O ar da manhã fria invadiu o quarto, despertando S/n. Ela se espreguiçou, procurando Sanzu ao seu lado, mas encontrou apenas o lençol vazio. Ele já havia se levantado.
Com um suspiro, S/n se levantou e fez sua higiene matinal. A casa estava silenciosa, apenas o som da água corrente no banheiro quebrando o silêncio. Ao sair, encontrou Ran e Rindou na sala de estar, ambos com expressões neutras.
Ran: Bom dia - disse Ran, um tanto formal. Rindou apenas acenou com a cabeça. S/n não respondeu, apenas passou por eles, a cabeça baixa.
Na sala de jantar, ela tomou seu café, mas a comida parecia sem gosto. A sensação de vazio no estômago se misturava com uma crescente sensação de enjoou.
•••
A noite, a boate Bonten fervilhava, a música alta e a atmosfera carregada de adrenalina. Sanzu estava sentado à mesa, S/n em seu colo, a música vibrando em seus ossos. Uma garçonete se aproximou, com uma bandeja cheia de copos e uma garrafa de whisky importada. Ela sorriu para Sanzu, um sorriso que beirava o provocante.
Garçonete: Para o casal - disse ela, com a voz um tanto melodiosa.
Sanzu tirou uma nota alta do bolso e a colocou entre os seios da garçonete, antes de pegar um dos copos já cheios e oferecer a S/n.
Kokonoi, observando tudo de perto, encarou Sanzu com um olhar de desprezo.
Kokonoi: Não entendo como você pode ser tão pouco para quem você mais quer e tanto para essas que você só quer por um momento - disse ele, a voz carregada de sarcasmo.
Sanzu, fingindo não ouvir, pegou um dos copos que a garçonete havia deixado cheio e o levou aos lábios de S/n.
Sanzu: Beba - disse ele, com um tom autoritário.
Ela recusou, uma onda de náusea a percorrendo. A sensação era estranha, como se seu corpo estivesse rejeitando o álcool. S/n segurou a vontade de vomitar, mas a expressão de nojo em seu rosto não passou despercebida por Kokonoi.
S/n: Preciso ir ao banheiro - disse S/n, a voz fraca.
Sanzu concordou.
Sanzu: Vá ao banheiro - disse Sanzu, com um tom brusco.
Antes que S/n pudesse se levantar, Sanzu sussurrou em seu ouvido, com um olhar ameaçador:
Sanzu: Se você ousar falar com Senju às escondidas, eu vou descobrir. E as consequências não serão boas.
S/n se encolheu, sentindo um nó na garganta.
O ar do banheiro feminino estava denso. S/n se ajoelhou no chão frio, a cabeça baixa sobre a privada, e deixou tudo sair. As lágrimas misturavam-se ao vômito, escorrendo pelo seu rosto em um fluxo contínuo de angústia. Ela implorava silenciosamente para que aquilo não fosse o que ela temia, para que não fosse a confirmação do seu maior pesadelo. Ter um filho com Sanzu, um homem que a assustava, era a última coisa que ela queria naquele momento.
Uma mão gentil segurou seus cabelos, afastando-os do rosto para que não se sujassem. A voz de Senju, suave e reconfortante, ecoou atrás dela.
Senju: Calma, S/n. Se você ficar estressada, pode afetar o bebê.
S/n ergueu a cabeça, encostando-se na parede fria do banheiro. Os olhos de Senju, cheios de preocupação, pousaram sobre ela.
Senju: Sanzu sabe? - perguntou, a voz carregada de uma leve inquietação.
S/n balançou a cabeça negativamente, as lágrimas voltando a brotar. O medo a paralisava, a deixando sem forças para encarar a realidade. Senju a puxou para um abraço apertado, acariciando seus cabelos com carinho. Mas a lembrança de Sanzu esperando por ela, a imagem de sua expressão implacável, fez S/n se afastar bruscamente.
Sem dizer uma palavra, ela lavou a boca na pia e saiu do banheiro, caminhando em direção ao local onde Sanzu a aguardava. O peso da verdade, como um fardo pesado, a acompanhava em cada passo.
S/n voltou para a mesa, o coração batendo forte no peito. O lugar vazio ao lado de Kokonoi a fez sentir um alívio quase doloroso.
S/n: Onde ele foi? - ela perguntou, a voz quase inaudível no barulho.
Kokonoi a encarou, a desconfiança estampada em seus olhos.
Kokonoi: Se divertir um pouco com a garçonete de antes - ele respondeu, a voz seca.
S/n assentiu, sentando-se, o alívio se transformando em um nó na garganta. Kokonoi percebeu a inquietação dela, o olhar fixo em suas mãos trêmulas.
Kokonoi: Desde quando está atrasada? - ele perguntou, a voz agora mais baixa, quase um sussurro.- E quando pretende contar a ele?
Os olhos de S/n se arregalaram. A pergunta a pegou de surpresa, o medo gelando seus ossos. Ela não ousou responder, a garganta seca demais para formar palavras.
Kokonoi: Uma gestação é difícil de esconder - Kokonoi continuou, a voz firme.- Com o tempo, ele vai descobrir. Ou você acha que ele vai deixar você ficar com a criança? Ele não é do tipo que se importa com isso.
S/n engoliu em seco, as lágrimas começando a brotar. Ela não queria estar grávida de Sanzu, mas a ideia de perder a criança, de não ter a chance de ser mãe, a dilacerava por dentro. A culpa e o medo a oprimiam, a deixando sem chão.
S/n: Vou procurar por ele - ela disse, a voz tremendo.- Quero ir embora.
Kokonoi se levantou, a mão grande envolvendo seu braço.
Kokonoi; Você vai dormir na minha casa -ele disse, a voz autoritária.- Sanzu provavelmente não vai voltar para casa hoje.
Ele a puxou para perto, a abraçando com força. O cheiro de álcool e perfume masculino a invadiu, mas ela não conseguia se soltar. Kokonoi a conduziu para fora da boate, a mão dele firme em seu braço.