Capítulo 23

1.2K 79 1
                                        

Pov chloe

Quando entramos a minha avó não estava em casa. Assim que entrei na cozinha, encontrei o Camilo.

Camilo: se comportem.

Chloe: do nada tu dizes isso para mim?

Camilo: não se sabe o que pode acontecer entre vocês.

Chloe: me respeita, Camilo.

Camilo: só não transem enquanto eu estiver em casa.

Chloe: eu nem tenho nada com a menina.

Camilo: já ouviste falar de sexo casual?

Chloe: não é isso que eu quero ter com ela.

Camilo: o que você quer ter com ela?

Chloe: na verdade, Camilo! Eu ando muito confusa em relação as coisas que estou a sentir e as minhas atitudes mas eu ainda preciso explorar essas emoções para ter certeza do que eu sinto mas uma coisa não posso negar, eu não gosto de lhe ver com a Giovanna.

Camilo: esta situação é difícil. Minha irmã e a irmã do meu amigo estão a gostar da mesma pessoa.- fez aspas.

Chloe: e já somos rivais.- fiz aspas.

Camilo: mas a Giovanna não tem chances com a Elis.

Chloe: dizes isso porque?

Camilo: já reparaste a forma como ela olha para ti?

Chloe: os olhos dela brilham.

Camilo: ela baba sempre que te vê.

Chloe: Há dias quando estávamos no parque, a pupila dela dilatou.

Camilo: você tem chances de ficar com ela.

Chloe: me ajuda a fazer pipocas.

Camilo: pipocas que eu não irei comer.- fez uma careta.

Chloe: Camilo, por favor, eu vou queimar o fundo da panela.

Camilo: so vou te ajudar porque é para a Elis.

Chloe: está bem, me ajuda.

Ah, se eu fosse fazer pipoca, certamente acabaria queimando tudo! Não é que eu não saiba cozinhar, mas pipoca é um caso excepcional. Sempre que tento, algo dá errado. Eu coloco o milho na panela, o óleo esquenta e, quando começo a ouvir os primeiros estouros, fico empolgada mas aí, num piscar de olhos, a coisa desanda.
Primeiro, ouço o ritmo dos estouros acelerar. Isso é normal, certo? Mas então, de repente, um cheiro de queimado invade a cozinha. Abro a tampa e vejo que metade das pipocas está queimada e a outra metade nem estourou! A fumaça começa a subir e eu corro para abrir as janelas, ligar o exaustor, qualquer coisa para me livrar daquele odor insuportável.

No final, fico olhando para aquela mistura triste de pipoca queimada e grãos não estourados e penso: "Era só uma pipoca, como isso pôde acontecer?" Talvez seja a pressa, talvez eu devesse mexer mais a panela, ou talvez a chama estivesse alta demais. Quem sabe? Desta vez não me arriscaria a cometer o mesmo erro, ainda mais sabendo que a Elis irá comer.

O Camilo começou a preparar tudo, colocou o óleo na panela, jogou o milho e, com a paciência de um chef, mexia a panela com cuidado. Aos poucos, os estouros começaram e, para minha surpresa, nada de cheiro de queimado! A cozinha se encheu com aquele aroma delicioso de pipoca fresquinha. Ele até derreteu um pouco de manteiga para jogar por cima.
Quando a pipoca ficou pronta, parecia saída de um cinema! Agradeci ao Camilo, que só deu uma piscadinha e foi para o quarto dele, me deixando terminar de arrumar tudo e as levei para o quarto.

Chloe: qual é o filme que escolheste?

Elis: ainda estou aqui.

Chloe: já ouvi falar desse filme, dizem que é bom.

Elis: vamos ver né.

Chloe: deixa-me ver a descrição.- o filme tratava de uma menina que perdeu o amor da sua vida num trágico acidente, é começa a acreditar que o malogrado namorado lhe envia sinais do Além.- parece ser interessante, senta aqui.- bati na cama para que ela pudesse sentar e dei play no filme.- imagina ser jogada na cara que não entendo sobre família porque não tenho uma, como iria me doer.

Elis: eu também me sentiria muito mal, tipo, qual é a necessidade de dizer isso.- nessa parte do filme, a garota estava a ter uma pequena discussão com o namorado.

Chloe: meu Deus, ela terminou com ele. Nem quero imaginar como o filme será quando ele morrer.

Elis: sério que vamos falar o filme inteiro?

Chloe: eu não consigo assistir sem comentar.

Elis: não é difícil.

Chloe: vou tentar.- calei a minha preciosa boca enquanto assistia o filme, com o passar do tempo eu estava a me segurar para não falar nada e já estava com os olhos cheios de lágrimas porque o rapaz acabou de ser atropelado.

Elis: estás a chorar?- olhou para mim preocupada.

Chloe: ele morreu.- a abracei, ela passou a mão sobre os meus ombros e me aproximou do corpo dela.- ela teve que fazer uma decisão tão difícil, eu no lugar dela ficaria muito mal porque viver sem o amor da minha vida seria a mesma coisa que estar morta.

Elis: realmente é uma escolha muito difícil.

Chloe: eu acho que era melhor ela ter ficado com ele, ela mesma disse que não tinha família e não tinha sonhos.

Elis: é complicado, vamos continuar a assistir.

Por vezes eu sentia o meu coração acelerar sempre que ela se movia um pouco mais para perto de mim.
Olhei de relance para ela, estava muito concentrada na trama.
Numa cena particularmente emocionante, os protagonistas estavam a se despedir. Meu coração deu um salto, e eu senti sua roçar levemente a minha. Olhei para ela, encontrando seus olhos por um breve momento.
O filme terminou, e o silêncio entre nós ficava cada vez mais pesado. Eu sabia que precisava falar algo ou fazer alguma coisa. Tomei uma respiração profunda, tentando encontrar coragem.

Chloe: esse filme foi... intenso, né? - eu disse, tentando manter a voz firme.

Elis: sim, muito.- ela falou mas não olhou para mim.

Chloe: esse filme foi a prova de que, amar também é deixar ir.

Elis: quando ela disse, o amor nunca morre, senti uma pontada no coração.

Chloe: foi muito intenso e profundo. Conseguirias seguir a tua vida se o amor da tua vida, falece-se?

Sem medo de amarOnde histórias criam vida. Descubra agora