2. Vozes no andar de baixo

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A grande sala de estar trabalhada nas cores branca, cinza e preto não parece tão aconchegante quanto pensei que chegaria a ser ao finalmente chegar na mansão. Harry sem perder tempo subiu as escadas á passadas firmes e, segundos depois, ouço a porta de seu quarto ser fechada de forma bruta.

Vagarosamente eu subo cada degrau enquanto desfaço os botões da minha camisa social. Os quadros de paisagem, a sua maioria preta e branca, passavam como um vulto aos meus olhos. Tentei convencer Harry a redecorar esse lugar, mas ele não me deu atenção, então desisti.

Passei pela porta e parei perto da minha cama. Retiro meus sapatos com os próprios pés, cansado demais para me abaixar, deixando-os jogados no meio do cômodo. Joguei-me sobre meus lençóis, afundando meu rosto nos meus travesseiros e meu corpo ao colchão, já sentindo as lágrimas preencherem meus olhos.

Lottie sempre me disse que na vida a gente sofre por amor, que quem traça nosso destino somos nós mesmos. Quando penso nas suas palavras sorrio, porque de fato é engraçado, Lottie tem apenas dezesseis anos e sempre me aconselhou.

Charlotte sempre foi contra meu casamento com Harry desde o início, sempre me disse que se casa com quem se tem amor, carinho e afeto, não para manter a imagem de uma família intacta, mas eu não constatei muito pra falar a verdade. Eu já gostava de Harry na época, sempre fui próximo a sua família, talvez porque eu fosse destinado a isso como mamãe diz e esse fato apenas se cravou mais em sua cabeça quando descobriu que de fato eu era gay.

Para mim era melhor tê-lo desse jeito, do que não tê-lo de forma alguma.

Jay sempre foi e é uma boa mãe. Ela me avisou do casamento desde sempre e por incrível que pareça me avisou sobre a ausência do amor nele, porém eu já tinha certo apreço pelo Styles mais novo. Acho que em minha cabeça, talvez eu conseguisse conquistar Harry, porém um ano depois da cerimônia eu desisti quando Harry me apareceu tendo um caso com Taylor.

Como eu irei competir com um par de pernas delicadas, loira e alta? Veja bem, eu não tenho autoestima baixa, são apenas mais fatos que, como muitos outros, me estapeiam a face.

O perfume do amaciante me inebria me embriagado de uma forma surreal. E então eu adormeço, mergulhando em meu mundo de sonhos sem ter sonhos realmente.

Acordo com o meu estômago implorando por comida e vozes no andar debaixo. Cocei meus olhos me sentando na cama que se resumia a meu corpo embrulhado e perdido nos lençóis. A porta que leva ao corredor está aberta e eu consigo ver a luz acesa fraca da luminária que fica na parede. Levanto enquanto estico e estalo as juntas do meu corpo empurrando qualquer resquício preguiça para longe, ando até meu banheiro já retirando a camisa social que eu apenas desabotoei quando cheguei.

Meu banho rápido me desperta e relaxa meus músculos que estão sempre tensos, desligo o chuveiro a tempo de escutar risadas no andar á baixo. Saio do banheiro e ando um pouco rápido, ansioso para me vestir e ir comer. Pego uma regata cinza e uma bermuda qualquer e visto. Descalço mesmo, passo pelo corredor rumo às escadas, o chão frio me causa leves arrepios e eu sorrio levemente.

A luz da sala principal está acesa e a TV ligada, há duas pessoas no sofá. Reconheci os cachos bagunçados de Harry assim que desci o ultimo degrau e logo, reconheço Nick Grimshaw, seu melhor amigo e confidente desde pequeno.

- Hey, Louis! - Ele me invita, alegre.

Levanto minha mão balançando os dedos em forma de comprimento enquanto rumo para cozinha. Não me entenda mal, Nick é adorável, eu apenas não falo nada além do necessário porque, no final de tudo, ele é amigo de Harry e não meu. No fundo para ser sincero, tenho medo de me tornar amigo dele, amigo mesmo, de contar segredos e no final ele contar para Harry.

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