Capitulo 66

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Pov Henrique

Eu me recostei no sofá, tentando organizar meus pensamentos. O peso da ameaça sobre a Elis estava me consumindo. Tudo o que eu queria era protegê-la, mas ao mesmo tempo, não podia ignorar a pressão de Lucas.

O que ele queria de mim? Como ele me controlava?

Eu passei a noite em claro, virando a situação na cabeça, tentando encontrar uma saída. Mas nada parecia claro. Cada vez que tentava imaginar o futuro, o rosto de Elis aparecia, e isso me dava forças para não ceder totalmente. Eu sabia que tinha que fazer algo para proteger ela, mas ao mesmo tempo, minha própria vida estava prestes a ser arrastada para o abismo novamente.

Na manhã seguinte, o sol ainda estava fraco quando eu fui até o local combinado. Era um café discreto no centro da cidade.

Quando entrei, Lucas estava sentado em uma mesa no canto, com um café na frente dele. Seus olhos estavam fixos em mim.

Lucas: Você demorou, Henrique. Mas está aqui, e isso já é um bom começo.

Henrique: O que você quer de mim?

Lucas: Vamos direto ao ponto. Eu preciso que você me ajude a resolver um pequeno problema. Um de meus... parceiros não está cooperando como deveria, e você tem as habilidades para lidar com isso de forma discreta.

Henrique: Eu não vou me meter de novo nisso. Seja lá o que for, você não tem mais controle sobre a minha vida.

Lucas: Você não entende, não é? Você já está dentro disso, Henrique. E qualquer tentativa de sair agora só vai te puxar mais para baixo. Não tem como escapar. A questão é: você vai escolher ser parte disso ou será destruído com todos ao seu redor? A escolha é sua.

Henrique: Eu não vou mais ser seu fantoche.

Lucas: Veremos, Henrique. Veremos.

Ele se levantou, deixando uma tensão no ar, e saiu sem mais palavras. Eu fiquei ali, sentado, tentando entender o que acabara de acontece.

Saí do café e fui direto para o carro.

Depois de algumas horas, decidi fazer algo que nunca imaginei que faria. Fui até a velha casa de um amigo meu, um advogado, alguém que sempre esteve longe dos meus negócios, mas que tinha as conexões certas. Ele me devia um favor, e esse seria o momento de cobrar.

Cheguei à casa dele ao entardecer. O lugar estava tranquilo, uma típica casa suburbana, nada que chamasse atenção. Toquei a campainha e, depois de alguns segundos, ele apareceu na porta. Seu nome era Marcos, e ele parecia surpreso ao me ver ali.

Marcos: Henrique, é você? O que está fazendo aqui?

Henrique: Precisamos conversar, Marcos. E é sério.

Fui direto ao ponto. Expliquei a situação. Sobre Lucas, sobre as ameaças e sobre o que estava em jogo. Ele ouviu em silêncio, seus olhos se estreitaram à medida que eu falava. Quando terminei, ele ficou pensativo por um momento.

Marcos: Você realmente está se metendo em um jogo muito perigoso. Não sei se posso ajudar diretamente, Henrique. Você tem que entender que, se você se envolver nisso, pode perder muito mais do que sua paz.

Henrique: Eu sei. Mas a minha filha está em risco. E eu não vou deixá-la pagar por isso. Preciso de uma forma de saber o que Lucas está planejando, antes que seja tarde demais. E também, preciso sair disso... para sempre.

Marcos hesitou por um momento. Eu sabia que ele queria ajudar, mas os riscos eram grandes demais. Ele estava em um campo diferente, e mexer com pessoas como Lucas poderia afetar até a carreira dele.

Marcos: Eu vou te dar uma dica. Tem um cara, alguém que eu conheço, que pode saber o que Lucas está fazendo. Ele está em negócios sujos, mas tem uma reputação por ser... confiável, dentro do possível. Vou te dar o nome dele, mas cuidado. Ele não gosta de se envolver com antigos conhecidos de Lucas.

Henrique: Eu vou fazer o que for necessário. Me passa o nome.

Marcos me deu o nome de um homem chamado Roberto, conhecido por ser intermediário em negócios ilícitos na cidade.

Ao sair da casa de Marcos, a escuridão já tinha tomado conta da cidade. A noite tinha caído, e com ela, a pressão que eu sentia.

Eu respirei fundo e liguei para o número de Roberto.
O telefone tocou, e a cada segundo que passava, meu estômago se apertava mais.

Finalmente, uma voz rouca atendeu do outro lado.

Ligação on 📲

Roberto: Quem é?

Henrique: Meu nome é Henrique. Preciso falar com você sobre algo... que envolve Lucas.

Houve uma pausa, seguida de um suspiro. A tensão no ar se tornou palpável, como se ele já soubesse o que estava por vir.

Roberto: Você se meteu com ele, não é? Não sei como, mas sempre tem alguém que acaba voltando, e eu já vi esse filme antes. O que você quer, Henrique?

Henrique: Eu sei que você tem informações sobre o que ele está fazendo. Preciso saber mais sobre os negócios dele, o que está planejando.

Roberto: Você está se jogando no fogo, amigo. Lucas é uma peça complicada, e mexer com ele não é como mexer com qualquer um. Você quer saber o que ele está fazendo? Vai ser perigoso, você sabe disso, né?.- Rindo de desdém.

Henrique: Eu não tenho escolha, Roberto. Ele está me ameaçando. Se você sabe de algo que possa me ajudar a acabar com isso, me diga. Preciso de uma forma de sair disso.

Houve mais uma longa pausa, e eu podia ouvir o som de Roberto respirando profundamente. Ele estava avaliando a situação, ponderando se valia a pena me dar o que eu queria.

Roberto: Olha, eu não faço favores a ninguém sem esperar algo em troca. Mas você parece ser um tipo diferente, então vou te dar uma chance. Lucas está em algo grande, muito maior do que simples negócios locais. Ele anda envolvido com tráfico internacional de armas e dinheiro lavado. Eu sei que ele tem uma rede de contatos, e está começando a expandir as operações para o exterior. Há algumas reuniões sendo marcadas em breve, e eu posso conseguir detalhes sobre o lugar e a hora.

Henrique: E como você espera que eu te pague por isso? O que você quer em troca?

Roberto: Simples. Você vai me ajudar com um problema meu. Não estou pedindo nada além de uma pequena ajuda, e quando isso acontecer, eu te entrego tudo o que você precisa saber sobre o que Lucas está planejando. Agora, você tem o que precisa para decidir, Henrique. Ou você se envolve de novo, ou sai e deixa o buraco ficar maior. A escolha é sua.

Eu fechei os olhos por um momento, processando as palavras dele. Eu estava sendo forçado a entrar em um jogo ainda mais perigoso, e a cada novo detalhe que surgia, mais eu me sentia preso.

Henrique: Eu não vou me envolver mais com nada disso, Roberto. Não há barganha, não há troca. Eu preciso dessa informação.

Roberto: Ok, ok... Eu vou te dar o que você quer. Só não diga que eu não avisei. A coisa toda vai acabar de uma maneira ou de outra. Mas você não vai sair ileso disso, Henrique

Henrique: Diga onde e quando.

Roberto: Eu te passo os detalhes mais tarde. Aguarde meu sinal.- a linha caiu.

Ligação off

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