34. Rabiscos e couro marrom

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Hey amores, tudo bem?

Voltei com um capítulo grande pra vocês, o maior já escrito em UC, então eu espero que gostem e que não seja muito cansativo. Se estiver, por favor avisem-me, pois assim não faço mais capítulos deste tamanho.

Eu amo vocês demasiadamente.

Boa leitura. ♥

•••

A luz branca de uma das salas de reuniões dos funcionários ilumina o relatório em uma das minhas mãos, na outra uma xícara de chá fumega e esquenta as pontas de meus dedos, relaxando-me durante o árduo processo de ler linhas e mais linhas com definições de personalidade de cada criança.

São apenas oito e meia da manhã de uma quinta. Encontro-me sentado em uma das seis cadeiras pretas que residem em volta da mesa de vidro, atrás de mim, uma máquina de café trabalha a todo vapor, soltado alguns ruídos quais são os únicos que quebra o silêncio.

Amanhã completam três meses de gravação, sendo essa sexta o último dia onde serei vigiado dentro de minha própria casa e eu não poderia estar mais feliz com esse fato. Suspiro contente enquanto leio, elevando a xícara até meus lábios, soprando o líquido antes de finalmente tomar um gole.

O som da porta sendo aberta puxa minha atenção. Assisto Thales entrar na sala e ir direto para máquina de café, acionando-a logo após, suas mãos passam morbidamente por suas costas em uma tentativa de aliviar a tensão. Após pegar o copo de café, ele se vira, caminha até uma das cadeiras e se joga desengonçado na mesma.

- Bom dia para você também, Thalindo. - Sorrio provocando.

- Vá se foder. - Diz simples tomando um gole de seu café.

- Santa Animação. - Repeti a frase que me disse no primeiro dia de trabalho em uma ligação.

- Vá se foder. - Ele repete e eu acabei rindo baixo. - Pare de rir. Pelo amor de tudo que é sagrado, são oito da manhã.

- Brasileiros são rancorosos logo cedo ou é só você?

- Qualquer ser humano é rancoroso logo cedo. Pessoas felizes pela manhã não são pessoas, são híbridos.

- Híbridos? - Franzo a testa.

- Sim, - Ele se inclina sobre a mesa, apoiando a xícara no vidro e parecendo instantaneamente mais animado ao me explica sua teoria. - Qual o ser mais animado e fofo e alegre existente.

- Hm... Crianças?

- Crianças são seres humanos, idiota. - Ele revirou os olhos e eu me seguro para não rir. - Unicórnios.

- O que?

- Claro, pensa comigo: Apenas unicórnios, seres puros livre de qualquer ódio para qualquer coisa podem ser felizes acordando cedo. E também por esse motivo, são chatos pra caralho, quem aguenta?

- Meu Deus. - Não me segurei ao soltar uma risada alta. - Você está convivendo demais nesse orfanato.

- Vá se foder. - Respondeu pela terceira vez enquanto pegava seu copo de café e se recosta na cadeira mais uma vez.

Balancei a cabeça desistindo de ler, repousando a xícara e as folhas sobre a mesa. Após me ajeitar na cadeira novamente, encaro meu amigo.

- Por que o mau humor?

- Eu estava organizando o hall para as visitas de hoje, parece que vem muito mais gente que o costume. - Ele soltou as palavras dando um último gole no café.

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