Quem foi que nunca teve um sonho diferente e ficou pensando nisso o dia inteiro? A linguagem dos sonhos é simbólica, o que instiga ainda mais a nossa curiosidade sobre o que eles querem dizer. E não há limite para quem sonha.
Durante o sono, mesmo deitados em nossas camas, podemos voar, nos transformar, e viajar por mundos imaginários inimagináveis. Por vezes, são sonhos tão positivos que quando acordamos, tentamos até dormir de novo.
De acordo com a psicanálise, os nossos desejos reprimidos podem, de certa forma, ser realizados durante o sonho.
Outras vezes, temos pesadelos, às vezes recorrentes, dos quais temos muito medo, e despertamos assustados.
Izuku apertava a fronha do travesseiro e suava frio quando a mão gelada deslizou pelas suas costas, a língua quente deixou uma trilha de saliva pela sua pele nua. O garoto sentia seu corpo tremer, ele estava de bruços sobre a cama com o corpo despido e não sabia o que estava em cima de si ou quem, seu corpo estava tenso e ele não conseguia olhar por cima dos ombros. Era como se uma pressão estivesse lhe mantendo parado enquanto a coisa em cima de si explorava seu corpo.
— Por que está tremendo? — a voz pesada e rouca perguntou rente ao seu ouvido, enquanto a respiração batia contra sua bochecha avermelhada pelo calor que fazia naquela noite, mesmo que a janela estivesse aberta para entrar vento.
Izuku fechou os olhos com força e apertou os lábios, pressionando as mãos contra a fronha do travesseiro.
A risada macabra e sombria ecoou pelo quarto e as mãos pesadas deslizaram até a sua nádega, apertando-a com vontade e sentindo a carne escapar entre os dedos.
A criatura em cima do esverdeado riu de forma maliciosa e deslizou a mão até a coxa farta, puxando-a para o lado e afastando as pernas uma da outra e dando mais acesso à entrada virgem.
Os dedos compridos voltaram a subir e deslizaram lentamente para o meio da bunda cheinha, até o meio, e pressionou o indicador contra a entrada.
— Já imaginou, amor? — a voz demoníaca voltou a sussurrar contra o ouvido do esverdeado enquanto seus dedos pressionavam o local tão íntimo que nem mesmo Izuku tinha coragem de tocar. — Eu dentro de você? Você de quatro, gemendo e implorando para que eu te foda, mais, mais, mais e mais? Minha língua deslizando pelo seu corpo enquanto você se contorce de prazer?
O esverdeado apertou os dedos do pé até ficarem brancos e gemeu contido quando o moreno pressionou com mais força os dedos, até que a pontinha deles estivesse em seu interior.
O garoto estava vulnerável, ele não fazia ideia do que estava acontecendo, sua mente estava entorpecida, e mesmo assim seu corpo lhe traía e pedia por mais.
— Hum? Você é tão puro, bebê, tão inocente, e eu vou adorar tirar essa pureza de você, pouquinho a pouquinho enquanto eu aprecio cada orgasmo seu. Você deve ser lindo com as pernas abertas pra mim, gritando o meu nome.
— Q-Quem é v-você? — o esverdeado sussurrou com a voz fraca e trêmula.
— Na hora certa, você saberá. E quando isso acontecer, você se entregará a mim, amor. — Izuku abriu os olhos de uma vez e sentiu um baque de dor arrebentar sua cabeça.
O esverdeado gritou, levando a mão até a testa suada, e abriu os olhos lentamente, vendo que estava sentado em sua cama, vestido e com a respiração ofegante. Provavelmente havia sido só mais um sonho estranho. Ele olhou para o relógio e viu que já marcava 7:20.
— Droga! Eu vou me atrasar! — ele levantou da cama em tropeços, sentindo sua perna trêmula.
Tomou um banho rápido e vestiu uma roupa confortável. Desceu rapidamente as escadas, pegou um pão em cima da mesa e correu para fora de casa, onde Inko já esperava no carro.
Sua faculdade era a única na cidade, qualquer jovem da sua idade que vivesse no local estaria no velho edifício. A educação, em si, era efetuada de modo antigo e subdesenvolvida, mas era grande o suficiente para suportar quantos alunos fossem necessários, independente das decisões passadas pelos cargos mais altos.
A construção era tão obsoleta quanto a cidade; as paredes tinham catinga de mofo que nem mesmo as melhores faxineiras conseguiam tirar, isso porque o odor estava por dentro das paredes e no piso, enraizado na pedra e na madeira. Por fim, a tinta estava descascada e o piso solto. Tudo parecia desbotado e sem vida, e as poucas paredes que ainda tinham cor, estavam pichadas com desenhos e mensagens inutilmente revolucionárias. Talvez, se os jovens escrevessem em papéis ao invés de usar os tijolos antigos, suas escritas seriam melhor apreciadas.
Izuku correu pelos corredores vazios da faculdade, o eco de seus passos apressados contrastando com os poucos veículos na estrada e o canto de pássaros que se atrevem a pousar perto demais de humanos sem moralidade.
O esverdeado parou na frente de seu armário, que assim como os demais, era velho e enferrujado. Sua cor antes amarela se tornou um bege feio e triste.
Por sorte, o sino ainda não tinha batido, mas ele estava atrasado, considerando que sempre chegava cedo — uma tática para pegar a última cadeira nas fileiras finais da sala e ser o primeiro a entrar e o último a sair —, um preço a se pagar para não ter que se enturmar. Quanto mais fechado você é, mais atenção você chama, e, no caso de Izuku, o esverdeado chamava atenção de pessoas ruins.
— E aí, putinha? — A voz de Monoma soou atrás de Izuku, fazendo-o congelar no lugar. Ele respirou fundo antes de girar seu corpo para dar de cara com o loiro. Já sabia o que viria a seguir.
Monoma adorava tirar sarro dos outros só para se achar superior, e nada o fazia se sentir mais no topo do que humilhar Izuku.
— Me deixa em paz — o esverdeado pediu de forma chorosa. Seus dias se ressumiam em se esconder daquele idiota que fazia de tudo para atormentar sua vida.
Ele nunca falava nada. Nem mesmo quando era empurrado ou quando colocavam o pé no meio para que ele caísse, até quando era insultado. Tinha medo. Medo de que, se contasse para alguém, as coisas só piorariam. As poucas vezes que tentou se abrir para professores ou amigos, foi chamado de exagerado, até mesmo de mentiroso. E, no final, tudo acabava com mais uma surra.
Então, era preferível continuar suportando essa situação até o momento em que Monoma se cansasse, ou até o ano letivo finalmente acabar.
— Quem dá paz é Deus. — Monoma segurou o pulso do esverdeado com força, quase esmagando seus ossos finos. Puxou-o até o fundo da faculdade, praticamente o arrastando. O garoto tentava ir para trás e se soltar, mas o loiro era mais forte. — Eu vou te dar uma surra, sua bixa!
Um soco foi desferido contra o rosto do garoto, que caiu para trás e teve que se apoiar na parede para não cair. Sua visão embaçou-se por um segundo, antes de levar outro soco no canto da boca, que lhe fez sentir um gosto metálico.
Izuku nunca ousava revidar. Nunca sequer pensava em tentar pelo simples fato de se ver como alguém fraco e incapaz. Aceitava a dor calado, sozinho, sentindo a solidão lhe correr por dentro como uma parasita.
Sua mente sempre lhe trazia lembranças ruins, e isso parecia lhe matar por dentro. Ele já não tinha mais forças nem para se defender.
“Patético.”
Ele não soube em que momento desmaiou. A única coisa que sentiu quando fechou os olhos foi a paz, o sossego e o mais puro silêncio. Ele gostou, mas acordou. O garoto olhou em volta e percebeu que estava em seu quarto. Provavelmente sua mãe foi buscá-lo na faculdade depois de ter recebido uma ligação da diretora avisando que seu filho estúpido havia levado uma surra.
Já imaginava o escândalo que ela deve ter feito quando recebeu a notícia. Essa foi a primeira vez que sua mãe havia sido informada; nas outras vezes, ele não tinha ficado tão machucado a ponto de desmaiar, então ninguém precisou dizer nada. Sempre escondia os hematomas por baixo da roupa e subia para o quarto como se nada tivesse acontecido, mas dessa vez havia sido longe demais. E, como em outras ocasiões, a diretora não fez nada, apenas ofereceu chavões vazios e garatias de que os responsáveis seriam punidos, o que não acontecia.
— Que merda — Izuku sussurrou para si mesmo e puxou a coberta até que estivesse cobrindo completamente seu corpo.
Que vida de merda!
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Passion Demon
RomansaSinopse [💞]: Um demônio... Um contrato... O que você faria se um demônio sexual aparecesse todas as noites em seu quarto para usar seu corpo das formas mais promíscuas possíveis? Izuku Midoriya é um universitário tímido e muito religioso. Todas as...
