Capítulo 3

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M⃣I⃣C⃣A⃣E⃣L⃣L⃣A⃣

Acordo com alguém tocando meu ombro, olho para o lado e vejo uma mulher uniformizada.

— Desculpe, mas já chegamos ao nosso destino, senhorita — diz a aeromoça educadamente.

— Ah, claro, obrigada — digo me desprendendo do cinto. Deixo a poltrona confortável e sigo pelo corredor até estar fora do avião.

Após ter pego minhas bagagens vou para o saguão do aeroporto e procuro com os olhos pelo tal de Edgar, mas é complicado procurar por uma pessoa que você nunca viu antes. Então resolvo esperar sentada em um dos bancos do saguão, mas antes mesmo de chegar no local um homem em específico me chama atenção. Seus cabelos castanhos estavam penteados para trás com uma generosa quantidade de gel. Sua barba trazia alguns fios brancos entregando sua idade. Os olhos estavam concentrados em seu celular e a julgar pelo vinco entre suas sobrancelhas ele
parecia irritado com algo. Mas o que despertou minha atenção foi a placa que ele estava segurando. O papel levava meu nome: Micaella Almeida Campos.

O embrulho que se formou em meu estômago foi repentino. A sensação ruim que impregnou meu peito foi o bastante para me fazer querer voltar para o avião e não sair nunca mais. Engoli em seco. Eu tinha que ser racional. Não poderia deixar minhas emoções ou intuições falarem por mim. Caminhei até ele decidida, ignorando o sentimento ruim crescente a cada passo. Quando paro em sua frente, o mesmo para de mexer em seu celular e ergue a cabeça. Seus olhos castanhos percorrem todo meu corpo até chegar em meu rosto. Não consegui decifrar seu olhar, era estranho. Não sei dizer se havia surpresa ou repulsa, ou se era apenas um olhar vazio de tédio e indiferença.

— Olá, sou a Micaella — digo apontando para a placa. O homem se levanta mostrando o quão alto ele é.

— Olha só para você. Uma cópia quase perfeita dela... — sua voz morre na garganta. Ele volta a me olhar dos pés a cabeça. Juro que não queria pensar que seu olhar continha malícia, mas ele me olhava de uma forma muito estranha.

— Você deve ser o Edgar — digo chamando sua atenção de volta para o meu rosto.

— Sim, mas tenho certeza que nunca ouviu falar de mim antes — disse ele e soltou uma risada curta sem humor.

— Que eu me lembre, não — respondo e penso comigo mesma se nunca ter ouvido falar sobre ele era bom ou ruim.

— Imaginei. Sua mãe passou muitos anos me odiando. Mas o mundo dá voltas e agora ela precisa de mim, mesmo estando morta ela precisa... — dizia ele, mas o interrompi bruscamente.

— Agradeço por me receber em sua casa, mas eu não vou falar com você sobre a minha mãe. Eu não te conheço e quero acreditar que minha mãe não tinha motivos para te odiar. E se for para passar na minha cara que mesmo depois de morta ela precisou de você para ficar comigo, prefiro morar em um orfanato! – digo em tom suficientemente rude.

Notei o maxilar dele trincar. Ele aprumou a postura como se isso fosse capaz de deixá-lo mais superior.

— Vamos — diz ele simplesmente e sai andando na frente. Respiro fundo pensando que talvez isso seja mais difícil do que pensei.

Saímos do aeroporto e para minha surpresa Edgar para ao lado de um bendito Porsche! Eu sabia que comparado ao Brasil, os preços dos carros nos Estados Unidos eram melhores, mas um Porsche? Quantas horas eu preciso trabalhar aqui para ter meu próprio carro de luxo?

A viagem foi silenciosa e parecia não ter fim, não que o caminho fosse longo, mas era a presença de Edgar que me incomodava. Não sei dizer se era pelo fato dele ser um completo estranho e eu não ser muito sociável com pessoas que não conheço, ou se pelo fato dele não me passar confiança. Mas confiança se trata de conhecer as pessoas e criar laços, então optei pela primeira opção a princípio.

Atração FatalOnde histórias criam vida. Descubra agora