Capítulo 62

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Pov Henrique:

Eu estava em casa, sentado na sala de estar, tentando me concentrar em algo que me distraísse. O som da campainha me fez parar, e eu não precisei nem de um segundo para reconhecer quem estava à porta.

Ao abrir, me deparei com Lucas mas o que estava diante de mim agora não era o mesmo Lucas de antes. Algo em seus olhos denunciava que ele ainda estava preso ao passado, e que o peso de suas escolhas não havia desaparecido. Ele estava ali por um motivo específico, e eu sabia que não seria algo simples.

Henrique: Você. O que quer aqui, Lucas?

Lucas: Eu sei que você deve estar surpreso. Mas, olha, precisamos falar. Não é só sobre o que aconteceu entre nós... Eu estou aqui porque você ainda me deve uma.

Henrique: Devo uma? O que você está falando, Lucas? Já faz anos desde que nos afastamos, eu não te devo nada.- Arqueei a sobrancelha, desconfiado.

Lucas: Ah, mas deve, sim. Não me venha com essa de que não deve nada, porque você sabe muito bem do que estou falando. Quando tudo começou a desmoronar, você se escondeu. Você se afastou e deixou tudo pra trás. E agora, ainda vai me deixar na mão? Não pode simplesmente virar as costas de novo.- Se aproximou com um olhar fixo e determinado.

Henrique: Eu não sou mais aquele cara, Lucas. Não tenho nada a ver com as coisas erradas que fizemos na juventude, não quero me envolver de novo em vendas e distribuição de drogas, lavagem de dinheiro, trágico. O que você quer de mim agora?

Lucas: Eu quero que você faça algo por mim. Você tem a oportunidade de me ajudar, e se não fizer isso, vai ver que as consequências vão ser grandes, para você também. Você sabe que eu ainda estou metido em uns negócios... complicados. E preciso da sua ajuda. Ou vou fazer com que isso custe caro pra você.

Henrique: O que você está dizendo? Está me ameaçando agora, Lucas? Sério? E ainda envolve a minha vida, minha paz? Eu já não me meto mais nessas coisas.

Lucas: Eu sabia que você ia tentar se esquivar disso. Mas é tarde demais pra fugir agora. Você e eu sabemos muito bem como as coisas funcionam. Eu estou a namorar com a mãe da namoradinha da sua filhinha. Acredito que não gostarias de ver a Elis sofrer seja directamente ou indirectamente, usando a namorada. Elas estão dentro do meu alcance. E se você não me ajudar, as coisas vão complicar para todos vocês.- Com uma sorriso calculista.

Henrique: Você está falando sério, Lucas? O que você quer de mim? Que eu me meta de novo em negócios sujos só pra não ser atingido por suas consequências? Eu te avisei, não quero mais nada com isso. Se você está se metendo em algo errado, isso é problema seu, não meu.

Lucas: Você acha que pode apenas virar as costas? Acha que pode sair dessa sem consequências? Não vai ser tão simples assim. Eu te dei uma chance. Agora você tem uma escolha: me ajuda, ou todos os seus problemas vão voltar para te assombrar. Acredite, as coisas vão piorar para você, para a sua filha, para todos ao seu redor. Eu não sou o único que pode tornar a sua vida um inferno.

Eu senti minha fúria crescendo, mas tentei me controlar.

Henrique: Eu vou te ajudar, Lucas, mas saiba que estou fazendo isso porque você me obrigou. Não vou entrar em mais nenhuma das suas encrencas. Se algo acontecer com a minha filha, eu não vou hesitar em ir atrás de você.

Lucas: Ótimo. Sabia que você ia entender. A partir de agora, você vai fazer o que eu mandar, ou vai se arrepender. E lembre-se... se você se meter em qualquer coisa que não me agrade, as consequências serão muito piores do que você imagina.- Sorriu como se tivesse vencido.

Eu olhei para ele, sabendo que aquela conversa não havia terminado e que minha vida estava prestes a ser virada de cabeça para baixo novamente. O passado de Lucas e suas escolhas erradas estavam invadindo meu presente, e eu não sabia até onde as consequências chegariam.

Depois que ele se foi, fiquei parado ali, sem saber como reagir. O peso de suas palavras ainda pairava sobre mim, e a sensação de ser arrastado para um passado que eu pensava ter deixado para trás me deixou inquieto.

(Pensando) O que eu faço agora? Ele está me pressionando, me colocando contra a parede. Não posso colocar minha filha em risco, mas também não posso me envolver de novo com esse tipo de gente.

Meu telefone vibrou, interrompendo meus pensamentos. Quando olhei a tela, vi que era uma mensagem de Elis.

Mensagem de Elis: "Oi, pai. Como você está? Estou com saudades. Como vão as coisas por aí?"

Senti uma leveza ao ler as palavras dela. Mesmo longe, minha filha sempre tentava se manter próxima, mandando mensagens e ligando sempre que podia. Era um alívio saber que ela estava bem, mas também um lembrete constante de que eu precisava protegê-la a todo custo.

(Pensando) Eu não posso deixá-la saber o que está acontecendo. Não posso envolver Elis nisso.

Mas, ao mesmo tempo, a pressão que Lucas exercia sobre mim aumentava. Eu não podia mais ignorar que o passado estava se aproximando mais uma vez.

(Respondendo a mensagem de Elis) "Oi, filha. Estou bem. Sentindo a sua falta também. Como estão as coisas aí? Estudando muito?"

A resposta dela veio rápida, cheia de energia:

Mensagem de Elis: "Está tudo ótimo, pai. A escola é um pouco difícil, mas estou indo bem. Sinto a sua falta, mas sei que estamos bem assim. Beijos!"

Dei um longo suspiro. Eu queria que Elis ficasse longe de tudo isso, mas sabia que não poderia esconder tudo para sempre.

Naquela noite, o telefone tocou novamente. Desta vez, era Lucas. Hesitei, mas atendi.

Chamada on📱

Henrique: O que você quer agora, Lucas?

Lucas: Você fez o certo em me ouvir. Mas agora vamos ser claros. Amanhã nos encontramos, e a partir daí, vou te dizer o que fazer. E não tente me enganar. Eu sei muito bem o que você é capaz de fazer, e não vou deixar você sair ileso dessa.- Com um tom frio e calculista.

Chamada off 📱

A ligação foi interrompida, e eu senti o pânico crescer dentro de mim. Eu não podia envolver Elis. Mas o que mais poderia fazer? Ele estava me controlando, e eu estava prestes a ser arrastado de novo para um jogo perigoso do qual não sabia como sair.

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