Chapter thirteen

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• Capítulo revisado por Immorqlz (Spirit)

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— Como assim?! — Lilith gritou, irritada. Suas mãos pálidas apertaram  com força as grades enferrujadas que a prendiam, as feridas antigas sendo abertas novamente, deixando filetes de sangue escorrerem pelos dedos. Seus olhos queimavam em vermelho, as presas afiadas de seus dentes estavam à mostra e seus cabelos vermelhos levitavam em volta de sua cabeça como cobras prestes a atacar. — Como a porra do livro sumiu?!

— Não me culpe. Eu já disse que não o encontrei onde deveria estar — Katsuki bradou com a feição mais neutra que conseguia manter.

A mulher berrava a plenos pulmões há tempos, machucando os ouvidos dele, que fechou os olhos com força, sentindo as almas presas naquele lugar se contorcerem enquanto eram torturadas.

— Seu idiota! — gritou de novo, batendo a palma da mão contra a grade com tanta força que um estalo ecoou, talvez da própria estrutura metálica cedendo um pouco. — Você só tinha que pegar a porra do livro! Era a merda de um trabalho simples, mas não, você falhou!

— Cuidado como fala comigo, Lilith — Katsuki ameaçou com a voz fria, olhando para a mulher com os olhos vermelhos. — Eu já falei que a merda do livro não estava lá. Não se comporte como uma criança mimada.

— Mimada?! — bufou com a ofensa e tentou pegar Katsuki pela grade, mas ele esquivou. — Temos um pacto, Katsuki, lembre-se disso — murmurou, apertando o rosto contra a grade, sentindo sua pele queimar, mas ela não se importava, sua raiva era maior do que qualquer dor que pudesse sentir. — Eu quero a droga daquele livro! Se você não cumprir sua parte do trato, sabe muito bem o que vai acontecer!

— Não ouse me ameaçar. Você pensa que é quem pra exigir algo de mim, sua velha sebosa? — Aproximou-se e pegou o rosto dela nas mãos, soltando uma gargalhada no final. — Ai, me tira uma dúvida. Por quê? — o demônio perguntou, se aproximando ainda mais da mulher. — Hum? Por que não me conta de uma vez por todas o seu verdadeiro objetivo? Pra quê toda essa cena por causa desse livro? Ele é tão importante assim pra você ter que recorrer a pedir minha ajuda? Até onde eu saiba, o livro só contém os nomes dos mortos. Isso não parece ser algo que justificaria essa sua obsessão doentia, a não ser que… tenha algo mais que você está escondendo de mim. Vai, desembucha, o que é que tá rolando?

— Ah, você sabe tão pouco da vida, moleque — exclamou, rosnando e se afastando das grades quando a dor começou a ficar insuportável. — Acha mesmo que eu ia te contar o meu plano? Um garoto mequetrefes que ainda deve se esconder debaixo da saia da mãe? Me poupe. Tenho mais o que fazer, agora traga o livro!

Katsuki riu de canto.

— Me diga o que tem de tão importante nele e a gente fica de boa.

— Não torre a minha paciência, isso não é da sua conta. Apenas traga o livro, como foi combinado!

— Não é assim que funciona, Lilith. Enquanto eu não souber quem roubou a porra do livro, não vou poder trazê-lo para você. E quase ia esquecendo, um conselho para o seu bom humor: sugiro que seja paciente, ou vai ficar enrugada igual uma uva passa, mais do que já está.

— Paciência? Eu estou sendo paciente há mais de mil anos! — Ela se exaltou. — Mil anos, você sabe o que é isso? Passar mil anos trancada em uma cela imunda como uma indigente? É claro que não sabe, você é só um garoto que viveu no luxo e quer dar uma de bonzão. E ainda se atreve a me pedir para esperar mais?! Assim como fiz o pacto com você, Katsuki, eu também posso desfazê-lo, então...

— Então, espere! Tenha paciência! Se esperou mil anos, então pode esperar mais alguns dias. Eu vou achar o livro e entregá-lo, como combinado. Mas não me ameace de novo, você entendeu? Isso não vai acabar bem pro seu lado.

Passion DemonOnde histórias criam vida. Descubra agora