Capitulo 63

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Pov Elis

Acordei com o som da chaleira apitando e o cheiro de pão quente vindo da cozinha. Ainda com os olhos meio fechados, virei para o lado e toquei o lençol frio, Chloe já tinha levantado.

Levantei devagar, vesti a camiseta dela que estava jogada na poltrona e fui até a cozinha. Chloe estava ali, de costas, mexendo em algo no fogão. Cabelo preso de qualquer jeito, camiseta larga e os pés descalços. Quase uma pintura.

Elis: Isso tudo é pra mim?

Chloe: Ah! Bom dia, dorminhoca. Tem café, pão de queijo... e panquecas. Não prometo excelência.

Elis: Mesmo que estejam desastrosas, eu aceito. Com muito orgulho.

Chloe: Amor, só uma está meio crocante. As outras passaram na prova do fogo.

Elis: Isso já é evolução. Você é tipo o MasterChef do afeto.

Chloe: Só se for o episódio do "Desastre Fofo na Cozinha".

Rimos. Me aproximei e a abracei por trás. Ela cheirava a sabonete e café. Uma mistura improvável, mas absurdamente acolhedora.

Chloe: Gosto tanto dessas manhãs com você.- encostou a cabeça no meu ombro.

Elis: Eu também. Parece que o mundo fica mais... devagar.

Depois do café, levamos nossas canecas para a sala. Nos jogamos no sofá, com as pernas entrelaçadas, compartilhando panquecas e preguiça. Um álbum da Norah Jones tocava baixinho.

Chloe: Sabe o que eu queria fazer hoje?

Elis: Hum... comer mais panquecas?

Chloe: Também. Mas além disso... nada.-Riu.

Elis: Já tava nos meus planos. Tô ocupada fazendo nada o dia todo.

Chloe: A gente combina até nisso. Zero produtividade e cem por cento sintonia.- Deitou no meu colo.

Elis: Às vezes eu acho que isso é viver de verdade. Não o que dizem por aí.

Chloe: É... viver pode ser só isso. Café, silêncio, alguém pra dividir a coberta.

Ficamos assim por um tempo, em silêncio, sentindo o peso bom de simplesmente estar. Mais tarde, decidimos caminhar pelo bairro. O sol era morno, o vento acariciava o rosto. Descobrimos uma feirinha escondida numa pracinha, compramos flores, biscoitos e uma vela de lavanda.

Chloe: Tem cheiro de abraço. Juro.-cheirou a vela.

Voltamos de mãos dadas, rindo de piadas internas, dando nomes bobos para os gatos da rua.

Elis: Aquele ali tem cara de "Dr. Bigodes".

Chloe: E aquele? Totalmente um "Zezé Furacão".

Rimos alto. Era tudo simples, leve, absolutamente nosso.

À noite, em casa, Chloe acendeu a vela e eu coloquei uma playlist tranquila. Cozinhamos macarrão, dividimos uma taça de vinho e nos deitamos no tapete da sala, apenas ouvindo música.

Chloe: Se a gente ganhasse na loteria, o que você faria?

Elis: Se a gente ganhasse na loteria, eu ia querer fazer o mundo girar só pra você. Primeiro, uma viagem sem data pra voltar, tipo um tour pelo mundo, começando por Paris só pra ver seu sorriso na Torre Eiffel. Depois, comprava uma casa bem nossa, com uma varanda cheia de plantas e um pôr do sol só pra gente. E o resto... bom, o resto a gente inventava juntas. E você?

Chloe: Te levaria para conhecer o mundo começando pelas ilhas gregas e terminávamos tomando café em Tóquio. Depois eu montava meu próprio negócio, algo que eu amasse, tipo um café-livraria fofo com gatos andando por ali.

Sem medo de amarOnde histórias criam vida. Descubra agora