Katsuki ainda se recorda do primeiro humano que conquistou, da primeira vez que visitou o mundo dos vivos e da primeira pessoa que caiu sob seus encantos. Foi lá pelo século II, algo entre 101 e 200, tempos bem estranhos e turbulentos. Os humanos estavam evoluindo e conquistando territórios, vivendo em guerras e derramando sangue por toda parte, especialmente o império Romano que estava em plena expansão, enfrentando guerras e revoltas nas províncias. O Senado ainda exercia influência, mas o poder dos imperadores se consolidava cada vez mais. A Pax Romana mantinha uma relativa estabilidade, porém as disputas políticas e as campanhas militares continuavam a moldar o destino da civilização.
Os mortais estavam conquistando territórios, expandindo suas fronteiras e construindo monumentos que desafiavam o tempo. Roma brilhava com sua grandiosidade, entretanto, sob sua superfície de mármore e ouro, o sangue de inocentes escorria em rios pelos becos escuros. Gladiadores se matavam em espetáculos públicos, escravos sofriam sob o jugo de seus senhores e cultos secretos floresciam nas sombras. Todavia, o loiro realmente não ligava para isso. Ele não se importava com imperadores ou generais, tampouco com os deuses que os humanos adoravam com fervor. Ele só queria se divertir.
Foi em uma dessas noites, sob uma lua cheia e um céu estrelado, que o demônio conheceu uma jovem romana. Filha de um senador influente, ela era uma mulher esbelta, com cintura fina, cabelos vermelhos como fogo e usava vestidos de tecidos importados do Oriente, algo raro na época, geralmente reservado para a alta sociedade, reis e rainhas.
A bela jovem se dedicava à medicina durante a noite, embora as mulheres fossem proibidas de praticar tal arte, devido à sociedade patriarcal em que vivia. Ela cuidava dos feridos em becos sujos, longe dos olhares atentos dos patrícios, aplicando ervas e curativos aprendidos com escravos gregos e egípcios.
Ela teve suas primeiras experiências com o demônio e, em pouco tempo, se viu apaixonada. No entanto, ao nascer do sol, o demônio sempre partia, deixando a jovem nua nos lençóis, marcada pelas atividades da noite. Ela se esforçava ao máximo para esconder essas marcas e evitar que seu rigoroso pai notasse. Sabia muito bem que, se ele percebesse que ela já não era pura, as consequências seriam graves.
Com o tempo, ao completar seus 21 anos, a jovem ruiva foi forçada a se casar para manter a paz entre os povos. A cerimônia foi belíssima, com banquetes, vinho e homenagens aos deuses, mas quando chegou a noite de núpcias, algo inesperado aconteceu: ela não sangrou. Seguindo as tradições, se a noiva não derramasse sangue em sua primeira vez, isso significava que ela já não era digna. Desesperada, a mulher tentou procurar o demônio que amava, mas foi em vão. No dia seguinte, ela foi enforcada em praça pública.
Aquele que tirou a pureza da jovem foi caçado para enfrentar o mesmo destino da moça, mas nunca foi encontrado. Não havia pistas dele, e muitos suspeitavam que a ruiva estivesse envolvida com magia negra e invocação de demônios para pecar e satisfazer seus desejos carnais.
Pulando para o ano de 1692, o século que ficou marcado pelas caças às bruxas de Salém, com milhares de mulheres enforcadas e queimadas vivas por crimes que não cometeram.
A Nova Inglaterra, ainda jovem e fervorosamente puritana, fervilhava de medo e paranoia. O mundo cristão estava em conflito com as sombras do desconhecido. O puritanismo, rígido e opressor, pregava que as mulheres deveriam ser submissas, silenciosas e obedientes, confinadas ao lar e ao papel de esposas e mães. A educação era um privilégio restrito aos homens, e qualquer mulher que demonstrasse inteligência ou ousasse desafiar a ordem estabelecida era vista com desconfiança.
Os julgamentos de Salém, que resultaram na execução de 19 pessoas por enforcamento e na morte de outras em circunstâncias suspeitas, foram apenas a ponta do iceberg de um fenômeno maior que se espalhava pela Europa e colônias americanas. Mulheres e crianças inocentes foram mortas por homens que não conseguiam aceitar a sabedoria e a astúcia delas. Homens de ego frágil que não toleravam a ideia de serem superados por mulheres que eram forçadas a ficar em casa e cuidar de filhos indesejados, cozinhar e lavar pilhas de roupas. Para eles, uma mulher que conhecia ervas medicinais, que sabia ler e escrever ou que simplesmente falava mais do que devia era uma ameaça.
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Passion Demon
RomanceSinopse [💞]: Um demônio... Um contrato... O que você faria se um demônio sexual aparecesse todas as noites em seu quarto para usar seu corpo das formas mais promíscuas possíveis? Izuku Midoriya é um universitário tímido e muito religioso. Todas as...
