Narradora Pov
Lilith estava a caminho do lugar que Fenrir lhe designou quando avistou Etheldreda a sua espera.
Quando Etheldreda olhou para Lilith, a mesma abaixou a cabeça.
(Etheldreda) - Se diz companheira do alfa da alcateia? Levante a cabeça! - diz de forma rígida.
Lilith levanta a cabeça, então Etheldreda se aproxima de Lilith calmamente a observando.
(Etheldreda) - Você sabe que todo o nosso mundo depende de você, não é? - Lilith estremece, mas não por conta do que deverá fazer, e sim por estar a frente de Etheldreda.
(Lilith) - Eu sei.
(Etheldreda) - Então aja como tal. Você tem um longo caminho pela frente... E eu também.
(Lilith) - Fenrir me disse.
(Etheldreda) - Posso ser franca e direta com você? - Lilith acenou positivamente com a cabeça.
(Lilith) - É claro tia.
(Etheldreda) - A menos que você use seu poder divino, é melhor nem se dar ao trabalho de procurar os sete líderes. Apenas diga agora que nós aceitaremos a derrota. - Lilith arregala os olhos chocada.
(Lilith) - Como pode falar sobre esse poder depois de tudo o que aconteceu?
(Etheldreda) - Você perdeu sua muiteza naquela época.
(Lilith) - O quê?
(Etheldreda) - Você nunca teve medo de nada, até aquele dia. Reprimiu seu lado druida como se aquele poder fosse o culpado pelo que houve.
(Lilith) - Mas foi por culpa daquele maldito poder que aquilo aconteceu! - a tia de Lilith suspirou.
(Etheldreda) - Você sempre fugia desse assunto quando eu tentava falar com você. Mas acredito que você não tenha como escapar dessa conversa agora, não é? - Lilith sentiu seus olhos marejarem.
(Lilith) - Não podemos adiar essa conversa?
(Etheldreda) - Por nem mais um segundo. - Lilith suspirou. - Você coloca a culpa no seu dom, mas a verdade é que no fundo você sente raiva do seu poder, mas se culpa pelo que houve.
(Lilith) - Como eu não me culparia? Eu matei o seu filho! Ele era só uma criança! - Lilith começa a chorar. - Eu te via passando o dia abraçada nele, cuidava dele como se fosse a criatura mais importante da sua vida! E eu causei a morte dele!
Etheldreda abraçou Lilith gentilmente e beijou sua cabeça.
(Etheldreda) - Apesar de você se culpar eu preciso dizer que eu deixava ele sair com você pela floresta sabendo de todos os riscos. E pra falar a verdade... - ela respirou fundo antes de continuar. - Eu sou grata até hoje pela morte dele ter vindo por meio de você.
Lilith a encarou confusa.
(Lilith) - Você não pode estar se sentindo bem.
(Etheldreda) - Vou te contar uma história. - as duas se sentaram na grama. - Na última guerra que eu participei eu ainda nem tinha o meu filho mais velho. Naquela época os feiticeiros e bruxos eram extremamente poderosos. Ao fim da guerra, um feiticeiro, em seu último suspiro de vida me amaldiçoou de uma forma muito específica. Aos setenta anos, que é o auge dos druidas, eu desejaria a morte. Eu sentiria como se meu corpo estivesse sendo despedaçado enquanto teria apenas as piores memórias da minha mente passando pela minha cabeça. Isso ocorreria por mil anos, até que eu finalmente morreria. Exceto se eu tivesse um filme, pois minha maldição seria passada para ee, porém com algumas mudanças.
(Lilith) - Que mudanças?
(Etheldreda) - Com dez anos os sintomas começariam a aparecer lentamente e se intensificariam até que aos vinte anos meu filho nem conseguiria sair da cama de dor, gritando de terror, sendo atormentado por visões e entidades malignas. Imagina como eu me senti só de imaginar ver meu filho passando por isso? Quando casei com Rhodes eu disse a ele que não poderíamos ter filhos, ele aceitou sem muitos questionamentos, mas logo eu engravidei. Os cuidados que tomamos não foram suficientes, eu passei os primeiros anos da vida dele extremamente angustiada, mas ao mesmo tempo muito feliz. Eu senti que havia nascido para ter filhos.
(Lilith) - Outro feiticeiro não poderia resolver isso?
(Etheldreda) - Nós procuramos em vários reinos, mas ninguém conseguiu fazer nada. Quando vimos que não tinha mais o que fazer eu e meu companheiro tivemos mais filhos, a maldição corria entre minha linhagem, mas só atingiria um em cada sete filhos, então se meu filho mais velho morresse, a maldição seria transferida ao meu oitavo filho. Quando Hawk voltou da floresta no dia que meu filho foi assassinado eu entrei em pânico. Então eu disse a Rhodes que deveríamos ter muito mais cuidado para não termos um oitavo filho, o que descobrimos ser inúil já que eu havia sido abençoada ao meu nascimento a fertilidade, nenhum feitiço poderia me impedir de engravidar, então eu vi como uma benção poderia se transformar numa maldição em primeira mão quando meu mais novo nasceu um ano depois de Atlas.
Lilith a ouvia atentamente.
(Etheldreda) - Antes que meu pequeno fizesse um ano eu passei um mês na floresta, sem comer nem beber implorando a Fenrir que ele me permitisse um destino menos cruel. Nenhuma mãe merecia passar por algo assim, e nenhum filho merecia sofrer pelos atos de seus pais. Após um mês, Fenrir veio até mim, pela expressão dele eu já sabia que ele não poderia mudar aquele triste destino, pois era contra as regras mudar o destino do povo terrestre. Mas ele fez uma pequena mudança, não seria um ato extremamente contra as regras apesar de quebrar algumas regras claras. Fenrir disse que não poderia impedir que meu filho morresse, mas ele poderia prevenir a maldição sem que fosse passada adiante. Ele disse que um descendente escolhido por Merlin para portar seu dom incomum e, com esse dom, matar meu filho. Só assim a maldição cessaria, entre ver meu filho sofrer até a morte e permitir que ele fosse morto rapidamente, a escolha era óbvia. Logo você chegou com a Lucretria e o Ajax e eu me perguntei se seria você a criança escolhida. Afinal, a única família que tinha o sangue de Merlin correndo pelas veias, era a nossa, que naquela época se estendia apenas a mim, Lucian e Lucretia. E quando eu soube o que houve, me senti mal por não ter como me despedir, mas eu sabia que ele estava livre e a minha familia também.
(Lilith) - Eu... Eu não fazia ideia disso!
(Etheldreda) - Eu tentei te falar algumas vezes, mas você sempre fugia. E esse foi um dos motivos da nossa família nunca ter cortado laços com você e nem ter te culpado por nada. Você salvou a meu filho de longos séculos em agonia.
(Lilith) - Eu sempre achei estranho você ter perguntado sobre os desenhos.
(etheldreda) - eu soube que depois daquilo você parou de desenhar e se livrou de todos os desenhos que você tinha.
(Lilith) - Eu queimei todos, bom... Quase todos. Minha mãe achou um desenho de vestido que eu fiz.
(Ethedreda) - Bom, agora que eu finalmente esclareci os fatos, como se sente?
(Lilith) - Um pouco aliviada, eu diria. - a tia de Lilith sorriu.
(Etheldreda) - Agora vamos ao que interessa. Os sete líderes que procuramos.
(Lilith) - Certo.
Continua
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Os lobos de Lilith
Storie d'amoreNum mundo de humanos, druidas, bruxas, feiticeiros, gnomos, elfos, lobisomens, vampiros, alquimistas, ninfas e elementais. Lilith Delyth, uma mulher mestiça, meio vampira e meio druida, de 21 anos se muda com seus pais para uma Alcateia mista. Apesa...
