Pessoas mudam, mas nem sempre são para melhor. Algumas ganham um brilho especial e outras perdem os seus e ganham uma luz nova ou até mesmo, a ausência dela.
Acontecimentos e pessoas influenciam essas mudanças e isso ficava cada vez mais óbvio para...
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— Para protegê-la vai precisar estar vivo, priminho. — o loiro fala assim que o puxo para trás de uma pilastra por conta de uma metralhadora posta em nossa direção. — E se enfiar no meio das balas não é o melhor jeito para continuar vivo.
— E muito menos falar demais. — entro numa direção oposta de onde vinha os tiros e aparece uns cinco caras onde três acerto com meu bastão e derrubo dois com um chute quando os empurro contra a parede. — E sua faladeira está me distraindo enquanto estou tentando nos manter vivos.
— Claro, até porque não estou ajudando em nada. — é irônico enquanto controla o senti monstro que criou derrubando uns quatro caras de uma vez só. — E não tente me deixar como o irracional da conversa, porque odeio isso.
— Você é tão infantil às vezes. — digo revirando meus olhos enquanto toco no botão que chamava o elevador já que as escadas estavam inacessíveis no momento.
— Você teve sorte de ainda estar vivo, isso sim. — ele cruza os braços com seu típico semblante de rígido quando entramos no elevador que fecha rapidamente. — Depois daquela ligação praticamente se jogou para frente dos tiros.
— Não tive sorte, priminho. — faço questão de usar seu apelido contra ele. — Eu sou o Chat Noir e já estou há muito tempo nisso. — abro um pequeno sorriso convicto o suficiente para incomodar o seu ego.
O outro resmunga baixo como se fosse uma criança emburrada, aquela personalidade dele era tão estranha, parecia que ele só deixava escapar coisas do tipo perto dos mais íntimos, porque perto dos outros parecia um poço de maturidade.
Encaro as horas no monitor do elevador, aquela invasão com certeza foi planejada, todos os homens que passaram por mim tinha a marca do akuma no pescoço e pelo que Chloé disse na ligação o alvo sem dúvidas alguma é a minha esposa, e isso só faz com que eu me culpasse o dobro por tê-la trazido a esse evento, deveria saber que era uma emboscada desde o início.
Os andares seguintes parecem uma eternidade até chegar no último que era onde minha mulher estava, quando deixamos o elevador não penso nem duas vezes antes de bater na porta e apertar o monitor espelhado chamando a atenção de quem já se encontrava dentro da suíte, encaro uma das câmeras acima, com certeza quem estava dentro teria acesso a elas e não demoraria muito para Chloé abrir ao nos ver.
— Eu sei no que está pensando e arrombar a porta é uma péssima ideia. — o londrino diz monotonamente encostado na parede. — Já uma ótima ideia seria se destransformar antes que Chloé veja que o Chat Noir encontrou a Marinette ao invés do marido dela que sabe onde ela está.
Observo as garras no lugar das minhas unhas e só agora percebo que ainda estava com o traje de couro, faço o que o outro diz e retorno para o mesmo terno de alfaiataria de antes.
Respiro fundo deixando minha cabeça pesar sobre a porta, eu só preciso que ela esteja bem, o resto nada mais importa. Ergo meu corpo assim que a grande superfície branca se abre me dando a visão do quarto que logo muda quando a azulada passa pelas duas loiras vindo em minha direção e eu faço o mesmo.
— Como você está? — passo minhas mãos pelo seu rosto procurando qualquer rastro de ferimento e assim que não encontro abaixo meu olhar até seu ventre e suspiro aliviado ao ver seu vestido intacto sem qualquer arranhão. — Graças a Deus. — toco o local sorrindo para ela que me corresponde.
— Estamos bem, amor. — responde com um sorriso tímido.
— Não acredito que está ajudando esse traidor, Chloé. — a voz da mais velha chama minha atenção, fazia algum tempo desde que não via Audrey tão de perto.
— Mamãe, por favor, essa não é a hora e muito menos o momento. — se aproxima de nós, mas ainda fugindo de qualquer troca de olhares, ela me parecia diferente. — Marinette está grávida e mesmo se não estivesse está havendo uma invasão no prédio, nenhuma mágoa é suficiente para deixá-los sozinhos num salão repleto de terroristas insanos.
— Pela primeira vez receio ter que concordar com Chloé, senhora Bourgeois. — Félix entra no cômodo logo atrás de mim fechando a porta certificando que apenas nós ficaríamos por dentro.— Fugimos enquanto havia tempo, a situação lá embaixo está caótica.
— Um eufemismo dizer isso. — murmuro enquanto aperto o corpo feminino contra os meus braços, eu precisava senti-la para acreditar que ela estava mesmo bem e aqui comigo.
A mais velha nos encara por uma mera fração de segundos antes de mudar seu semblante para algo menos severo o que não me agrada nenhum um pouco, pelo contrário, sinto um arrepio em minha espinha por algum motivo, eu não gostava nenhum um pouco daquela mulher, nem mesmo quando eu era pequeno, porém minha antipatia só aumentou depois de sua rivalidade idiota com minha esposa, ela não chegava nem aos pés das criações de Marin.
— Demos muita sorte então de terem conseguido vir até aqui. — se vira de costas para nós se afastando até se sentar no sofá da suíte com as pernas cruzadas. — Imagino. — ri de leve, mas não parecendo muito feliz com isso.
A idade dela deve ter afetado sua mente, porque sua atitude não me parece nenhum um pouco habitual, sempre a achei um tanto incomum, mas nunca havia a visto mudar de humor tão subitamente quanto agora.
— Chloé me salvou, amor. — a voz feminina me tira desses pensamentos fazendo com que eu me atentasse apenas em ouvi-la. — Um dos encapuzados tentou me levar a força por algum motivo, mas ela o impediu antes que conseguisse.
O meu sangue ferve em pensar que ousaram tentar levá-la, mas rapidamente algo mais forte toma controle dos meus sentimentos, a imensa gratidão que sinto pelo maldito não ter conseguido terminar o que começou me domina.
— Muito obrigada. — nunca soei tão sincero quanto agora em toda a minha vida. — Estarei em dívida com você para sempre por ter protegido a minha família.
A mulher me encara silenciosamente apenas acenando brevemente sua cabeça como se aceitasse meu agradecimento, seus olhos pareciam aqueles que um dia pertenceram a minha primeira melhor amiga solitária, que partilhava da mesma dor que eu, a diferença era que hoje eu não me sentia mais assim, porque tinha pessoas que me amavam ao meu redor diferente do menino assustado que conhecera, jamais permitirei que meus filhos se sintam assim.
— Que comovente. — a mais velha retorna a falar com um sorriso escárnio no rosto visivelmente desinteressada. — Mas poderiam me dizer quando sairemos daqui?