Capítulo revisado por Immortalz (Spirit Fanfic)
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Os ombros de Tsuyu tremiam, e não era por causa das rajadas de vento frio que faltavam levar seu pequeno corpo, mas pelo seu descuido. Agora seu peito subia e descia em um ritmo desregular enquanto a culpa pesava em seu coração. Ela estava completamente angustiada pela falha que acabou de cometer. Em seus vários anos como anjo da morte, nunca ocorreu um deslize dessa magnitude de sua parte. Sempre protegeu seus humanos com o maior cuidado, porém, com esse garoto foi, infelizmente, diferente.
A esverdeada tentou cobrir o máximo possível do corpo do humano com as próprias asas para que as balas não o machucassem, no entanto, foi tarde demais, foi lenta demais. Agora ela segurava o corpo do garoto caído em seus braços, o sangue antes quente começou a esfriar, manchando o chão e as pontas das penas verde-claro.
Enquanto isso, o ceifeiro da morte a encarava, nem um pouco desgostoso do que via. Apontava a lâmina de sua foice em direção ao ser desfalecido, ameaçando pegar a alma dele.
Por instinto, o anjo forçou suas asas a cobrirem por completo o seu corpo e o do humano, na intenção de se protegerem, contudo, um corte foi feito em uma de suas asas. Um gemido saiu de seus lábios pela dor, e por mais que quisesse continuar escondendo o rapaz, a ardência era cruel demais para aguentar. Com raiva nos olhos, encolheu as asas em uma altura que pudesse, de algum modo, protegê-lo se o demônio resolvesse atacá-los. Na sua frente, pôde ver o demônio em pé, com a cara fechada, e lançou para ele um olhar mortal.
— Você não vai levar ele! — a mulher gritou, enraivecida, se agarrando ao torso do garoto.
— Não dificulte as coisas, Tsuyu. Ele vai para o inferno comigo, você deixando ou não — o ceifeiro afirmou debochadamente. Ele já estava irritado e impaciente com a situação se prolongando dessa forma.
— Ele nunca cometeu um único pecado em toda a vida, ele vai para o céu comigo! — Tsuyu argumentou, decidida, enquanto suas mãos seguravam um pedaço de lenço, tentando estancar o ferimento aberto. Suas mãos estavam firmes no aperto, mas, mesmo que ela pressionasse o furo com toda a força que seus braços frágeis podiam, o sangue grosso atravessava as camadas do tecido da roupa e do lenço.
— Não seja tola. Ele tem um pacto com um demônio, Tsuyu. — O ceifador tirou o capuz da cabeça, a cabeleira ruiva e espetada ficando à mostra. Kirishima suspirou e abaixou-se ao lado do garoto, olhando para o rosto dele. — Sabe as regras.
— M-mas… — Ela tentou revidar, porém não tinha o que falar, sabia que Kirishima estava certo.
A menina mordeu o lábio e afastou-se do humano a contragosto, vendo Kirishima colocar a foice sobre a testa dele. Na mesma hora, a marca escondida no estômago de Izuku começou a queimar, e rapidamente o ruivo se afastou, arregalando os olhos.
— O que foi isso?!
— Katsuki… — Kirishima sussurrou antes de rir, desacreditado com o que estava à sua frente. — Ele selou a alma do garoto...
— O quê?! Isso é possível? Por que ele fez isso?
— Para protegê-lo — ele respondeu e sorriu minimamente. — Quem diria que meu irmãozinho se apaixonaria.
— Então, não podemos fazer nada? A alma dele vai ficar presa dentro do corpo morto? — Tsuyu perguntou, voltando a aproximar-se do corpo de Izuku, mas chiou de dor e olhou para as suas asas que tinham várias feridas de bala.
— Ele não está morto, só está apagado — Kirishima explicou com um suspiro e desenhou um pentagrama sobre o chão, posicionando-se no meio. Juntou as mãos como se estivesse em uma oração.
— O que está fazendo? Deus não vai ajudar muito agora — Tsuyu perguntou, e segundos depois, Katsuki apareceu atrás do irmão, fazendo a garota ficar de boca aberta.
— Não é uma oração, é um símbolo de invocação — Katsuki falou, aparentemente irritado, pois sua mandíbula rangia a cada passo que ele dava para ficar mais perto do menino. O loiro cravou os olhos em Izuku, observando-o de cima a baixo. Ele cruzou os braços ao ver as roupas aparentemente novas que o menor trajava, e depois olhou para Tsuyu. — Estavam juntos?
— Ah sim, e-ele me levou para um jantar. — Ela corou e abaixou a cabeça, sorrindo minimamente. E quando menos esperava, a mão de Katsuki circulou em seu pescoço, apertando fortemente e fazendo-a ficar sem ar.
— O que ele estava fazendo com você?! — O Bakugou mais novo perguntou, irritado, e suspendeu o corpo da garota no ar com uma única mão.
— Katsuki, já chega — Kirishima exigiu, mas o loiro não escutou. Ele estava cego de raiva e não percebia que a garota já estava quase desmaiando.
— O que você quer com ele?! — O demônio voltou a perguntar, mas antes que algo pior acontecesse, Kirishima puxou o irmão para trás.
— Ele não é seu, Katsuki! Se ele quer sair com outra pessoa, tem total direito. Então, trate de salvar aquele garoto ou liberte a alma dele!
— Não me diga o que fazer, seu merda — ele resmungou e olhou para a garota, que passava a mão na garganta machucada e estava caída no chão. — Fica longe dele. Se eu te encontrar mais uma vez, não vai ter Deus que me impeça de te matar.
— Está tão apaixonado pelo garoto? — Kirishima provocou, rindo, enquanto via Katsuki pegar o esverdeado no colo.
— Apaixonado? Eu? — o mais novo gargalhou alto, como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. — Que patético. Não ache que eu sou um idiota igual a você, irmão.
— Tá bom, garanhão. Não é errado se apaixonar, Katsuki. Você deveria dar uma chance a esse sentimento.
— Eu não posso, não mais, nem se eu quisesse. — Aquelas palavras saíram com um gosto amargo no paladar do demônio sexual.
— O que você quer dizer com isso? — O loiro nem sequer deu ao trabalho de responder, apenas foi embora. — O que você fez, irmão?
~•~
Quando chegaram ao quarto de Izuku, Katsuki deixou o corpo desacordado do menor sobre a cama, e então verificou o ferimento. O sangue ainda escorria e manchava os lençóis da cama.
Com bandagens improvisadas arrancadas dos lençóis, o loiro tentou estancar o sangue. O som da língua estalando no céu da boca do demônio soou quando viu que não havia funcionado. Então, ele caminhou até o outro lado do quarto e puxou uma cômoda branca que ficava no canto da parede, abaixou-se para tirar um dos pisos e viu o livro ali dentro. O Bakugou pegou o objeto e abriu-o, vendo as folhas envelhecidas cheias de nomes, até que chegou na última página.
— Pelo menos o seu nome não está aqui — ele sussurrou antes de fechar o livro e colocá-lo de volta no lugar. — Já é um bom sinal.
O loiro mordeu a própria mão, e em seguida, o sangue escuro começou a aparecer. Ele abriu a boca do humano e levou a mão até lá, deixando o sangue escorrer pela sua pele e cair entre os lábios do garoto.
— Isso vai te deixar vivo — murmurou e ajoelhou-se ao lado da cama, pressionando seus lábios. — Me desculpa, eu nunca deveria ter te deixado sozinho. Prometo que isso nunca mais vai acontecer.
Antes que pudesse dizer mais alguma coisa, uma voz melodiosa ecoou em seus ouvidos.
— Esse humano é tão importante assim para você, ao ponto de vir aqui e ser tão cuidadoso, Katsuki? — Ele levantou-se de uma vez e olhou para a janela, onde a pequena cobra estava enrolada no parapeito, observando os dois com seus olhos frios e opacos.
— Espiar as pessoas é falta de educação, Lilith. Sua falta de confiança em mim me comove muito — o loiro afirmou ao mesmo tempo que pegou a cobra e esmagou sua cabeça.
Depois ele retornou a se ajoelhar na cama, pegando a mão pequena com a sua e levando-a até seus lábios, e finalizou com um beijo delicado na ponta dos dedos com sinais.
— Prometo que ficarei ao seu lado até que acorde, Izu. — Beijou-o uma última vez e deitou a cabeça na cama para velar o sono do garoto.
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Passion Demon
Любовные романыSinopse [💞]: Um demônio... Um contrato... O que você faria se um demônio sexual aparecesse todas as noites em seu quarto para usar seu corpo das formas mais promíscuas possíveis? Izuku Midoriya é um universitário tímido e muito religioso. Todas as...
