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Josh Beauchamp

Duas semana depois...

A viagem chegou ao fim. Foram bons dias naquela ilha, e que de fato, eram necessários para muitas coisas se ajustarem.

As coisas com a Destroyer estavam menos tensas entre eu e meu pessoal, estamos nos acostumando com a ideia de convivência. O Noah continua sendo irritante e idiota, mas não pude evitar — por pura obrigação — de tentar suportar ele, como também me aproximar.

Eu e Any estamos indo bem, digamos que bem até demais. Não nomeamos o que estamos tendo, mas sabemos que é algo. Depois da viagem, nos vimos poucas vezes, mas mantínhamos contato. O trabalho era demais para mim e para ela, isso talvez fosse um problema.

Falando em trabalho, na mesma semana que voltei de viagem não perdi tempo de ir atrás do desgraçado que me denunciou. Passei alguns dias pesquisando e usando minhas fontes, e descobri quem era. Tom. O mesmo cara que explodi o carro. Ele me denunciou e estava fodido por isso.

— Kyle, tá tudo pronto.

Um dos meus capangas apareceu, me tirando dos meus pensamentos.
Estamos em um dos galpões da Bloods, e Tom está lá dentro. É hora de brincar um pouco.

Assim que entro no galpão, encontro Tom amarrado a uma cadeira, em meio a uma poça de líquido. O lugar é pouco iluminado, mesmo com o sol que faz lá fora.

Me aproximo do homem de pele parda, cabelo escuro e que estava coberto de sangue na pele devido aos arranhões.

— Bom te ver, Tom. — Ele não responde, claro. Está com um pano entre a boca. — Achou que eu não te encontraria? — Puxo o pano, deixando sua boca livre. — Hum?

Ele respira descontroladamente. Seu olhar é de pavor, medo.

— Eu deixei você viver, mas percebo que foi um erro. — Dou uma volta ao redor da cadeira. — Nem acredito que você foi burro o suficiente pra me denunciar, e isso tudo por um simples carro? Burrice. — Paro em sua frente. — Já que não tem nada a dizer, acho que posso acabar logo com isso. Você não vale meu tempo.

— Sei que não vou escapar dessa, Beauchamp. Me mata de uma vez. Atire em mim. Atire!

Ele implora, o que me arranca uma breve risada. Sua morte não seria nem de longe rápida, se é isso que ele acha.

— Vejo que você não escutou muito de mim por aí, não é? — Dou passos para trás. — Vou te contar uma história, já que são seus últimos minutos. Uma vez, quando eu era criança, meu pai quis me ensinar a ser forte e a encarar meus medos, e para isso, ele me fez atirar no meu coelho de estimação. Fui chamado de medroso por ter medo de fazer aquilo, mas fiz mesmo assim. Sempre lembro desse dia quando vejo pessoas implorarem pela vida, porque de certa forma, o coelho implorou pra que eu não tirasse a dele.

Tiro um cigarro do meu bolso e um isqueiro, o ascendendo. Levo até minha boca e dou um trago.

— Você parece aquele coelho em minha frente — volto a falar —, implorando pela vida. No seu caso, para que eu a tire de forma rápida — outra tragada no cigarro —, mas eu não serei tão bondoso assim. Ninguém que me entrega merece esse meu lado. — Dou um sorriso de canto.

Eye For An Eye - BeauanyHistórias para pegar e não largar. Descubra agora