Temos uma nota no fim do capítulo caso alguém deseje ler antes de começar.
***
Lauren
Tudo era frio. Foi o meu pensamento enquanto as paredes de concreto escorriam pela minha visão. Os passos ecoavam pelo corredor. Os saltos de Priyanka e Olivia marcavam o tempo como um metrônomo descompassado que fazia cada minuto se arrastar. Era assim desde o dia em que o FBI tinha batido na minha porta. Como se as horas tivessem congelado com o inverno.
As botas de couro falso da agente carcerária lideravam a pequena procissão na direção das profundezas de uma ilha cujo coração pulsava violência. Esquecida pelos moradores que viviam sem pensar no pedaço de terra a poucos quilômetros da costa, reservado para o pior tipo de material humano produzido pela cidade. Ignorada pelos turistas que desembarcavam de voos luxuosos no La Guardia, desavisados ao enxergá-la na paisagem como o anúncio de chegada ao paraíso americano. Todos a avistavam sem saber que ali regia-se o próprio inferno.
Minha boca secou enquanto os pontos pretos tomavam conta da minha visão que se despedaçava em frangalhos. Meu coração acelerado não era capaz de bombear sangue suficiente para alimentar o meu cérebro com oxigênio em um lugar onde o próprio ar sufocava.
Quando nos aproximamos da última barreira de ferro, da última porta gradeada feita para conter a selvageria de vidas inaptas a se portarem do lado de fora, a minha respiração falhou.
A policial destrancou o fecho, abrindo passagem para a área de visitas e as salas de reunião. Priyanka e Olivia pararam ao meu lado, alcançando o fim do corredor poucos segundos depois.
Meus olhos se mantiveram fixos na porta de ferro. Em um lugar como aquele, não estar sozinho significava muito, mas olhar para elas seria uma viagem no tempo implacável. Eu estava por um fio e tinha certeza de que não conseguiria aguentar.
— Em frente — a agente carcerária anunciou o caminho como se existisse outra possibilidade a não ser seguir o labirinto de concreto. Ela sinalizou, nos deixando passar primeiro.
Uma mão no meu cotovelo me segurou antes que eu me movesse. Priyanka seguiu as ordens da policial e só percebeu que Olivia e eu não tínhamos acompanhado quando já estava lá dentro.
— Nos deem um minuto. Já alcançamos vocês. — Olivia pediu e Pryanka assentiu sem pestanejar, desaparecendo na curva que levava ao interior da prisão. A agente carcerária seguiu nos encarando, pensando se deveria ou não aceitar aquilo. No fim, ela também concordou, gesticulando para que pelo menos entrássemos na região protegida pela porta.
— Preciso fechar a tranca. Questões de segurança — ela explicou enquanto passava a chave na fechadura. O som do trinco pesado ecoou pelo corredor e eu estremeci. — Vou esperar vocês com a advogada no corredor. Precisamos ir juntas até a sala privada. Não demorem.
Ela desapareceu pelo mesmo caminho que Pryanka, me deixando sozinha ao lado de Olivia sem outra opção a não ser enfrentar o escrutínio do seu olhar.
— Respira — ela disse e eu assenti, fechando os olhos ao perceber que o aperto no peito tinha realmente se transformado em falta de ar. Minhas costas se apoiaram contra a parede mais próxima e Olivia me segurou em silêncio, deixando seus dedos passearem pelo meu braço em um carinho raro que nenhuma de nós duas permitia com muita frequência.
— Olha para mim — ela pediu e eu obedeci, desviando segundos depois. Minha cabeça seguia misturando tudo. A realidade de Camila. O meu passado. A imagem de Olivia parada na minha frente. Olhar para a parede vazia era mais seguro do que olhar para ela.
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Fire & Blood
Fanfiction**Fanfic Multifandom com foco em Camren** Quando Lauren Jauregui é solicitada em uma cena de crime no fim da noite, ela encontra uma imagem familiar para a cidade de Nova York. O corpo de uma mulher usando apenas um par de lingerie vermelha, as quin...
