Desde que começou a faculdade e a trabalhar como entregador, Izuku mantinha sua fé intacta — algo que sua mãe havia lhe passado desde a infância. Mesmo com a rotina puxada entre entregas e estudos, ele sempre encontrava um tempo para ir à missa ou para fazer suas orações. Naquela quarta-feira, sem nenhuma entrega marcada e livre das aulas, ele já estava decidido a acompanhar sua mãe à igreja, mesmo antes que ela perguntasse.
A paróquia que frequentava ficava a algumas ruas de distância de sua casa, e Izuku gostava de caminhar com a mãe nesse percurso.
— Pronto, filho? — sua mãe perguntou no lado de fora do quarto. Ela sabia que o garoto gostava de estar presente na igreja, mas confirmava a presença dele por costume e talvez para aproveitar o momento de estarem juntos.
— Estou, mãe. Espera só um minuto — respondeu Izuku, puxando uma camisa larga e branca. Devido ao calor extremo daquela noite, resolvera usar roupas mais confortáveis e apropriadas para um ambiente religioso. Não queria receber mais julgamentos das pessoas do que recebia na faculdade.
Existe uma certa hipocrisia em sua vida, algumas pessoas vão para a igreja jurando de pé junto que não julgam o próximo, mas ao ver o menor, a realidade é outra. Elas não veem um irmão, e sim uma criatura pecadora que deveria ser seu alvo de ofensas. No entanto, para Midoriya, isso não importava, contanto que não afetasse sua fé.
No caminho para a igreja, Dona Inko começou a falar sobre como estavam planejando uma nova procissão para a celebração de Nossa Senhora, algo que ela sabia que Izuku apreciava. Ele ouvia com atenção, participando da conversa sobre como poderiam ajudar mais na organização das atividades. Ao contrário de antes, quando o silêncio era algo comum entre eles, agora havia mais cumplicidade em suas palavras. Izuku gostava de estar envolvido nas atividades da igreja, sentindo que contribuía não apenas com sua presença, mas também com ações concretas. Traziam um certo sentido à sua existência.
Ao chegarem na praça principal, já era possível visualizar os bancos lotados de pessoas aguardando a chegada do padre. Um frio percorreu a espinha de Izuku e suas pernas fraquejaram por um instante, mas ele seguiu em frente. Conhecia aquele lugar desde criança. As paredes altas, as imagens dos santos, o cheiro das velas e do incenso lhe traziam uma sensação mista de conforto e culpa.
Ao entrar, fez o sinal da cruz automaticamente, molhando a ponta dos dedos na pia de água benta, como sempre fizera. Sua mãe, ao seu lado, repetiu o gesto, o que lhe trouxe um peso ainda maior. A fé dela era inabalável, enquanto a sua parecia esfacelar-se mais a cada dia. Caminhou até um banco de madeira próximo ao altar, cumprimentando com um aceno tímido os conhecidos que o saudavam com um sorriso cordial.
No entanto, no fundo de seu ser, sentia um certo incômodo na sua barriga, calafrios, por estar naquele lugar tão sagrado sendo que tinha feito um pacto com um demônio. Ele se sentia tão culpado que talvez estar ali lhe ajudasse com esse problema horrível.
O garoto apertou a mão sobre o colo quando o padre entrou no local, acenando para todos com um sorriso gentil e uma Bíblia nas mãos.
Quando chegou o momento da comunhão, Izuku permaneceu sentado enquanto todos se levantavam para formar a fila. Sentia o olhar de sua mãe sobre ele, o peso da expectativa, da esperança de que ele fosse receber a hóstia, de que talvez aquele fosse o momento em que ele se reconectaria com sua fé. Mas ele não foi. Ao invés disso, baixou os olhos e rezou em silêncio, pedindo perdão, não apenas a Deus, mas a si mesmo, por não saber como conciliar o que ele era agora com o que já foi um dia.
As palavras que recitava na cabeça, o Pai nosso, eram mais uma súplica desesperada do que uma oração. Ele queria acreditar que ainda havia algo de puro nele, algo que pudesse ser perdoado, mas a culpa o corroía. Afinal, ele sabia o que tinha feito, sabia com quem tinha se envolvido. Estava ali pedindo perdão a Deus, mas, no fundo, não sabia se merecia ser perdoado.
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Passion Demon
RomanceSinopse [💞]: Um demônio... Um contrato... O que você faria se um demônio sexual aparecesse todas as noites em seu quarto para usar seu corpo das formas mais promíscuas possíveis? Izuku Midoriya é um universitário tímido e muito religioso. Todas as...
