Katsuki deixou que a raiva tomasse conta de sua consciência. Seu sangue fervia, seu peito subia e descia rápido, mas não era só raiva. Era medo.
Ele não suportava olhar para Izuku daquele jeito: machucado, vulnerável, desmaiado sobre aquele solo amaldiçoado que estava corroendo sua pele. Se ele passasse mais tempo, os vermes carnívoros daquele lugar iriam rastejar para fora, cravar-se em sua carne e devorá-lo de dentro para fora, deixando apenas um cadáver seco e arrastando sua alma para o fosso.
Não. Izuku ainda estava vivo. Ainda respirava. Ainda pertencia ao mundo dos vivos, seu lugar não era ali. E o demônio não ia permitir que o rapaz morresse daquele jeito. Se tivesse que pagar um preço por isso, então que fosse.
O loiro estava decidido a fazer a troca com Lilith. Mesmo que sua ação imprudente causasse severas consequências, ele não suportaria ver o esverdeado morrer da pior forma possível.
— Tá aqui — ele murmurou, levantando o livro para que Lilith pudesse vê-lo. A mulher sorriu abertamente e colocou o braço para fora da cela.
— Me dê.
— Primeiro eu quero ele. — Apontou para o humano caído. — Eu quero ele! Agora!
Lilith arqueou uma sobrancelha e soltou um riso zombeteiro.
— Não é assim que funciona, e você sabe disso. Não vou devolvê-lo até ter o que eu quero. — Lilith estava se controlando ao máximo para não degolar a garganta daquele humano miserável e beber de seu sangue ali mesmo na frente de Katsuki, enquanto observava seu olhar de tristeza e dor. Ela amava ver a solidão e o desespero no olhar de suas vítimas.
— Então nunca terá. — Os dois, no mesmo segundo, olharam para o lado, onde o anjo de fios brancos e vermelhos encarava os dois com a face serena e um sorriso ladino. — Eu preciso desse livro também, então...
— Mas por que diabos todos querem essa merda?! — Katsuki gritou, mais irritado ainda, apertando o objeto sobre os dedos e cravando as unhas na capa, que começou a sangrar no local ferido e o líquido fresco começou a descer sobre os dedos do demônio. — O que ele tem de tão importante?! Não passa de um maldito livro estúpido que guarda nomes de mortos!
— Crianças tolas! — Lilith rosnou entre dentes.
— Esse livro é tão antigo quanto a própria humanidade, garoto — Shoto murmurou. — Ele anota o nome dos mortos e pode dar a vida a uma única alma a cada 1.500 anos.
Katsuki arregalou os olhos. Sua mãe nunca lhe contou sobre isso.
— O quê…
Shoto soltou um riso, debochado.
— Um presentinho de Deus para o desespero de anjos e demônios.
Katsuki encarou o objeto e suspirou antes de olhar para a mulher.
— Para que você quer isso? — Lilith apenas o encarou. — Quem você tem aqui morto? Por que é tão importante?
De repente, em um mísero segundo, o olhar da demônia mudou para algo mais humano, no entanto, logo se desfez.
— Meus assuntos não lhe dizem respeito, seu pirralho desgraçado! — Ela rosnou de forma raivosa, e no mesmo momento, as cobras que estavam sobre o humano se apertaram mais ao redor dele, deixando marcas avermelhadas em sua pele.
— Tudo bem, pare! — Katsuki gritou e sentiu seus olhos arderem. Ele nunca havia chorado em toda sua vida, nem mesmo quando sua mãe fez o que fez. Porém, ouvir o rapaz de cabelos verdes gemer de dor, mesmo inconsciente, o sufocava. — S-solta ele… e eu te dou a maldita droga do livro.
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Passion Demon
RomanceSinopse [💞]: Um demônio... Um contrato... O que você faria se um demônio sexual aparecesse todas as noites em seu quarto para usar seu corpo das formas mais promíscuas possíveis? Izuku Midoriya é um universitário tímido e muito religioso. Todas as...
