Capítulo 42 - O Juízo Final

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Camila

A primeira explosão soou com um estrondo, jogando os meus braços para trás em um movimento que se espalhou das minhas mãos até os meus ombros. A onda do impacto percorreu os meus membros superiores de ponta a ponta e fez a minha pele tremular. O ricochetear deveria ser familiar depois de tantos anos, mas, desde o começo da sessão, meus músculos estavam desabituados, sofrendo os efeitos dos reflexos que antes costumavam ser naturais.

Sem perder o controle, eu respirei fundo, tentando me concentrar na silhueta humana impressa em papel no final da cabine. Os furos circulares surgiam conforme meus dedos pressionavam o gatilho sem parar, mas imprecisos de um jeito que estava começando a me irritar.

A Smith & Wesson de Olivia não estava tão firme quanto eu gostaria e a minha mira seguia muito menos apurada do que há alguns meses. Mesmo assim, eu sabia que a frustração não ajudaria.

Se eu me entregasse a ela, a minha concentração se romperia de vez e eu não podia me dar o luxo de me perder para mim mesma daquela forma. Era um direito que eu nunca teria em uma situação real de vida ou morte. Apesar qualquer fato externo, a minha mente precisava estar centrada.

Foi assim, tentando retomar o equilíbrio, que a imagem surgiu. Uma memória violenta que me assombrava há uma semana com a lembrança das mensagens que Lauren tinha me mostrado.

Ei, chanchita. Acho que vou para casa mais cedo.

A arma explodiu.

Mas se você inventar de assistir No Pique de Nova York de novo, juro que te deixo no meio da rua.

De novo.

Consegue me buscar umas quatro e meia?

O som de cada disparo ecoava contra as paredes, soando ainda mais estrondoso quando refletia no concreto e alcançava meus ouvidos sensíveis. Meus tímpanos protestavam apesar da proteção auditiva. Ainda assim, eu continuei.

Até daqui a pouco.

Os músculos dos meus braços começaram a doer pela força da arma me jogando para trás.

Eu só queria dizer que isso vai passar. A gente vai ficar bem. Você vai fechar esse caso, eu vou fazer essa prova e nós vamos conseguir respirar tranquilas de novo.

As minhas mãos estremeceram.

Eu ainda te amo, mesmo querendo te matar de vez em quando.

O último tiro deixou o pente e eu só percebi que estava ofegando quando o silêncio chegou.

Aos poucos, as cenas se misturavam. As mensagens de Sofia. Lauren me contando sobre o que tinha feito para o cartel. Seu rosto cansado. Seu corpo arrastado pelos policiais por trás do acrílico. A cela que tinha sido minha casa por meses. Sua imagem morta nos meus pesadelos.

A raiva borbulhava quente dentro de mim quando finalmente abaixei a arma, lembrando que aquilo era apenas um treino. Por alguns segundos, minha cabeça tinha deslizado para uma realidade paralela onde ele estava ali, na minha frente, estampado no alvo de papel.

As últimas quatro perfurações foram mais certeiras. Bem no meio da testa, no ponto exato entre os olhos e a sobrancelha, se a silhueta genérica que imitava um ser humano os tivesse.

Devagar, eu deixei a pistola em cima da bancada, ao lado das cinco com que revezava, descarregando uma a uma. Minhas mãos se ergueram para remover os óculos e os protetores auriculares, limpando o rosto da camada fina de suor que se acumulava aos poucos.

Pressionar do botão na parede direita da cabine fez o sistema acima da minha cabeça se acionasse e a silhueta começou a deslizar do fundo do corredor na minha direção. Eu retirei os prendedores, soltando a folha perfurada pela M&P9 M2.0 padrão com dezessete balas a cada pente. Eu estava prestes a analisar o meu desempenho em comparação com as dezenas de folhas espalhadas em volta dos meus pés no chão quando o som da porta se abrindo me atingiu.

Fire & BloodHistórias para pegar e não largar. Descubra agora