Capitulo 61: Deus não é o limbo.

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Leo Clark.

Sophie tem estado estranha, distante. Talvez só esteja em uma fase rebelde onde tudo a irrita.

Já estive nessa fase, mas a dela anda um pouco mais agressiva.

Conversei sobre com Maxine, a mesma disse que Zack nunca teve essa fase, mas Claire nasceu assim.

Curiosa, questionadora e perturbadora.

Max sugeriu converdar com Sophie.

— Você está bem? — Indaguei sentando ao lado da loira, a mesma respira fundo.

— Por que pergunta algo que já sabe a resposta? — Olhou o chão do nosso quintal e arrancou um punhado da grama.

— Porque não quero uma resposta que você daria ao papai, quero uma resposta que você daria a um irmão mais velho que te entende melhor do que nosso pai. — Ela riu como se fosse algo bobo.

— Não, Leo, você não entende. — Negou com a cabeça.

— Bom, não custa tentar. Não sou tão novo assim, mas não tão velho assim ao ponto de não te entender.

Sophie mexe na folha seca em sua mão e parece pensar um pouco.

— Me sinto uma tola perto de vocês. — Confessa.

Franzi a testa.

— Vocês quem?

— Você, Max, Zack, a Amy e o Chase...

— Por que? — Questionei realmente confuso.

Ela não disse nada sobre Claire.

— Porque vocês foram os únicos que chegaram a conhecer a mamãe.

Agora fico sem palavras. Minha mãe morreu quando eu era bem pequeno, mas me recordo dela. Lembro dos cabelos loiros, do sorriso, a gargalhada, os olhos azuis como o de tio Noah e Zack.

Me lembro da voz, dela me chamando de "meu amor" e dos seus abraços.

Sophie é idêntica á nossa mãe, e acho que isso assusta nosso pai. Imagino como deve ser para ela que nunca a viu.

— Mamãe era linda. — Olhei a minha irmã, quero chorar, mas no momento isso não ajudaria. — Você se parece com ela. — Afirmei com um sorriso triste. Sophie só me olhava. — Você é como ela.

Minha irmã não diz nada, apenas encosta a cabeça no meu ombro e respira fundo. Acho que está chorando agora, mas ela precisa disso agora.

Entender, perceber.

— Obrigada.— Agradeceu-me. — Obrigada por ser um irmão tão bom. E obrigada por isso. — Estou sorrindo, talvez ela não tenha notado isso, não importa.

— Eu disse que talvez entenderia.

Ficamos em silêncio por um tempo, é um momento que ambos sabiam que aconteceria. O momento em que nós percebemos o quanto precisamos dela naquele momento, apesar da falta de momentos com a mesma.

É um sentimento que só nós sabemos como é.

— A gente te ama, Sophie. — Afirmei baixinho. — Eu, o papai e a mamãe. Principalmente a mamãe.

Nós temos uma relação um tanto curiosa. Não é como Amy e Chase ou os Smiths.

Há uma pauta infinita que nunca se resolve entre nós e que nos deixa esquisitos, nossa mãe.

Claro que temos nossos momentos como familia, mas é como se o fantasma de nossa mãe não nos deixasse hesitantes demais.

Há uma sombra em nossa familia, em nossa casa.

𝐁𝐎𝐑𝐍 𝐓𝐎 𝐃𝐈𝐄Onde histórias criam vida. Descubra agora