Por que não me contou?

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Acordei umas trezentas vezes durante a noite. Não sei se por estar desconfortável ou preocupada por estarmos ali e, claro, pela mulher que dormia em meus braços. Ela dormia feito pedra. Olha, admiro essas pessoas que se encostam em qualquer lugar e conseguem dormir numa boa, como se estivessem num quarto do Hilton. Se eu tivesse que contar carneirinhos, faltariam carneiros nesse mundo e é angustiante ficar rolando na cama até esperar que o Morfeu faça um milagre em mim. Então, desde que a Hai faleceu, eu tento ficar exausta pra deitar e logo dormir, assim eu não precisaria me esforçar em espantar os pensamentos ruins que acumulava durante o dia. Isso já acabou, mas talvez tenha me deixado esse resquício de pegar no sono quando eu estiver apenas muito cansada. Saudades, útero.

Mas então me vejo dormindo ao lado da mulher que eu amo hoje, e já não é mais angustiante ficar sem sono. Olhar para aquele rosto tão sereno tentando adivinhar com o que ela está sonhando era delicioso. As vezes eu me sentia de mãos atadas quando dormia com alguém e eu não conseguia dormir, mas dessa vez era diferente. Eu sentia que, ainda que ela estivesse dormindo, me completava e me enchia o coração.

Falando nisso, será que ela está sonhando comigo? E se nele estamos em alguma praia do Caribe tomando sol. Falando nisso, ainda quero saber se ela brilha. Lauren é da mesma cor que o Edward Cullen. Eu não me surpreenderia se ela aparecesse brilhando. Olha! Ela tá sorrindo. As vezes ela parece sorrir durante o sono. E de duas, uma: ou é comigo ou é com macarronada.

Acordei com o sol tocando minha pele. É incrível como a natureza se parece com a gente. Como já diria Alejandro Sanz "después de la tormenta siempre llega la calma". Minha mãe adora ele e pelo jeito eu deveria gostar ainda mais dele por ter profetizado esse momento da minha vida. Mas enfim, as vezes, uma coisinha só pode tirar a gente da tristeza. Só de olhar para a Lauren aqui do meu lado, dormindo toda encorujadinha no meu corpo, tentando tapar seus olhos da luminosidade, sorri. Definitivamente eu tinha encontrado o meu sol. E mais do que a felicidade de ter encontrado meu sol, era saber que meu sol é ela.

Acariciei suas costas e beijei o topo de sua cabeça suavemente para tentar acordá-la. Tinha medo de que ela ficasse irritada por isso. Ela se mexeu e se aconchegou mais em mim.

"Bom dia, amor" sussurrei. "Vamos acordar?"

"Mais um pouquinho, Shine" ela resmungou.

"Tenho medo de que nos vejam aqui"

"Ontem você não teve" ela riu escondendo seu rosto em meu pescoço. Apertei seu bumbum repreendendo-a, mesmo morrendo de vergonha disso. "Ain"

"Ontem tava escuro. Seria difícil nos ver e você me tapava o tempo todo!"

"Seeei..." Ela abriu os olhos e me olhou enquanto me envolvia pela cintura. Dei um beijo em seus lábios e sorri. "Bom dia"

"Quer comer alguma coisa? Eu busco lá pra gente"

"O que você trouxer, tá ótimo"

"Quer café?"

"Se não tiver chá, pode me trazer um suco de morango"

"Anotado, senhora" dei um selinho nela e abri a porta, saindo do carro.

"Camz!?"

"Eu!!"

"Você não vai sair assim, né?"

"Assim co-" olhei para a minha roupa e minha calça estava totalmente aberta. Arrumei rapidamente e olhei pra ela toda envergonhada.

"Hunf. Se meu casaco não fosse tão curto, te daria" eu ri e fui até a cabana.

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