Narradora Pov
Elise estava conversando com Alice enquanto Magnus as observava há alguns metros de distância.
Alice encarou Magnus que não tirava os olhos de Elise e depois encarou Elise.
(Alice) - Eu sei que ele é seu companheiro e tudo mais, mas isso não te incomoda?
(Elise) - O quê? - pergunta antes de olhar para Magnus que sorri com os olhos quando ela olha para ele.
(Alice) - Ele parece a sua sombra. Aonde você vai ele está atrás, você não se sente sufocada?
Elise da um sorriso fraco antes de suspirar.
(Elise) - Eu não gosto de falar muito sobre isso porque não é uma história muito feliz, mas...
Alice tomba a cabeça pro ado antes de encarar Magnus e voltar a olhar para Elise.
(Alice) - Quer que eu dê um jeito nele? - Elise riu.
(Elise) - Não. Não tem nenhum problema com ele.
(Alice) - Então o que é?
(Elise) - Quando nos conhecemos ele estava em uma missão atrás de um fugitivo perigoso que tinha invadido a nossa cidade. Eu vivia numa cidade de humanos apenas.
(Alice) - Continue.
(Elise) - Eu tinha um namorado, uma família unida pra quem via de fora. Mas a verdade não era bem aquela.
Magnus abaixou a cabeça ouvindo o que ela estava dizendo de longe.
(Elise) - Eu sempre fui rápida quando o assunto é ciência, alquimia e coisas desse tipo. - Alice riu.
(Alice) - É, acho que todo mundo já notou isso.
(Elise) - Mas pra reagir a outras pessoas... Eu não funcionava, eu simplesmente travava. Meus pais fingiam que ma amavam fora de casa porque eu tinha uma utilidade para eles, minha inteligência valia muito. Todo meu dinheiro ia pro bolso deles e eles nunca deixavam de me lembrar o quanto eu seria inútil se não fosse pelo dinheiro que eu levava para casa. Meus tios sempre me olharam como se eu fosse um pedaço de lixo e meus primos... Bom, com eles eu me sentia um ratinho nas garras de gatos. Sempre que nossas famílias se reuniam eu acabava cheia de hematomas e outras feridas. As... "Brincadeiras" deles não tinham limites. De me estrangular a atirar coisas em mim.
(Alice) - E ninguém nunca fez nada?
(Elise) - Como eu disse, eles só faziam isso entre a família, e eu não tinha coragem de falar nada. Eu sou a filha de um casal que nunca quis ter filhos, cresci sendo tratada como uma criatura repugnante e indesejada até conhecer o Jordan. Ele me fez sentir amada pela primeira vez na vida, mas eu era tão carente que quando as coisas começaram a mudar eu não consegui ir embora.
(Alice) - Que coisas mudaram? - Elise respirou fundo com os olhos marejados.
(Elise) - Ele começou a me bater, mas ele sempre voltava com um presente e uma cara de arrependimento e eu... Hoje eu vejo que aqueles gestos gentis escassos, gestos que eu não recebia nem dos meus pais me mantinham acorrentada a ele. Faz cinco anos que eu estou com o Magnus e ainda não consegui juntar todos os cacos. - disse com um sorriso fraco. - Mas quando nos conhecemos eu era muito mais que quebrada. Eu era tão frágil psicológicamente, e fisicamente também. Eu ainda me lembro quando eu vi o Magnus pela primeira vez. - ela sorriu. - Eu estava trabalhando e derrubei alguma coisa no chão, eu abaixei para pegar e quando eu levantei a cabeça, acertei a mão dele. Quando virei pra cima, ele estava me protegendo da quina da mesa.
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Os lobos de Lilith
RomansaNum mundo de humanos, druidas, bruxas, feiticeiros, gnomos, elfos, lobisomens, vampiros, alquimistas, ninfas e elementais. Lilith Delyth, uma mulher mestiça, meio vampira e meio druida, de 21 anos se muda com seus pais para uma Alcateia mista. Apesa...
