A água morna da banheira envolvia S/n como um abraço gentil, mas a sensação de conforto era ofuscada pela dor latejante nos seus ossos. Três anos. Três anos desde que ela havia se casado com Sanzu, três anos desde que sua vida se transformou em um pesadelo.
Kokonoi, com seus movimentos delicados e cuidadosos, lavava seus cabelos, mas a gentileza dele não conseguia apagar as marcas deixadas pela fúria de Sanzu. Os hematomas roxos e azuis se espalharam por seus braços, costelas e coxas, um mapa silencioso da violência que sofria.
Kokonoi: Vocês brigaram por causa do que você disse ontem? - a voz de Kokonoi era suave, quase um sussurro, mas carregava um peso que S/n conhecia bem.
Ela fechou os olhos, a água quente escorrendo por seu rosto.
S/n: Não importa - murmurou, a voz rouca.
Kokonoi sabia que ela não estava falando a verdade. Ele sabia que Sanzu era um vulcão prestes a entrar em erupção, e qualquer palavra fora do lugar poderia desencadear a fúria dele.
Kokonoi: Você devia ter ficado quieta, S/n. Não devia ter citado o nome da Emmy. Ele ainda não superou...
A voz de Kokonoi se apagou, mas S/n sabia o que ele ia dizer.
Kokonoi: Ele ainda não superou que você é lésbica.
Ela abriu os olhos, encarando Kokonoi.
S/n: Eu não sou lésbica, Kokonoi. Sou bissexual.
O olhar de Kokonoi se fixou nela, um misto de pena e raiva.
A culpa corroía seu interior. Ela sabia que Kokonoi estava certo. Ela devia ter se mantido quieta. Mas como podia negar sua própria verdade? Como podia se forçar a amar um homem que a machucava?
A água da banheira esfriou, mas S/n não se moveu. A dor física era suportável, mas a dor da sua própria impotência era insuportável.
A porta do banheiro se abriu com um estrondo, revelando Sanzu. Seus olhos se fixaram em S/n, que estava completamente nua dentro da banheira, e depois em Kokonoi, que a ajudava a se molhar. A expressão de Sanzu era impenetrável, um misto de fúria e desgosto.
Kokonoi, com a rapidez de um raio, interrompeu o olhar gélido de Sanzu.
Kokonoi: Não precisa me encarar assim, Sanzu. Eu não como da mesma fruta que você. - Ele entregou a toalha para Sanzu, antes de sair do banheiro,lançando um olhar calmo para S/n.- Fique calma.
Sanzu se aproximou da banheira, sua presença pairando sobre S/n como uma tempestade. Ele começou a enxugar seus cabelos com a toalha, enquanto ela se mantinha em silêncio, seus olhos fixos no chão.
Quando S/n finalmente saiu da banheira, Sanzu se levantou e pegou uma sacola no quarto. Voltando para o banheiro, ele tirou alguns comprimidos e pomadas, mostrando-os para S/n.
Sanzu; Tome esses e passe nos hematomas. Eles vão sumir logo e a dor vai passar.
S/n o encarava, seus olhos cheios de medo e arrependimento. Quando ele se aproximou, ela abaixou a cabeça e murmurou:
S/n: Me perdoe pelo que eu falei ontem.
Ela odiava ter que se humilhar, mas sabia que se ele não a perdoasse, o verdadeiro castigo viria em breve. O medo congelava seus movimentos, e a sombra de Sanzu pairava sobre ela, uma ameaça constante.
Sanzu, por outro lado, apenas acariciou seus cabelos com um gesto quase gentil, mas a frieza em seus olhos era inegável. Ele então apertou seu rosto, forçando-a a olhar para ele. Seus olhos frios a analisavam, e um sorriso quase imperceptível se formou em seus lábios, um sorriso que não trazia calor, mas sim a promessa de algo frio e cruel.
Sanzu: Você está sempre pedindo desculpas, mas nunca aprende - ele disse, a voz baixa e ameaçadora. Ele estalou a língua no céu da boca como em descontentamento, um gesto que S/n conhecia bem, um sinal de que sua paciência estava se esgotando.
Seus olhos se encheram de lágrimas, ela sabia o que aquilo significava. Sanzu, com um gesto brusco, ergueu a mão e fez um sinal de "shiii", silenciando-a.
Sanzu: Não chore, meu amor - ele disse, a voz rouca e quase doce, mas a ameaça em seus olhos permanecia.- A noite vamos à boate, não quero que esteja com olheiras de tanto chorar.
S/n engoliu em seco, as lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Ela sabia que a noite seria longa e que o "amor" de Sanzu era um jogo perigoso, um jogo que ela estava fadada a perder.