Capítulo 40 - O Vazio

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Lembram de quando eu pedi para confiar no processo?

Esse capítulo é a própria definição de processo. Confiem no processo dele. Vai valer a pena.

Além disso, normalmente eu não sou autora de ficar pedindo favoritos e comentários, mas, como F&B está passando pelo seu próprio processo de retorno gradual, queria muito pedir a ajuda de todos que passarem por aqui a pelo menos votar no capítulo como favorito, vai. É só clicar na estrelinha. E, se puderem, deixem seus comentários. Faz toda a diferença para quem está escrevendo e ajuda a fanfic a engajar e voltar a ter um espaço de mais destaque. Desde já agradeço e vejo vocês no final, depois das 40K palavras.

***

Lauren

Em algumas noites, eu trocava o quarto pela bancada da cozinha. Com o tempo, as paredes, a lareira e a presença assombrada das minhas memórias imaginárias dos dias que Camila tinha passado naquele mesmo lugar me atormentavam. Depois da metade de fevereiro, o vazio tinha se tornado ainda mais profundo. Ele me puxava para baixo, um buraco negro que sugava tudo ao meu redor, e eu lutava, me agarrando nas pontas dos dedos, para não escorregar e cair.

A cozinha da casa de Olivia era ampla e me dava a falsa sensação de respirar melhor. Interligada com a sala, da ilha de mármore posicionada no seu centro, eu conseguia enxergar tudo.

A porta da entrada principal, a dos fundos, que levava para o jardim, as janelas extensas que me permitiam acompanhar o movimento na rua e na maior parte dos cantos escondidos no lado de fora. Inclusive o reflexo vermelho e azul da sirene da viatura postada no outro lado da calçada que ela tinha colocado para me vigiar vinte e quatro horas por dia, apesar das reclamações superiores sobre a polícia de Nova York não ser seu esquadrão de segurança pessoal, ainda mais que, teoricamente, com a prisão de uma falsa assassina, o pior do perigo já tinha passado.

Era a mensagem oficial que eles precisavam vender. A mesma mensagem que Olivia ignorava.

Olivia estava com medo e eu não conseguia imaginar a dimensão das desculpas e das discussões que ela tinha comprado internamente para seguir me escoltando, quando o caso dos assassinatos mais recentes já deveria estar resolvido. Eu sentia sua apreensão crescente quando precisava me deixar a cada manhã, sabendo que só conseguiria voltar depois do anoitecer. Com a ausência de Robert, a casa era só minha enquanto ela estava fora e seus cuidados estavam me cercando por todos os lados. Principalmente depois do meu chão ter sido arrancado de mim de uma hora para a outra.

Aos poucos, eu vivia o mesmo dia de novo, de novo e de novo, trocando de cenário entre os cômodos da casa para me enganar e me ajudar a contar o tempo que passava. Os mesmos arquivos, as mesmas fotos, os mesmos vídeos, a mesma rotina. A mesma ausência de respostas.

Os sinais dos giros do relógio estavam nos detalhes. No inverno que tinha se dissolvido em primavera. Nas minhas unhas roídas em um hábito que não costumava ser meu, sagrando em alguns pontos quando eu ficava estressada demais e arrancava um pedaço de cutícula no lugar errado. Nas minhas pernas que se agitavam e mal conseguiam parar quietas. Na cartela do ansiolítico que Myrna tinha pedido para um psiquiatra me receitar depois das nossas primeiras sessões obrigatórias para o meu acompanhamento durante a suspensão que ainda se estendia.

No começo, eu me dopava com eles. Então, Olivia passou a trancá-los no seu quarto, me dando as doses certas quando eu me afundava em dias ruins. A mistura com a medicação do TDAH, que ela também passou a controlar religiosamente, me deixava em um estado de letargia que me irritava. Mas agora, eu aceitava com alívio, apesar de saber que aquilo estava me atrasando.

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