Capítulo 39 - As Cartas

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Lauren

Aquele quarto era a minha prisão e eu não sairia até encontrar respostas.

A suíte de hóspedes na casa de Olivia era confortável, eficiente e elegante, assim como a sua dona. Uma cama de casal no centro, posicionada embaixo das janelas do segundo andar que davam direto para o jardim, uma televisão de tela plana na parede oposta acoplada acima de uma lareira, um armário no canto esquerdo, ao lado da porta que levava para o banheiro, e uma bancada de madeira que cobria a parede do lado direito de ponta a ponta.

Projetada para ser uma estação de trabalho, a mesa longa tinha se tornado o meu centro de investigações e o resto do quarto o meu escritório particular.

O aquecedor funcionava a todo vapor. O fogo na lareira queimava lento, mergulhando o cômodo em um tom alaranjado empesteado pelo cheiro de lenha. A minha cabeça funcionava melhor no escuro. Os dois abajures posicionados nas mesinhas de cabeceira, uma em cada lado da cama, e a cor do fogo que crepitava em sombras contra as paredes eram a única iluminação do ambiente.

Aquele era o mesmo quarto em que Camila tinha se hospedado depois de decidir que não conseguia mais ficar em Miami quando enterrou Sofia e viu Sinu desistir. O mesmo quarto onde ela tinha passado pelos primeiros processos do seu luto. Os piores momentos da sua vida.

Olivia e Robert não tinham outro para oferecer e eu não podia reclamar. Ainda assim, era difícil descobrir o que fazer com essa informação. Até a neve parecia estar zombando de mim, me levando de volta para o mesmo inverno em que tínhamos perdido Sofia.

Ela tinha voltado a cair. A primeira desde o Natal. Mas a beleza do mar de branco que cobria Nova York e seus arredores tinha parado de me encantar. A nevasca me fazia pensar nos dias em que Camila tinha ficado presa no meu apartamento com a última tempestade. No nosso primeiro encontro oficial patinando no Central Park. Mas também me fazia pensar na ausência de conforto de uma prisão. No colchão duro. Na calefação fraca. No nosso cobertor.

Ele estava dobrado em cima da cama, coberto por pilhas e mais pilhas de fotos, papeis, arquivos e caixas de papelão. Todo o histórico do nosso caso estava espalhado em cima do colchão, como peças de um quebra cabeça em que eu precisava encontrar apenas uma.

Uma ponta solta, uma chance, uma resposta. Qualquer coisa.

Olivia tinha me ajudado com aquilo, assim como com o quadro branco apoiado no suporte de rodinhas em frente ao armário. Era o mesmo quadro exposto no depósito de Camila. A unidade em que ela tinha me levado na certeza de que um dia nós precisaríamos, sem imaginar que seria desse jeito.

Algumas viagens foram necessárias entre o container que guardava os detalhes da sua antiga investigação clandestina e a casa de Olivia para conseguir levar tudo. Além disso, Olivia tinha usado das suas idas e vindas da delegacia para trazer cópias de todos os documentos, imagens e mapas que estávamos usando antes de sermos interrompidas pelo afastamento.

Eu ainda estava lutando para organizar tudo, com esperanças de que aquilo me ajudasse também a organizar a minha própria mente. No quadro, ao lado das notícias, dos retratos falados, das imagens das vítimas, dos mapas pintados de vermelho e das necrópsias assinadas por Ally, estavam as fotos. Impressas em baixa qualidade, mas recortadas com cuidado e coladas lado a lado. Todos os nossos amigos, sem exceção.

Normani, Ally e Dinah. Ariana, Zayn e Ashley. Niall, Troye e Louis. Harry e os antigos amigos de Sofia da faculdade. Demi e Liam. Nick, Alessia, Billie e Finneas. Os bombeiros do batalhão 727, Bieber, Mendes, Hailee, Austin, Colson e Lucy. As paramédicas, Veronica e Alexia. Hailey. E outras pessoas do nosso ciclo como Ty, Trevino, até mesmo Zendaya, Andrew, o prefeito, o governador, o chefe da polícia de Nova York e o promotor do caso de Camila.

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