Capítulo narrado por Lumar
Existe algo bonito nos reencontros.
Eu vi essa cena um milhão de vezes na minha cabeça. Imaginei o que diria, como ela reagiria, se nos abraçaríamos primeiro ou se ficaríamos apenas olhando uma para a outra, tentando acreditar que aquilo estava realmente acontecendo.
Mas agora estava.
Sol estava aqui, na minha frente.
E, droga, ela estava mais bonita do que antes.
Passei um ano e três meses inteiros guardando aquela mulher dentro da minha cabeça. Não deixei nenhuma memória morrer. Lembrava do jeito que ela ria, do tom da voz enquanto lia Emily Dickinson, do toque das mãos dela em meus cachos, da maneira como franzia a testa quando alguma coisa não fazia sentido. Lembrava de como costumava me olhar antes de me beijar, como se ainda estivesse decidindo se devia fazer aquilo ou não.
Lembrava até das coisas pequenas que provavelmente não significavam nada para ela.
O jeito como mexia no cabelo quando estava nervosa. A forma como saboreava aquele velho chá de canela com maçã. Lembrava do nosso dia na praia, da maneira como ela ficou triste por não conseguir sentir a água nos pés.
E lembrava daquela noite de Ano-Novo.
Os fogos brilhavam no céu, explodindo em cores sobre nossas cabeças, mas eu só tinha olhos para ela. Enquanto todo mundo olhava para cima, eu olhava para Sol.
Ela sorria, iluminada pelos fogos, e, por alguns segundos, esqueci completamente que existia qualquer outra coisa ao nosso redor.
Naquele momento, tive certeza de que poderia passar o resto da minha vida olhando para ela.
Eu tinha medo de esquecer.
Então não esqueci.
Porque era com ela que eu queria ter uma família. Sempre que sentia vontade de desistir, eu me apegava aos nossos velhos planos. Àquelas coisas que dizíamos como se tivéssemos certeza de que o futuro nos pertencia.
Talvez por isso fosse tão estranho vê-la agora.
Ela era a mesma Sol e, ao mesmo tempo, não era.
E então me perguntei se apenas eu tinha ficado com as boas memórias.
Ensaiei mil vezes o que iria dizer.
Mil vezes.
Agora não conseguia dizer absolutamente nada.
Não havia nenhuma palavra séria o suficiente para preencher a saudade que eu sentia dela. Talvez por isso tenha feito o que, olhando agora, foi um ato completamente imprudente.
Dei um passo.
E a abracei.
Apertei-a em meus braços. Senti seu cheiro doce me invadir, senti cada fibra dela contra mim. Por um segundo, foi como se aquele ano e três meses nunca tivessem existido.
Até que-
Calma aí.
A mão dela veio cheia no meu rosto.
Minha cabeça virou para o lado.
Fiquei alguns segundos olhando para o chão, sentindo a pele arder.
Isso seria terrivelmente sexy se estivéssemos em outras circunstâncias.
Levantei os olhos.
Ela continuava exatamente onde estava.
E eu não consegui evitar.
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Eu Sou SoL
RomanceSoL, uma jovem de 17 anos, tornou-se paraplégica aos 16 e, desde então, encontra refúgio em seu quarto, isolando-se do mundo exterior. A ausência de afeto romântico e a inexperiência de um primeiro beijo pesam sobre ela. No entanto, o destino reserv...
