Creditos da betagem a Immortalz (Spirit Fanfic)
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Já sentiu o vazio? Não a tristeza, nem a solidão passageira, mas aquele buraco sem fundo que você cai e parece engolir tudo ao seu redor na queda. Esse era um sentimento agoniante que Izuku jamais imaginou sentir. Encontrava-se naquela cama fria, deitado, olhando fixamente aquele teto branco. O local estava mergulhado em sombras, cortadas apenas pelo brilho fugaz das luzes dos carros que passavam pela sua janela, indo e vindo, iluminando as paredes decoradas com imagens de vários heróis diferentes por breves segundos antes de desaparecerem. O som baixo dos pneus arrastando-se sobre o asfalto ecoava de forma ritmada, quase hipnótica.
O esverdeado não piscava, não sentia, não pensava. Somente existia. Ou tentava. Sua mente, normalmente tão cheia de ideias criativas, agora era em um branco e vazio que jamais esperou. No meio daquele silêncio, a única coisa que podia ouvir era o barulho de seu próprio coração batendo, como se lembrasse que ele ainda vivia. Izuku não entendia como aquele órgão ainda podia estar funcionando.
Sentia-se insignificante, abandonado, como uma casca oca e sem vida. Aquele vazio o consumia aos poucos, pedaço por pedaço, e ele sabia o porquê, mesmo que não quisesse admitir. Memórias das quais havia pensado nunca relembrá-las de novo tomaram conta de sua mente.
Recordou-se de uma conversa com sua mãe, nesse mesmo quarto, no dia em que completou 16 anos. Era para ter sido uma data especial, em uma comemoração feliz, mas a mulher resolveu abrir seu coração, sentada ao lado dele na cama, segurando suas mãos com um cuidado que agora parecia cruel.
— Meu filho, eu jurei que quando você completasse dezesseis anos iria te contar toda a verdade sobre seu pai e eu… Bom, nos separamos porque ele não queria ser pai, Izu — iniciou, a voz suave e pesada ao mesmo tempo. — Ele achava que era jovem demais para ser pai, e… que o nascimento de uma criança iria acabar com a juventude dele. Então, ele me deixou sozinha, grávida de você quando eu tinha apenas vinte e dois anos. Mas acredite em minhas palavras, em nenhum dos meus dias me arrependo de ter decidido seguir com a gravidez. Me deram a opção do aborto, até cogitei, mas quando ouvi seu coraçãozinho pela primeira vez no ultrassom, me apaixonei. — Passou um dedo pelo rosto do menino, um carinho curto, mas que significava mais do que parecia. — Foi aí que vi que não podia viver sem você, o meu pequeno bebê.
Inko contou todo o resto da sua história sem derramar nenhuma lágrima, diferente de Izuku, que a cada frase fungava, porém era explícito nos olhos verdes quanta dor era contida, ao qual o esverdeado, agora adulto, compreendia melhor. Ela havia encarado de frente o peso de ser largada sozinha para cuidar de um filho com tão pouca idade, sem emprego e casa própria, dependendo dos pais até conseguir tomar as rédeas da vida.
Contudo, por que isso veio à tona agora? Ele não sabia. Apenas desejava poder chorar. Não um choro discreto, mas aquele com berros de arrancar o peso do peito, que faz o corpo inteiro tremer. Izuku queria colocar todos os seus sentimentos ruins para fora: a culpa, a vergonha, o vazio. Porém, nada vinha. Ficava preso no fundo de sua garganta, criando um bolo enorme que o sufocava. Estava aprisionado, como se tivessem roubado até mesmo suas lágrimas.
— Está olhando para esse teto há horas — o esverdeado piscou, ouvindo a voz de Katsuki. Foi a primeira reação em tanto tempo. Nem sequer havia notado a presença do demônio ali, em pé ao seu lado, encarando-o com os olhos frios e a postura impecável. — Não vai se levantar dessa cama?
Izuku desviou o olhar, como se encarar o loiro fosse mais do que podia suportar naquele momento.
— Como é se sentir sozinho mesmo tendo várias pessoas ao seu redor? — o esverdeado perguntou, com a voz rouca e seca. Sua garganta parecia estar sendo arranhada e rasgada por cacos de vidro. — Pessoas que não notam sua dor e nem suas lágrimas por trás de um sorriso falso e forçado? — Ele fez uma pausa, engolindo em seco, mas a dor não cedia. — Elas dizem ser seus amigos, mas nunca percebem quando você chora e implora por ajuda em silêncio. Não notam suas lágrimas de dor e medo…
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Passion Demon
RomanceSinopse [💞]: Um demônio... Um contrato... O que você faria se um demônio sexual aparecesse todas as noites em seu quarto para usar seu corpo das formas mais promíscuas possíveis? Izuku Midoriya é um universitário tímido e muito religioso. Todas as...
