dourados, mas logo percebeu que não era uma companheira, e sim uma sombra a ser moldada à vontade do homem.
Naquele tempo, ela ainda acreditava que o mundo poderia ser seu, que poderia escolher seu próprio destino. Adão não a entendia — ele queria submissão, obediência, mas isso ela não poderia dar.
Quando questionou, quando ousou desafiar a ordem divina, sua sentença foi selada.
Ela fugiu. Para longe de Adão, para longe do olhar severo de Deus. Procurou refúgio no deserto, entre as feras e os ventos quentes, onde pela primeira vez sentiu-se livre. Porém, sua liberdade custou caro.
Deus enviou anjos para trazê-la de volta, mas ela recusou. Recusou ajoelhar-se, recusou render-se.
Então foi amaldiçoada.
Seus filhos, concebidos em sua nova existência, ou foram mortos diante de seus olhos ou viraram seres anormais, um por um, até que sua dor se tornasse maior que sua fúria. Quando ainda assim não se submeteu, foi lançada ao Inferno, jogada do mais alto dos céus para as profundezas mais escuras.
A queda foi um tormento eterno — chamas, gritos, o vazio esmagador da perdição. Ela sentiu sua carne queimar, sua alma se despedaçar e seu coração ser consumido por um ódio impossível de apagar.
Mas não morreu. Seus olhos se abriram, e ela viu o Inferno pela primeira vez.
Atravessar aquele mundo sombrio foi um martírio. Demônios a observavam com desdém, uns riam de sua desgraça, outros a testavam, acreditando que poderiam quebrá-la. Mas ela era Lilith. Não mais uma serva do Céu. Não mais uma prisioneira da vontade alheia.
Foi em meio àquele caos que reencontrou Masaro.
Um demônio diferente dos outros — não pelo poder, não pela aparência, mas pela forma como olhava para ela. Não com desprezo, nem com desejo insaciável, como os outros faziam, mas sim com curiosidade e afinco, ele queria apenas protegê-la.
Ele se apresentou com um sorriso torto, de quem já conhecia todas as dores do mundo, fingindo não a conhecer, devido aos olhos de sua esposa em seu encalço.
— Você é nova aqui, seja bem-vinda.
Lilith, ainda banhada em cinzas e sangue, ergueu o olhar.
— E você é o quê? Um guia turístico do inferno?
Masaro riu.
— Quase isso.
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Passion Demon
RomanceSinopse [💞]: Um demônio... Um contrato... O que você faria se um demônio sexual aparecesse todas as noites em seu quarto para usar seu corpo das formas mais promíscuas possíveis? Izuku Midoriya é um universitário tímido e muito religioso. Todas as...
