CAPÍTULO 44

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KIRA FANE

— Por que o livro de matemática se suicidou? — Austin perguntou para Letty.

Zoe franziu a sobrancelha e Mason fitou Austin por cima do celular, parando de digitar.

— Não sei, por quê? — Ela questionou.

Ela havia retocado suas madeixas azuis, mas dessa vez era um tom mais escuro.

— Porque ele tinha muitos problemas. — Respondeu e explodiu uma risada alta, tombando o tronco para trás.

— Que idiota. — Zoe comentou, deixando escapar uma risadinha nasal.

— Essa foi boa, galera. — Seguiu Mason.

— Obrigado, Mason. Sei que só tenho você como verdadeiro amigo nesse lugar. — Austin fez seu draminha habitual. — E você, japoliana? Já vai embora?

— Sim, Mahara está me esperando no meu apartamento. — Ajeitei o estojo nas costas.

Hoje foi a entrevista de trabalho da Mahara e de bônus, já tínhamos combinado que ela dormiria em minha casa. Então, quando a vi na faculdade, entreguei-a uma cópia das minhas chaves e disse que ela podia entrar lá à vontade.

Pelo horário, ela já deveria estar no meu apê e claramente sabia se foi contratada ou não. Porém, Mah não me mandou nenhuma mensagem. Nem falando que já chegou, nem se conseguiu o emprego.

— Sinto inveja de você. Também quero ser amada por uma mulher. — Zoe se lamentou. — Hoje em dia, os homens bons estão cada vez mais raros e as mulheres estão dando o golpe.

— Um dia vai aparecer. Tô torcendo por você, gata. — Pisquei o olho direito. — Vou indo nessa, porque tenho a minha mulher me aguardando.

Esperava.

— A Kira já tá obediente. Já sabemos quem manda na relação. — Zoe me provocou.

— Que claramente é a Mahara. — Letty completou.

Soltei uma risada fraca, nem negando, nem afirmando, e acenei para eles, saindo da sala. Pisquei o olho para Camilla, que estava no meio da multidão, atendendo os clientes, e passei para o lado de fora do Toppers.

Entrei no carro, liguei-o e movi o volante, me distanciando da vaga de estacionamento. Todas as vezes que encontrava um sinal fechado, mandava mensagem para Mahara ou então ligava. No entanto, ela não atendia tão pouco respondia às minhas mensagens.

Respirei pesado, começando a ficar impaciente.

Será que aconteceu alguma coisa na volta da entrevista de emprego?

Mahara, porra. O que tá rolando?

Ao deixar o veículo na garagem do condomínio, marchei em direção ao elevador e liguei a tela com a esperança de haver algum sinal de vida da minha mulher.

Nada.

Para não massacrar a cabeça pensando no assunto, porque ela estava bem — ela tinha que estar. Me encostei na parede e cruzei os braços em frente ao peito, me obrigando a ocupar a mente com outras coisas. Quando a plataforma elevatória parou no meu andar, eu saí, tirando as chaves do bolso da calça.

Adentrei em casa e acendi as luzes, sendo recebida pelo silêncio do apartamento. Removi os sapatos e caminhei rapidamente em direção à sala de música para guardar o estojo. Ao pôr, virei os calcanhares e caminhei calmamente até o meu quarto. Girei a maçaneta e expirei, esgotada, cansada de mais um dia de faculdade, de trabalho e de ensaio.

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