Joguei-me no sofá de Ava e suspirei.
— Me conte qualquer coisa ordinária da sua vida, eu imploro — disse em meio a um gemido de exaustão.
Ava riu, fazendo seus olhos se fecharem, e se apoiou nas costas do sofá, olhando pra mim. O casaco de frio verde musgo jogado no ombro e o cabelo preso num coque desleixado.
— Ontem minha gata fez cocô na minha cama e eu não vi, então quando fui me deitar espremi a merda entre minhas costas e o colchão.
A história acrescida de sua careta retorcida de nojo me fez gargalhar espontaneamente. Ela riu comigo, mesmo sem desfranzir o nariz. Eu a havia despertado uma memória que deveria ser trancafiada e esquecida para sempre.
— O lado positivo é que você não se deitou de cara — argumentei, entre risos.
Ava concordou e veio se sentar no braço do sofá, próximo a minha cabeça.
— Tendo em vista que era um cocô molinho, seria uma experiência traumática.
— Ugh — exprimi, imaginando a cena.
Ela pegou meus cabelos na mão, acompanhando a forma das ondas com os dedos. Sua casa estava silenciosa, eu não havia perguntado onde estavam seus familiares e guardei o assunto na manga caso necessitasse dele como escapatória do silêncio ou assuntos desagradáveis. A temperatura ambiente não me deixava com frio ou calor, agradável, vez que meu casaco estava pendurado ao lado da porta. Eu poderia ficar ali por horas, apenas vegetando em seu sofá.
— Hm... — Ava começou.
— Não diga que já temos que sair para o aeroporto — a interrompi, grunhindo.
— Tudo bem. Não direi.
Olhei para o teto branco uniforme e a luz amarelada numa lâmpada circular sem propósito algum, apenas existindo. O conjunto acolhedor da casa, do carinho de Ava em minha cabeça e do silêncio bom me fez fechar os olhos. Talvez nem precisássemos falar coisa alguma.
Cinco segundos foi o suficiente para a algazarra despertar em minha mente e eu choraminguei.
— Me lembre de nunca me casar — Ava comentou num tom humorado.
Emiti uma risadinha quase histérica e ergui os olhos para ela.
— Não é ruim. É só... demais. Muitas coisas. Mas vai compensar.
Ela estreitou os olhos, desconfiada.
— Eu tenho certeza de que vocês são loucos um pelo outro, dá para ver do jeito que se olham.
Muito educada para mencionar, li nas entrelinhas a dúvida dela de se era o suficiente para o nível de tensão que eu estava. Entretanto, Ava tinha pouca noção do parâmetro geral de complicações do nosso matrimônio e continuaria assim, já que lhe ceder informações não faria bem algum, pelo contrário.
Decidi ficar quieta.
Se nosso casamento fosse apenas sobre nós dois, sem toda a questão sanguinária por trás, esse seria o momento mais feliz da minha vida. Bom... mesmo assim, ainda era. Mas a preocupação parecia um espírito obsessor tentando estragar minha alegria. Nutri mais raiva de sua família paterna e dos Cavanagh por perturbar meu sonho.
Para não deixar minha família e Wren esperando, coloquei-me em pé. Eu precisava cumprir o meu papel para o universo cumprir o dele.
— Vamos lá, a missão casamento ainda não terminou — abri um sorriso montado e gesticulei para o mesmo, pedindo sua aprovação.
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One Time
Fiksi PenggemarAssumir um relacionamento implica uma série de desafios, o que não deveria incluir riscos de morte frequentes. Mudar-se para o Canadá a fim de fugir de uma Companhia de Assassinos parecia uma boa ideia no princípio, mas Justin Bieber deveria saber q...
