Chapter Twelve

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Katsuki fitou, horrorizado, o livro, por onde escorria sangue lentamente até as laterais, sujando o púlpito de ouro e formando poças rubras que se espalharam pelo chão. Gotas vermelhas pingavam ritmadamente, como lágrimas de tristeza, enquanto as letras em símbolos demoníacos pareciam gritar em silêncio. O cheiro metálico do sangue entrava nas vias olfativas de Katsuki, despertando sua repulsa. Ele não entendia como um livro podia sangrar, mas também não se importava. Para Katsuki, aquela estranheza não valia a pena ser investigada. Seu único dever era pegá-lo e entregá-lo a Lilith, cumprindo sua parte do pacto. Nada mais importava. O loiro estendeu a mão e a passou sobre a capa grossa, afastando a poeira que se acumulou ali durante séculos, revelando o título “livro da morte” gravado em letras douradas. Ele sentiu um arrepio ao tocar o couro frio e áspero.

— Não deveria estar aqui! — Katsuki virou-se sobre os ombros, dando de cara com o protetor do livro, sentado no chão, segurando uma foice vermelha, com o rosto pálido e angular, coberto por mãos esqueléticas. Os cabelos cinzentos, bem penteados combinavam com o manto preto — que deveria cobrir seu corpo — aberto, deixando seu peitoral e abdômen com gominhos definidos à mostra. — Sabe que é proibido entrar aqui, mesmo sendo o filho da chefe.

— Por que não vai torturar pessoas por aí, Shigaraki? — O loiro perguntou baixo, revirando os olhos. — Seria bem melhor você cuidar da sua vida e não se meter nas minhas coisas. Agora, sai do meu caminho. — Katsuki pegou o livro, e na mesma hora, a lâmina da foice vermelha veio de encontro com o seu pescoço.

— Devolva! — Shigaraki ordenou, apertando a lâmina contra o pescoço do demônio, mas não o suficiente para machucar, apenas o bastante para deixá-lo incapaz de se mover. No entanto, qualquer movimento brusco que ele fizesse, seu pescoço seria cortado. — Por ser filho da senhora Mitsuki, eu não vou cortar a porra da sua garganta!

— Eu sugiro que se afaste, ou não sou eu quem vai ter a cabeça arrancada aqui. — Katsuki sorriu, irônico.

— Não está em posição de exigir nada, moleque. Se eu fosse você, eu ficava paradinho aí e devolvia o livro. — Katsuki riu e pegou o livro. Shigaraki apertou ainda mais a foice, cortando sua pele, fazendo um filete de sangue escorrer. Por mais que tivesse força, não dava para escapar no momento, era uma situação que poderia custar a vida de um dos dois, e Katsuki sabia disso. Ele estava em desvantagem, e qualquer passo errado significaria a sua morte ali mesmo. — Você está brincando com fogo, Katsuki. Um passo errado e eu acabo com você.

— Você é quem não está em posição de me irritar, seu merda! — Shigaraki se aproximou para pegar o livro, e na mesma hora, o loiro tomou a foice das mãos do demônio e chutou-o para longe, vendo-o bater contra a parede.

— Filho da puta! — gritou de dor, tentando levantar-se.

— Errado você não está — Katsuki falou, rindo, antes de se aproximar e cortar a cabeça de Shigaraki com a própria foice, vendo-a rolar pelo chão.

— Seu desgraçado! — berrou quando Katsuki pegou a cabeça e jogou-a pela janela mais próxima, no lago das almas.

— Caralho, nem com a cabeça cortada ele cala a porra da boca.

O loiro soltou um resmungo baixo, o som rouco escapando enquanto seus dedos deslizavam para arrumar as próprias roupas, tentando ajustá-las de forma desleixada. O tecido áspero da camisa roçou contra sua pele quente, irritando o corte que a foice havia causado em seu pescoço. Ele levou os dedos até a ferida sem pensar, passando-os pela superfície molhada onde o sangue ainda escorria.

Tocou o rasgo e seu olho se fechou no automático, o calor pulsante da carne aberta se juntava aos arrepios que subiam por sua nuca, com o incômodo da ardência que se espalhava. Ele sabia que aquilo não iria cicatrizar tão cedo, até porque a foice de um ceifeiro pode matar outro demônio com apenas um golpe.

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