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CAPÍTULO TRINTA E QUATRO como fui tão cego?
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OLAVO ASSISTIA ÀS GRAVAÇÕES da câmera com uma expressão de nojo. Ophelia se encontrava ao lado do pai, com as duas mãos apoiadas em seu ombro, um aviso claro de que não deixaria o pai passar por aquilo sozinho.
Enquanto meu chefe descobria a verdade amarga sobre sua esposa, uma onda de vergonha tomou conta de sua expressão. Seu rosto ficou ruborizado, e por um instante, Olavo desviou o olhar da tela de seu computador. Mesmo assim, ele manteve a postura ereta, como se sua dignidade fosse a única coisa que lhe restava.
Eu me encontrava sentado na cadeira em frente a sua mesa, as palmas das minhas mãos, que estavam espalmadas em minhas coxas, meus pensamentos a mil e os batimentos cardíacos pior ainda. Não conseguia encará-lo; meus olhos estavam fixos em um ponto vazio no carpete no chão.
Os ruídos abafados das gravações preenchiam o silêncio constrangedor do escritório, estava tudo tão quieto que parecia que cada batida descompensada do meu coração poderia ser ouvida a qualquer momento, pulsando com força o suficiente para trair a calma que eu tentava desesperadamente manter.
─ Eu confiei nela... – Olavo murmurou, mais para si do que para nós. — Como fui tão cego?
Ophelia apertou os ombros do pai e se curvou, o abraçando por trás. O homem segurou as mãos da filha mais velha e fechou os olhos, suspirando. Minutos depois, ergueu os olhos novamente para a tela, mas seu olhar era distante, como se, mesmo encarando o que estava ali, preferisse não acreditar.
Olavo passou as mãos pelo rosto, parecia que se fizesse isso poderia apagar a realidade com um simples gesto.
— Eu devia ter visto antes... – Olavo disse, sua voz saindo quase como um sussurro. — Tantos sinais, tantas... mentiras. E eu a deixei manipular tudo. Como pude ficar casado com uma pessoa tão podre por quase duas décadas?
— Não é culpa sua, papai. Pessoas como ela sabem como esconder o que são. – A dureza da voz de Ophelia não foi nenhuma surpresa.
— É minha culpa, sim. – Ele insistiu, seu tom mais firme, mas carregado de amargura. — Eu fui cego. Quis acreditar que... que tudo estava bem. Que eu tinha feito a escolha certa. Que ela era a mulher certa para minha família.