Oi meus amores da minha vida, mano do céu onde é que tô?
Não, eu não esqueci a senha da minha conta.
Boa leitura ♥
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GALÁXIAS passeiam por mim, presente como o ar. Vejo por todos os lados estrelas piscando e ziguezagueando, montando constelações únicas para logo desfazerem-se e sumir. Em um ato involuntário, lanço minha cabeça suavemente para a esquerda, em confusão e assombro pela cena, mas meu corpo não obedece e eu permaneço parado.
O que é isso?
Tudo salta em minha consciência, um de cada vez, surgindo lentamente, arrastando para as sensações do que eu acredito ser o presente. Inicialmente, há essa sensação estranha que percorre minhas veias, parecendo sobressair por minha pele e escorrendo pelo meu corpo, chegando a ser insuportável ao atingir às pontas dos dedos. E então, eu sinto de forma tênue a princípio o cheiro de álcool antisséptico, ficando forte depois de identificado, pesando em cada mínima partícula de ar.
Um incômodo se torna presente, uma dor de cabeça alfinetando meu cérebro empurrando-o contra o crânio. Minha primeira reação é piscar os olhos inúmeras vezes, em uma tentativa primitiva e inútil de dissipar a dor, mas meu corpo mais uma vez não responde. Noto minhas pálpebras firmemente fechadas, os cílios tocando de forma suave as bochechas em descanso, criando então as iniciais constelações únicas.
Minhas pálpebras parecem extremamente pesadas agora que noto, meus olhos doem por trás das mesmas e eles não são os únicos. Meus músculos parecem toneladas e mais toneladas, imóveis em uma postura ereta sobre algo que me parece fino e desconfortável. Estou desnorteado, a sensação desagradável parece corroer meus ossos, há uma pressão forte em meu rosto totalmente incomoda. Meu cérebro se agita, passando de um dor incômoda para algo latejante ao passo em que eu tento abrir os olhos, falhando rapidamente.
O que está acontecendo?
Tento me concentrar, perceber o espaço ao meu redor, e logo minha audição clareia-se lentamente. Sinto meu coração inicialmente, batendo regular contra minha caixa torácica; vozes distantes abafadas mesclam-se em um único e distorcido murmúrio. E então escuto um bipe. O ruído está próximo a minha audição, à direita. Hospital? O que estou fazendo em um hospital?
As memórias me veem à tona como um baque, boa parte embaçada e cortada. Lembro-me do calor, do cheiro forte de fumaça queimar minhas narinas, o fogo consumindo o corredor e as escadas; lembro-me de Jake. Oh, Jake.
Quero abrir os olhos, olhar ao redor, perguntar de Jake, se ele está bem, mas tudo que noto é o bipe ganhando rapidez, o ruído se intensificando a cada segundo seguinte, tornando-se insuportável. Então surge uma movimentação, uma presença qual não tinha notado antes e, milésimos mais tarde surge outro som. Parece-me com uma porta sendo aberta, bate contra a parede, vibrando o concreto pela força.
– Doutor! – Harry? O que Harry faz aqui?
Agora, consciente sobre sua presença, sinto seu perfume, o cheiro doce característico de seus cachos, fragrância essa qual pude sentir de perto nos três meses que se passaram. Meu copo parece se adaptar com sua áurea, meus sentidos entrando em harmonia com sua presença. É estranho, mas tudo em mim sempre foi ele de qualquer forma.
Mais uma vez ruídos se fazem presentes, passos apressados surgem ao longe, aproximando-se gradualmente até que estejam bem próximos. Harry está em algum ponto próximo a mim, à esquerda, seu corpo parece emanar calor, forte o suficiente para rostir em minha pele. Noto outra presença, mais ao fundo, mas não tão distante. Ao se mover, seu calçado atrita o chão produzindo um ruído fino.
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UNCONDITIONALLY
FanfictionDizem que, quando se ama, você é capaz de tudo. Mas, o que fazer quando você ama por dois? O que fazer quando você ama uma pessoa e essa não te ama de volta? E, o pior: o que fazer quando essa pessoa é seu marido? O que fazer quando as câm...
