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HÁ algo levemente quente batendo em uma pequena parte de minhas bochechas. Aos poucos, o som do ambiente se faz presente, habituando-se aos meus ouvidos. Com lentidão abro meus olhos, piscando vagaroso algumas vezes antes de, enfim, encarar a cortina escura levemente aberta por onde uma faixa de luz passa, tocando minha pele ao encontrá-la.
Respiro fundo enquanto me viro de barriga para cima na cama, levo minha mão aos meus cabelos, enrolando meus dedos levemente em meus cachos. O silêncio predomina, fazendo-me companhia e sorri levemente. Retiro minha mão dos fios e a desço, esbarrando em algo. Em alguém.
Os cabelos cor cobre escurecidos está uma bagunça em sua cabeça, que, por sua vez, está recostada de qualquer modo no travesseiro quase fora da cama. Está de costas para mim, o edredom grosso branco encobria apenas de sua cintura para baixo deixando seu dorso vestido por uma regata branca descoberto.
Louis, meu marido. A pessoa que eu deveria amar.
O desconforto em sua face na noite anterior ao explicar que ele teria que dormir comigo pelos próximos três meses surge em minha mente. Louis sempre foi tímido com qualquer pessoa e comigo mais ainda. Ver nos traços de seu rosto e em seus olhos azuis o desalento que eu lhe causava fez sentir-me, no mínimo, ruim. A verdade quando dita por mim parece o afetar como se fosse à primeira vez, porém não iria mentir. Tento me tornar sociável aos poucos, entretanto as ações prepotentes de meu pai alimentam meu ódio e arrogância.
Suspiro pesadamente balançando a cabeça, devagar e sem movimentos bruscos, levanto-me da cama e caminho em direção ao banheiro. Meus cabelos estão um verdadeiro ninho quando me olho no espelho, escovo meus dentes e lavo o rosto, aproveitando para passar meus dedos úmidos entre os fios desordenados.
A cozinha está silenciosa quando eu passo pela porta, a luz cinzenta do começo de manhã ilumina o ambiente. Há uma chaleira no fogão, aproximo-me e a toco, sentindo se está quente. Coloco o líquido em uma xícara, encosto no balcão e o saboreio devagar.
Divago meu olhar pelo cômodo enquanto assopro o chá, há suportes de câmeras instalados e espalhados pelos cantos. Arfo tomando outro gole, o gosto de camomila descendo escaldante por minha garganta, relaxando meu corpo, preparo-me mentalmente para o amanhã incerto e cheio de surpresas que caminha em minha direção. Segundas nunca foram dias agradáveis.
O Som de passos nas escadas ecoam pelo ambiente substituindo o silencio. O cabelo acobreado de Louis é a primeira coisa eu noto quando o mesmo adentra a cozinha. Seu rosto está um pouco avermelhado enquanto e ele esfrega lerdamente um dos olhos enquanto anda devagar com seus pés descalços contra o chão frio.
- Bom dia, Louis. - Cumprimentei, anunciando minha presença. Tomlinson dá um pequeno salto e direciona seus olhos em minha direção, a surpresa em seu olhar é clara e eu sorrio minimamente para acalmá-lo.
- Bom... Bom dia, Harry. - Ele basicamente sussurra gaguejando em sua curta frase.
- Quer chá? - Perguntei, direcionando-lhe rapidamente a minha xícara.
- Twining's? - Retrucou, em esperança.
- Não sei. - Dou de ombros - Já estava pronto e, bem, eu não sei reconhecer chás, se você quiser... - Olhei sugestivamente para a chaleira.
Acompanho com os olhos Louis andar até a mesma e, assim como eu, ele encostou seus dedos para sentir a possível quentura. Pega uma caneca grande e vermelha e a enche, o vapor sobe beijando-lhe o rosto e ele sorriu ao inalar.
- Twining's de camomila - Ele fala baixo ainda sorrindo - Amy quem fez?
- Provavelmente, como eu disse: já estava pronto quando cheguei. - Informo, tomando meu chá logo depois.
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UNCONDITIONALLY
FanfictionDizem que, quando se ama, você é capaz de tudo. Mas, o que fazer quando você ama por dois? O que fazer quando você ama uma pessoa e essa não te ama de volta? E, o pior: o que fazer quando essa pessoa é seu marido? O que fazer quando as câm...
