Capitulo 64: Desgraça e luxúria

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Maxine Smith.

Minha mãe não sabe que eu a ouvi com meus tios.

Até certo momento, o fato de eu ter dezesseis anos pouco importa para minha mãe, ela não me permite ajudar da forma que posso.

Eu e Leo costumávamos ser muito mais próximos. Eu observava tudo ao meu redor, ele se enfiava em todos os buracos, escalava todos os muros e arvores.

Mas crescemos, tivemos irmãos e nossas prioridades foram mudando. Mas ainda é sobre nós dois sendo os mais velhos.

— Uma carta em uma caixa? Tem certeza? — Leo indagou um tanto duvidoso.

Respirei fundo e assenti.

— Sim, vi minha mãe mexendo na caixa, só havia uma caixa em um envelope. Ela dizia algo sobre nos matar ou entregar nossas terras, algo do tipo.

Meu primo cruzou os braços e franziu a testa.

— Quando digo "nos matar", me refiro a nós mesmos. Eu, você, Zack, os gêmeos, a Sophie, Claire.

Na mesma hora, seu olhar migra para a minha direção de forma brusca.

— Querem matar adolescentes e crianças? O que essas pessoas têm a ver? São inocentes!

Balanço a cabeça de forma negativa.

— Somos o alvo apelativo. Ninguém arrisca com crianças em jogo, ainda mais com minha mãe nessa história. — Sentei-me na cama de Leo. A casa estava vazia no momento.

Meu tio estava quase sempre ocupado, Sophie tinha amigas da rua de trás e Leo vive em casa mantendo tudo em ordem.

Ele sempre foi assim. Organizado.

— Qual o plano? — Ele foi direto ao ponto.

Encarei o carpete, tendo certeza do que estava planejando.

— Os explosivos do tio Alex. Vamos usá-los.

Amy Miller.

Tio Steve estava preparando um lanche para nós na cozinha. Eu me sentei na bancada e o olhava colocar os pães no prato.

— Vai desembuchar ou vou ter que te virar de ponta cabeça para falar? — Ele me olhou de canto, eu dei um riso.

— Como sabe que tenho algo a dizer?

— Seus pés estão balançando e você está me encarando igual uma maluca. — Fecho os olhos um tanto envergonhada.

Respirei fundo e o olhei.

— Tio... — Hesitei. — Por que você e a mamãe não se falam?

Meu tio quase paralisa. Ele me encara por um tempo e em seguida abaixa a cabeça como um cão envergonhado.

— É uma longa história, querida. Não vai querer ouvir.

— Eu vou! — Afirmei. — Não suporto como vocês se tratam, de como se olham, de como se evitam. Eu queria que vocês me contassem o que aconteceu.

Ele engole seco e encosta a lombar na pia, ficando de frente para mim.

— Sua mãe e eu nunca fomos completamente próximos na infância. Tínhamos apenas um pai em comum, só isso. Eu sempre fui o adolescente que detestava a irmã mais nova porque ela tinha tudo o que nosso pai dava. — Presto atenção em cada palavra. — Sua mãe não tinha culpa de eu ter sido desviado da atenção paternal, mas a culpei disso por anos.

Sinto vontade de chorar, não sei explicar, mas é como se eu o entendesse.

Meu pai é o melhor do mundo para mim, nunca esteve distante, não importa o que aconteça, mas sinto pena pelo meu tio.

𝐁𝐎𝐑𝐍 𝐓𝐎 𝐃𝐈𝐄Onde histórias criam vida. Descubra agora