No dia seguinte, depois de voltar da escola, eu e a Clarice fomos ao hospital ver o Diogo. Ele continuava muito fraco para recuperar do coma mas a Clarice quis ficar a observá-lo. Eu disse-lhe que ia ver como estava o André. Entrei no quarto e vi que ele estava a dormir. Tive de sair logo porque a médica disse que não podia estar ali. Ele não podia acordar porque estava fraco do dia anterior.
Fui ter com a Clarice e saímos em direção a casa.
*Dia do Aborto*
-Bom dia Clarice-saudei quando me levantei.
-Bom dia querida-respondeu ela-estás pronta?
-Tem de ser não é?Bom, vou ligar à Bianca.
*Chamada On*
-Estou?
-Estou, Bianca?
-Olá Catarina. Queres que vá agora para o hospital não é?
-Sim se fazes favor. Saimos de casa daqui a 10 minutos. Até logo.
-Até logo.
*Chamada Off*
Eu e a Clarice tomámos o pequeno almoço, vestimo-nos e saímos para o hospital.
Encontrámo-nos lá com a Bianca e chamaram-me para a sala onde se realizavam os abortos passados 15 minutos.
-Vamos dar-lhe a anestesia e depois vamos realizar o aborto está bem?-perguntou a médica, já na sala.
-Sim-respondi.
Deram-me a anestesia e disseram que iam iniciar o aborto. Senti uma dormência quando a lâmina da faca se encostou à minha barriga. Senti uma certa culpa...
-Pare!Pare por favor! Não quero isto!Pare! Não quero abortar! Pare por favor!-gritei.
-Menina, já começámos.
-Não pare! Pare por favor.
Levantei-me e fugi do consultório com um pequeno corte, deixando a Clarice e a Bianca especadas à porta da sala.
-O que se passou ?-perguntou a Clarice à médica.
-Ela disse que não queria abortar-respondeu a médica.
-Que estranho-reconheceu a Clarice.
-Ela não estava muito confiante do aborto-disse a Bianca.
-E agora o que fazemos?-perguntou a médica.
-Se ela não quer abortar, não aborta-disse a Clarice.
Concordaram e foram procurar a Catarina.
"Não quero matar este bebé! Ele não tem culpa!" pensava eu enquanto corria pelo hospital em direção ao quarto do André.
-Catarina! Espera-gritavam a enfermeira, a Clarice e a Bianca.
Eu não as ouvia, já estava um pouco afastada demais para conseguir ouvir. Não as queria ouvir. Sentia-me envergonhada por estar grávida, senti-me envergonhada por não querer abortar, senti-me envergonhada por ter fugido da sala. Só queria ir ter com o André ele ia acalmar-me de certeza.
Entrei no quarto quando lá cheguei e felizmente ele estava acordado.
-André?-chamei com os olhos cheios de lágrimas.
-Catarina? O que se passa? Porque estás a chorar?-perguntou ele alarmado.
-André-comecei devagar-eu não abortei. Fugi da sala precisamente quando me iam abrir a barriga.
-Mas porquê? Não querias abortar?-perguntou ele.
-Mas eu senti-me culpada! Este bebé está dentro de mim por minha culpa!
-A culpa é do Gonçalo!-gritou o André.
-Mas também é minha! Aceitei beber as cervejas. Eu também tenho culpa!
-Mas era para te esqueceres dos problemas por uma noite! A culpa é do Gonçalo.
-Amor, ok, como queiras, mas ouve-me com atenção: eu não vou abortar. Vou ter este bebé e vou criá-lo porque tenho de assumir essa responsabilidade ok?-disse eu agarrando-lhe a mão.
Ele entrelaçou os seus dedos nos meus e disse:
-Amor, eu estou disposto a criar essa criança contigo, agora que namoramos essa responsabilidade também é minha.
Abraçei-o e agradeci-lhe com um beijo.
-Obrigada por existires-disse-lhe.
-Eu é que agradeço-disse ele, beijando-me de seguida.
Nesse momento a médica, a Clarice e a Bianca entraram no quarto.
-Catarina, procurámo-la por todo o hospital!-repreendeu a enfermeira.
-Peço desculpa-respondi-eu acho que o bebé não tem culpa e não o quero matar. Quero criá-lo e tenho apoio!
A médica olhou para a Clarice e depois para mim:
-Catarina, o seu corpo não está preparado e será uma gravidez de risco.
-Mas eu quero ter o bebé. Se achar que ao fim de uns meses ele vai nascer com deficiências, eu aborto. Não quero que ele sofra. Mas quero criá-lo e quero dar-lhe o carinho e amor de que precisa se for possível.
Elas anuíram. A médica contactou o meu pai, que não gostou nada da ideia, mas acabou por aceitar, depois da médica lhe ter dito que a decisão era minha.
Até estava feliz. Ia ter um bebé. Claro que era muito nova, mas ia fazê-lo. Com o apoio do André e da Clarice ia dar a este bebé o que ele mais precisava. Ia amá-lo como ele merecia. Como qualquer bebé merece.
Olááá! Então?Gostaram da mudança de atitude da Catarina? Era óbvio ou não estavam à espera? Comentem e votem por favor! Beijinhoss.
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Why? *PT*
RandomCatarina é uma rapariga que vai ter de ultrapassar muitos obstáculos ao longo da sua vida. Estará ela pronta para tudo o que vem aí? Terá alguém para a apoiar?
